MASP

Agostinho Batista de Freitas

Circo Piolin no vão do MASP, 1972

  • Autor:
    Agostinho Batista de Freitas
  • Dados biográficos:
    Paulínea, São Paulo, Brasil, 1927-São Paulo, Brasil, 1997
  • Título:
    Circo Piolin no vão do MASP
  • Data da obra:
    1972
  • Técnica:
    Óleo sobre tela
  • Dimensões:
    50 x 70 cm
  • Aquisição:
    Doação Marta e Paulo Kuczynski, 2016
  • Designação:
    Pintura
  • Número de inventário:
    MASP.01644
  • Créditos da fotografia:
    MASP

TEXTOS



Agostinho Batista de Freitas trabalhou no campo até os 11 anos de idade, quando se mudou para São Paulo e conseguiu um emprego em uma fábrica de brinquedos. Segundo o próprio artista, foi mandado embora por desenhar durante o expediente. Pietro Maria Bardi (1900-1999), diretor fundador do MASP, o conheceu no início da década de 1950, no centro de São Paulo, onde pintava ao ar livre e comercializava suas pinturas. Em 1952, Batista de Freitas realizou uma individual no museu a convite de Bardi. Circo Piolin no vão do MASP se estrutura em dois grandes planos horizontais. No alto, o museu representa o conhecimento tradicional e a história da arte. Não se vê seu interior, e a fachada de lâminas de vidro verticais reflete a copa das árvores do parque Trianon. Na porção inferior do quadro, o vão livre é ocupado por um circo, manifestação da chamada cultura popular, tão cara a Lina Bo Bardi (1914-1992), arquiteta do MASP. As famílias atravessam a avenida Paulista em direção à entrada do Circo Piolin, observadas, à esquerda, pelo palhaço Piolin (1897-1973). Como é comum nas telas de Batista de Freitas, a grafia dos nomes não é correta, e a placa com o nome do circo registra “Piolim”, com “m”. A longa fila de pessoas na entrada do circo contrasta com a figura solitária de apenas um visitante que sobe as escadas de concreto do museu, possivelmente um comentário do artista em relação aos lugares do popular e do erudito.

— Fernando Oliva, curador, MASP, 2017


Fonte: Adriano Pedrosa (org.), MASP de bolso, São Paulo: MASP, 2020.




Por Equipe curatorial MASP
Em 1972, num gesto de reverência e de irreverência, Lina Bo Bardi, a arquiteta que concebeu o edifício do MASP, retirou o circo Piolin do largo do Paissandu, no centro da cidade, e o instalou temporariamente no Vão Livre do museu. A ideia de transformar aquele espaço numa referência coletiva e palco de manifestações populares já estava presente nos desenhos de Lina, e foi traduzida por Agostinho Batista de Freitas na pintura Circo Piolin no vão do MASP, também em 1972, quando o Brasil celebrava 150 de independência. Piolin Abelardo Pinto, que faleceu um ano após o evento, era um ator, acrobata e palhaço que teve grande influência nas ideias sobre o teatro nos anos 1920. Os modernistas, imbuídos de interesses nacionalistas e folclóricos, consideravam Piolin um exemplo do autêntico artista popular. O trabalhos Bo Bardi e Batista de Freitas mostram o Vão Livre com famílias se aproximando das duas atrações sem distinção—circo e museu. Esse foi um dos raros momentos de fusão entre modernidade, expresso no edifício inaugurado 4 anos antes no coração da maior cidade brasileira, e a singeleza de um atmosfera que a cidade pequena, do interior, tradicionalmente proporcionava. O circo, com sua cobertura de tecido, abrigado pelo museu, de concreto armado, era o cruzamento, o encontro ou a fricção entre o moderno e o popular, algo que sempre interessou a Lina e a Pietro Maria Bardi (1900-1999), seu marido e diretor-fundador do MASP. Dando um passo à frente nessa narrativa, a pintura de Batista de Freitas, um artista autodidata, parece abrigar ambos, circo e museu, submetendo-os a sua linguagem pictórica. Desde a 2016, após a segunda individual do artista no MASP, a tela encontrou seu destino, doada ao acervo, e hoje é exposta nos radicais cavaletes de vidro de Lina.

— Equipe curatorial MASP, 2020





Por Fernando Oliva
Autodidata, o pintor Agostinho Batista de Freitas (1927-1997) dedicou sua vida a representar São Paulo. Antes de começar a trabalhar no MASP, no começo de 2015, eu nunca tinha ouvido falar dele. E apesar de paulistano, da zona leste da cidade, não conhecia o tradicional bairro do Imirim, na zona norte, oportunidade que se ofereceu quando curei com Rodrigo Moura a mostra A gostinho Batista de Freitas, São Paulo, em 2016-17. Com uma seleção de 74 obras dentre as 300 que localizamos na pesquisa, a exposição se alinhava a um projeto mais amplo do MASP, que discutia as fronteiras entre arte popular e erudita, resgatando figuras como Agostinho, Maria Auxiliadora da Silva e outros que trabalhavam fora dos circuitos tradicionais do sistema da arte e se encontravam esquecidos. No Imirim, reconheci de imediato o típico casario de Agostinho, como em Periferia noturna, e me encontrei com seu filho, Walmir de Freitas, que me mostrou algumas obras do pai que ainda possuía, bem como a casa onde ele teve seu ateliê. O artista pintou muitos lugares emblemáticos da zona norte, caso do Cemitério Chora Menino e do Campo de Marte. No entanto foram as representações do centro que se tornaram sua marca, como a vista aérea encomendada por Pietro Maria Bardi, diretor-fundador do museu, que descobriu Agostinho ainda em 1952, vendendo suas obras próximo ao Viaduto do Chá, e o convidou para protagonizar uma individual no MASP naquele mesmo ano. Agostinho também pintou muitas vistas do MASP, e três delas estão no museu, que possui ao todo cinco obras.

— Fernando Oliva, curador, MASP., 2020




Pesquise
no Acervo

Filtre sua busca