MASP

Lúcia Villar Guanaes

Sem título, da série Limiares, 2018

  • Autor:
    Lúcia Villar Guanaes
  • Dados biográficos:
    São Paulo, Brasil, 1955
  • Título:
    Sem título, da série Limiares
  • Data da obra:
    2018
  • Técnica:
    Fotografia digital, impressão digital sobre papel de algodão
  • Dimensões:
    60 x 90 cm
  • Aquisição:
    Doação da artista, no contexto da publicação O MASP de Lina, 2019
  • Designação:
    Fotografia
  • Número de inventário:
    MASP.10969
  • Créditos da fotografia:
    Lúcia Guanaes

TEXTOS


Por Mateus Nunes
Quando da comemoração de 50 anos do MASP, em 2018, Lucia Guanaes foi uma das três fotógrafas convidadas para produzir ensaios sobre o museu a serem publicados no livro O MASP de Lina. Em sua série Limiares, a artista retrata um cotidiano identificável, em que qualquer pessoa ali retratada pode ser um de nós em nossas múltiplas relações com o museu. A obra permite refletir sobre a dualidade antropológica da cultura que se projeta sobre a natureza — nesse caso, da pinacoteca do MASP nas copas das árvores do parque Trianon, do outro lado da avenida Paulista. Na foto, o edifício-cavalete, suspenso no ar assim como as obras de arte expostas nos cavaletes de concreto e cristal de Lina Bo Bardi (1914-1992), tem sua imagem virtual elevada, lembrando as tradicionais representações do Juízo Final na história da pintura: do mundo profano, embaixo, e a gradação para o paraíso, no topo, como em O juízo final e a missa de São Gregório. A foto apresenta um ambiente de meta-exposição: os espectadores do museu vêem cópias de si observando obras no mesmo museu. Guanaes realiza esse jogo entre tempo e espaço real já em outras obras, por vezes incorporando o público espectador em suas fotos, quase como uma obra conjunta, participativa e aberta. O público, então, vê a si mesmo: não se escapa do museu e os limiares são dissolvidos. Guanaes nos faz refletir sobre o reflexo, sobre a imagem da imagem, e perceber que toda obra é espelho, de quem a produz e de quem a lê. As imagens-fantasmas, que levitam no ar e movimentam-se como em Pinacoteca MASP, de Michael Wesely, já não são somente as obras, mas são também quem as interpreta.

— Mateus Nunes, doutorando em História da Arte, Universidade de Lisboa, 2021




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