MASP

Karel Appel

Composição – Garçom, 1955

  • Autor:
    Karel Appel
  • Dados biográficos:
    Amsterdã, Holanda, 1921-Zurique, Suíça ,2006
  • Título:
    Composição – Garçom
  • Data da obra:
    1955
  • Técnica:
    Óleo sobre tela
  • Dimensões:
    55,5 x 46,5 x 2 cm
  • Aquisição:
    Sem data
  • Designação:
    Pintura
  • Número de inventário:
    MASP.00436
  • Créditos da fotografia:
    João Musa

TEXTOS



Junto com Asger Jorn (1914-1973), Pierre Alechinsky, Constant (Constant Nieuwenhuys, 1920-2005), Christian Dotremont (1922-1979), entre outros, Karel Appel foi um dos artistas que integrou o grupo Cobra, acrônimo formado pelos nomes das cidades de onde vêm seus fundadores (Copenhague, Bruxelas e Amsterdã). Ativos entre 1948 e 1951, esses artistas e poetas pleiteavam estabelecer uma rede internacional que compartilhava o objetivo de realizar experimentos colaborativos e buscar alternativas aos cânones estilísticos da história da arte ocidental. Para tal, se inspiraram na arte rupestre, no frescor e na espontaneidade dos desenhos de crianças ou ainda de pacientes de hospitais psiquiátricos. Os trabalhos de Paul Klee (1879-1940), Joan Miró (1893-1983) ou ainda Jean Dubuffet (1901-1985), por trazer respostas a inquietações similares, também se tornaram importantes referências. Entre os artistas do grupo, o trabalho de Karel Appel se destaca pela expressividade de sua pincelada, como se a tinta tivesse sido aplicada com os dedos ou diretamente da bisnaga. Se é possível discernir figuras nas suas telas, como é o caso de Composição-garçom, se trata mais de silhuetas sem contornos nítidos que emergem como mancha de cor pura e vibrante. Segundo o texto do diretor fundador do MASP Pietro Maria Bardi (1900-1999) sobre a exposição monográfica do artista realizada no museu em 1981, o trabalho do artista se caracterizaria pela “impetuosidade imediata com que transfere a violência das cores no espaço, sem meditar e prever o resultado”.

— Equipe curatorial MASP, 2017


Fonte: MASP: Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo: Instituto Cultural J. Safra, 2017. (Coleção museus brasileiros)




Por Luciano Migliaccio
Na apresentação da exposição Appel realizada no Masp em maio de 1981, Pietro M. Bardi escreveu: “Comprei a pintura de Appel na Galeria Lefèvre em Londres, há uns vinte anos, quando sua fama não era a de hoje. Sendo holandês, coloquei o quadro ao lado de um dos nossos Van Gogh, constatando uma natural e viva afinidade. A ocasião também serviu para informar aos visitantes da existência do grupo Cobra, composto por Appel, Corneille, Jorn e Alechinsky. Difícil situar Appel numa tendência. Ele é personalidade simples, de excepcional carga dramática, distinto pela impetuosidade imediata com que transfere a violência das cores no espaço, sem meditar e prever o resultado, espontâneo no impulso, no visionar apocalíptico e passagens no infernal. Associa-se ao caráter de Van Gogh, Ensor, Munch, aos manipuladores de signos e formas das cavernas”. Ao lado dessa leitura, pode-se ressaltar o interesse de Appel pela improvisação, realizada na música jazz pelos mestres do be-bop e do cool dos anos 50 e 60 como Dizzy Gillespie, Charlie Mingus, Miles Davis, Sarah Vaughan e Count Basie.

— Luciano Migliaccio, 1998


Fonte: Luiz Marques (org.), Catálogo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo: MASP, 1998. (reedição, 2008).



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