MASP

Daniel de Paula

Campo de ação/ campo de visão, 2016-17

  • Autor:
    Daniel de Paula
  • Dados biográficos:
    Boston, Estados Unidos, 1987
  • Título:
    Campo de ação/ campo de visão
  • Data da obra:
    2016-17
  • Técnica:
    Luminária sucateada modelo X-250, utilizada na iluminação pública da Avenida Paulista entre 1974 e 2011, composta de corpo de alumínio fundido e estriado, com refletores internos reguláveis e
  • Dimensões:
    153 x 131 x 53 cm
  • Aquisição:
    Doação do artista, no contexto da exposição Avenida Paulista, 2017- 2019
  • Designação:
    Luminária
  • Número de inventário:
    MASP.10862
  • Créditos da fotografia:
    Eduardo Ortega

TEXTOS



As proposições de Daniel de Paula investigam materialidades e espaços que condensam relações sociais, uma vez que interessa ao artista tanto a negociação como o deslocamento, para o contexto expositivo, de objetos e situações. Campo de ação/campo de visão (2017), obra originalmente comissionada para exposição Avenida Paulista no MASP em 2017, consiste na apropriação e apresentação das peças em que se alojavam os equipamentos de luz dos postes instalados na avenida Paulista entre 1974 e 2011. O seu desenho, realizado pelo engenheiro José Barbosa de Albuquerque e sua equipe, é um marco da modernização da cidade, e remete a uma flor, por isso seus elementos foram apelidados de pétalas. Adquiridas pelo artista em um leilão de sucatas da Prefeitura de São Paulo, poucos dias antes de serem derretidas, 16 luminárias (mesmo número de lâmpadas em cada poste) foram dispostas em fileiras na galeria do primeiro subsolo do museu durante a mostra, e, posteriormente, uma delas foi doada por De Paul ao acervo MASP. Além das marcas do tempo, impregnadas por todos os lados, observa-se de frente ao centro da obra o recipiente em que se encaixavam as lâmpadas, que possibilitaram por décadas que acontecimentos — sobretudo noturnos — que atravessaram a Paulista fossem vistos, percebidos e sentidos. Esses objetos testemunharam infinitas cenas na avenida, produzindo, por meio de um mecanismo de iluminação artificial, a própria percepção de imagens vividas por décadas pelos transeuntes da cidade.

— Equipe curatorial MASP, 2021





Por Guilherme Giufrida
Eu me lembro da emoção ao ver pela primeira vez o trabalho Campo de ação/campo de visão (2017) de Daniel de Paula, comissionado para a exposição Avenida Paulista em 2017, e hoje no Acervo em transformação do MASP. O trabalho consiste na apropriação e apresentação das peças em que se alojavam os equipamentos de luz dos postes instalados na avenida Paulista entre 1974 e 2011. O seu desenho, realizado pelo engenheiro José Barbosa de Albuquerque e sua equipe, é um marco da modernização da infraestrutura da cidade, e remete a uma flor, por isso seus elementos foram apelidados de pétalas. Adquiridas pelo artista em um leilão de sucatas da Prefeitura de São Paulo, poucos dias antes de serem derretidas, 16 luminárias (mesmo número de lâmpadas em cada poste) foram dispostas em fileiras na galeria do primeiro subsolo do museu durante Avenida Paulista, e, posteriormente, uma delas foi doada pelo artista ao acervo do MASP. Além das marcas do tempo impregnado por todos os lados, observa-se de frente ao centro da obra o recipiente em que se encaixavam as lâmpadas. Foram elas que possibilitaram por décadas que todos os acontecimentos que atravessaram a Paulista fossem vistos, percebidos e sentidos. Ao encarar essas luminárias, fui tomado por cenas e imagens na avenida misturadas a minha própria biografia: revi as manifestações e comemorações políticas que participei, o primeiro encontro na porta do cine Gemini com João, que se tornaria meu marido; também vi minha mãe e meu pai decidindo ali, depois de um dia de trabalho, que se mudariam de Santos para São Paulo, onde teriam seu primeiro filho. Esses objetos testemunharam tudo.

— Guilherme Giufrida, curador assistente, MASP, 2020




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