MASP

Miguel Rio Branco

Sem título, da série Maciel, 1979, ampliação de 2017

  • Autor:
    Miguel Rio Branco
  • Dados biográficos:
    Las Palmas, Espanha, 1946
  • Título:
    Sem título, da série Maciel
  • Data da obra:
    1979, ampliação de 2017
  • Técnica:
    Fotografia analógica colorida, impressão c-print sobre papel fotográfico
  • Dimensões:
    61 x 90 cm
  • Aquisição:
    Doação do artista, 2017
  • Designação:
    Fotografia
  • Número de inventário:
    MASP.10584
  • Créditos da fotografia:
    Miguel Rio Branco

TEXTOS



Em 1979, Miguel Rio Branco fez uma série de fotos no bairro do Maciel, no Pelourinho, Salvador, que frequentou por um longo tempo. Ali, durante o período da escravidão, ocorria a punição de homens e mulheres escravizados. A região ficou abandonada por décadas pelo poder público, conhecida como zona de prostituição e criminalidade, local de moradia de populações marginalizadas, além de marcada por um histórico de opressão e resistência. Na segunda metade do século 20, esse ambiente complexo e contraditório, tanto familiar quanto violento, era permeado por uma intensa sexualidade, capturada por Rio Branco de muitas maneiras: na cena de uma mordida roubada numa banca de cigarros, na gestualidade dos corpos ou numa cama vazia com lençóis emaranhados, que registra o peso e movimento dos corpos que por ali passaram. Outras imagens, porém, mostram o lado mais duro e perverso da realidade do Maciel, com os interiores precários e sufocantes dos prostíbulos: mulheres surgem numa cena de aparente repouso ou descontração, mas sobretudo de intervalo de trabalho, ora envolvidas por uma luz intensa e avermelhada, ora por uma iluminação fria e contrastante de tons azulados. As paredes dos quartos estão cobertas por páginas de revistas, recortes de jornais, objetos pessoais e de devoção: um retrato da cantora Maria Bethânia, outro do ator Francisco Cuoco, uma representação de Jesus Cristo, e imagens de revistas eróticas, o que cria uma potente mescla entre o sagrado e o profano, o pessoal e o profissional, permeada pela estética popular da cultura de massas. Em 2017 o MASP realizou a mostra Miguel Rio Branco: Nada levarei qundo morrer, cujo subtítulo toma emprestado uma sentença que o artista encontrou numa parede no bairro na ocasião: "Nada levarei qundo morrer aqueles que mim deve cobrarei no inferno".

— Tomás Toledo, curador chefe, MASP, 2021




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