MASP

No Martins

Principal peça do jogo, 2018

  • Autor:
    No Martins
  • Dados biográficos:
    São Paulo, Brasil, 1987
  • Título:
    Principal peça do jogo
  • Data da obra:
    2018
  • Técnica:
    Acrílica sobre tela
  • Dimensões:
    170,2 x 140,3 cm
  • Aquisição:
    Doação Otávio Cutait Abdalla e Gustavo Cutait Abdalla, 2021
  • Designação:
    Pintura
  • Número de inventário:
    MASP.11152
  • Créditos da fotografia:
    Eduardo Ortega

TEXTOS



Na pintura Principal peça do jogo (2018), No Martins apresenta o retrato de uma mulher negra, de olhos radiantes, vestindo uma longa camisa amarela, que, juntamente com um chapéu em formato de "rainha" (referência a peça do jogo de xadrez), destaca sua grandeza. Ao redor de sua cabeça, uma brilhante auréola ilumina a pintura e também sua face, cuja silhueta mescla-se com a de uma lua cheia. Seu longo cabelo cai trançado sobre seus ombros. Em um ângulo de baixo pra cima, ela é apresentada como a matriarca, aquela que se torna referência, que lidera, que gerencia e que ensina os princípios de uma sociedade, um núcleo familiar ou uma comunidade. A mulher negra é invocada por No Martins como centro e princípio da formação social. Trata-se de uma crítica à sociedade na qual vivemos, que está acostumada a reservar a essas mulheres os piores lugares. O artista propõe a virada desse jogo. A rainha, uma das peças de maior valor no xadrez, é decisiva e poderosa, ela pode encerrar uma partida e definir o seu final. A face segura dessa matriarca parece não temer o futuro e estar disposta a seguir tal caminho. O amarelo de sua camisa pode ser uma menção a Oxum, a divindade iorubá dos rios, das riquezas e da beleza feminina. Oxum é uma referência marcante também para as sociedades afro-diaspóricas, sua imagem é símbolo de força, sabedoria e de feminilidade da mulher negra. Sozinha, ela administra as águas doces e a vida de seus milhares de seres aquáticos. Oxum é uma matriarca, aquela que pode parar ou mover as águas, e assim são as mulheres negras nessa sociedade.

— Luciara Ribeiro, mestre em História da Arte, Unifesp, e Universidade de Salamanca, Espanha, 2021




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