MASP

Desconhecida (Artista norte-americana)

Colcha (quilt) “lâminas de cata-vento”, circa 1890

  • Autor:
    Desconhecida (Artista norte-americana)
  • Dados biográficos:
  • Título:
    Colcha (quilt) “lâminas de cata-vento”
  • Data da obra:
    circa 1890
  • Técnica:
    Seda e veludo
  • Dimensões:
    161 x 162 cm
  • Aquisição:
    Compra no contexto da exposição Histórias das mulheres, histórias feministas, 2019
  • Designação:
    Tecido
  • Número de inventário:
    MASP.10873
  • Créditos da fotografia:
    MASP

TEXTOS



Quilts são mantas acolchoadas feitas da junção de vários tecidos, técnica conhecida na Europa desde pelo menos 1600. Foi a partir do século 18 que esse tipo de produção ganhou força nos Estados Unidos, a ponto de hoje ser associada principalmente a esse país. Em 1776, as colônias americanas declararam sua independência, o que resultou na proibição do comércio com o Reino Unido e estimulou a produção local de tecidos. Logo na sequência, essa produção têxtil ganhou escala industrial, com as mulheres constituindo‑se como a principal força de trabalho. No Norte do país, as mulheres empregadas na indústria têxtil (brancas ou negras, normalmente jovens e solteiras) poderiam ter uma vida mais independente do ponto de vista econômico e acesso a uma variedade de bens de consumo para si e para suas famílias, incluindo tecidos para roupas, cortinas, toalhas e quilts. Em busca de uma posição social mais estável, muitas fizeram parte de organizações de caridade. Essas associações permitiam que ampliassem sua atuação na comunidade e asseguravam a formação de redes de solidariedade e pertencimento, para além do espaço doméstico que lhes era reservado até então. A venda das quilts em feiras beneficentes acabou, também, se revelando uma estratégia importante para angariar fundos para diversos projetos sociais e políticos, como a abolição da escravidão, o sufrágio feminino e a luta pelos direitos dos trabalhadores. Durante a Guerra Civil norte‑americana (1861‑1865), estima‑se que tenham existido entre 7 e 20 mil associações de mulheres, chamadas genericamente de “Ladies’ Aid Society” [Sociedade assistencial de mocas], que apoiaram ambos os lados do conflito. Dessa maneira, os quilts não apenas desmentem a função meramente “decorativa”, em geral atribuída a eles, como também apresentam um verdadeiro vocabulário geométrico, muito anterior ao dos artistas (homens) modernos que se consagrariam como pioneiros da arte abstrata.

— Mariana Leme, mestranda em teoria e história da arte, ECA-USP, e integrante da equipe de curadoria, MASP, 2019


Fonte: Adriano Pedrosa, Isabella Rjeille e Mariana Leme (orgs.), Histórias das mulheres, Histórias feministas, São Paulo: MASP, 2019.



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