MASP

Alfredo Volpi

Fachada com bandeiras, 1959

  • Autor:
    Alfredo Volpi
  • Dados biográficos:
    Lucca, Itália, 1896-São Paulo, Brasil ,1988
  • Título:
    Fachada com bandeiras
  • Data da obra:
    1959
  • Técnica:
    Têmpera sobre tela
  • Dimensões:
    115,5 x 72 x 1,5 cm
  • Aquisição:
    Doação Ernest Wolf, 1990
  • Designação:
    Pintura
  • Número de inventário:
    MASP.01237
  • Créditos da fotografia:
    João Musa

TEXTOS



Volpi é um artista autodidata. Imigrou para o Brasil em 1897 e concluiu sua formação operária na Escola Profissional Masculina do Brás, em São Paulo. Foi pintor de paredes e decorador, antes de se dedicar à atividade artística. Em 1935, juntou-se ao Grupo Santa Helena, ao lado de Mário Zanini (1907-1971) e Aldo Bonadei (1906-1974), entre outros. Volpi pintou retratos e paisagens até meados da década de 1940, quando adotou o tema da fachada na série de pinturas de Itanhaém, inspirado pela capacidade de síntese que via nos trabalhos do pintor Emygdio de Souza (1868-1949). Em 1950, viajou para a Europa, onde se interessou pelo efeito da têmpera, tinta à base de clara de ovo, nos afrescos de Giotto ( circa 1267-1337). A partir de então, começou a pintar com essa técnica e adotou uma linguagem geométrica. Em 1954, pintou as primeiras telas com o tema das bandeirinhas, referência às festas populares que dialoga formalmente com a linguagem abstrata dos artistas concretistas brasileiros do período.

— Equipe curatorial MASP, 2020




Por Equipe curatorial MASP
A pintura de Volpi (1896-1988) caracteriza-se por um singular repertório de experiências e influências que mescla tradições modernas e populares: o trabalho artesanal, o interesse pelas festas tradicionais brasileiras, os temas religiosos e o casario. Nascido na Itália há exatos 125 anos, o artista de origem trabalhadora migrou com a família para o bairro do Cambuci, em São Paulo. Trabalhou na construção civil, como encanador e marceneiro, e se especializou na pintura decorativa de paredes. Autodidata, começou a pintar em 1911, expondo pela primeira vez em 1925. Sua produção inicial é focada em paisagens urbanas e rurais, distantes do estilo que marcaria sua obra. Na década de 1950, Volpi passou a sintetizar suas composições, geometrizando sua figuração com padrões, formas e temas — como suas famosas bandeirinhas, mastros, faixas, fachadas e ogivas — que ele desenvolveu até o fim de sua carreira. Assim, sua obra ganha as características formais que o tornaram tão conhecido, com sua pintura de espaços planificados, com campos cromáticos bem delimitados, mas com contornos irregulares, marcados pelo uso sutil e sensível da cor, e pela textura da têmpera, técnica que utilizava nas telas. Em 2022, no ciclo dedicado às Histórias brasileiras, o MASP apresentará Volpi popular, a terceira mostra dedicada a artistas modernistas brasileiros que trabalham com referências populares — depois de Portinari popular, em 2016, e Tarsila popular, em 2019.

— Equipe curatorial MASP, 2021 VERIFICAR AUTORIA





Por Amanda Carneiro
Trabalhar num museu é estar perto de um acervo, o que permite olhar com atenção para as obras de arte. No MASP, a mostra da coleção no segundo andar, o Acervo em transformação, está sempre mudando, e um dia fui surpreendida por três pinturas que eu já conhecia, mas que nunca tinha visto lado a lado: uma de Rubem Valentim, outra de Alfredo Volpi e uma terceira de Abdias do Nascimento. Vistos juntos, os três falam sobre a ideia de modernismos plurais, algo que se tem discutido muito recentemente, e sobre quem eram e são os artistas que ocupam os principais espaços nos museus e na história da arte. Volpi foi um artista branco, nascido na Itália, um dos grandes nomes da arte brasileira e do colecionismo do século 20, e pela primeira vez, ali no MASP, ele está cercado por esses dois artistas brasileiros negros geniais, pouco vistos, o Valentim e o Nascimento, que não por acaso só entraram muito recentemente no acervo, no contexto de Histórias afro-atlânticas, um marco na história da exposição. É interessante ver como a linguagem construtiva pode ser reapropriada e ressignificada, seja para representar fachadas e bandeiras ou símbolos afro-brasileiros. O trabalho curatorial reside nisso também, em provocar nosso olhar através desses encontros e associações. Para mim, como curadora negra, ou para qualquer pessoa independente do pertencimento racial, essa pluralidade é fundamental.

— Amanda Carneiro, curadora assistente, MASP, 2020




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