MASP

Rubens Gerchman

Ar – Cartilha do superlativo, 1967-72

  • Autor:
    Rubens Gerchman
  • Dados biográficos:
    Rio de Janeiro, Brasil, 1942-São Paulo, Brasil ,2008
  • Título:
    Ar – Cartilha do superlativo
  • Data da obra:
    1967-72
  • Técnica:
    Madeira e fórmica
  • Dimensões:
    174 x 350 x 39,5 cm
  • Aquisição:
    Doação do artista, 1974
  • Designação:
    Escultura
  • Número de inventário:
    MASP.00670
  • Créditos da fotografia:
    João Musa

TEXTOS



A escultura de Rubens Gerchman, Ar—cartilha do superlativo foi feita durante o período mais duro da ditadura brasileira. Sua datação é a de 1967-1972, ou seja, tem início durante a presidência de Artur da Costa e Silva (1967-69), e se estende até a de Emilio Garrastazu Medici (1969-72), ambos generais do exército reformados. Naquele período, boa parte dos artistas brasileiros se opunha ao autoritarismo e à violência do Estado, e o trabalho de Gerchman deve ser entendido nesse contexto. A obra foi exposta no MASP na mostra do artista, então com 32 anos, na galeria do segundo subsolo do museu, em 1974. Algumas esculturas em formato de palavras chamavam a atenção por sua escala humana (cada letra com a altura de 174 cm). Num período de profunda asfixia das liberdades e direitos políticos do cidadãos, o artista concebera esculturas da série cartilha do superlativo que funcionavam como emblemas para aquele momento: AR, em letras cheias pintadas de azul (do acervo do MASP) e em letras vazadas, e LUTE, em letras cheias pintadas de vermelho. A exposição de Gerchman foi inaugurada no sexto dia do mandato do presidente Ernesto Geisel (1974-79), outro general do exército reformado, que prometia dar início ao que configuraria um longo período de reabertura ou transição para a democracia, que afinal perversamente duraria mais do que o próprio período mais duro do regime. No dia da abertura da mostra, em 20.3.1974, a capa do jornal Folha de S. Paulo estampava a manchete: “Ampliaremos o diálogo, diz Geisel”. De fato, Geisel assinaria quatro anos mais tarde, em 13.10.1978, a emenda constitucional que promulgava o fim do AI-5, o quinto e mais duro dos atos institucionais do regime militar que caçara mandatos de parlamentares, intervira em estados e municípios, e suspendera garantias constitucionais que resultariam na institucionalização da tortura no país.

— Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, 2021




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