MASP

Desconhecido (Escola do Collao)

Virgem de Copacabana, 1730-50

  • Autor:
    Desconhecido (Escola do Collao)
  • Dados biográficos:
  • Título:
    Virgem de Copacabana
  • Data da obra:
    1730-50
  • Técnica:
    Óleo sobre tela
  • Dimensões:
    63 x 46 x 2,2 cm
  • Aquisição:
    Doação Lais Helena Zogbi Porto e Telmo Giolito Porto, 2008
  • Designação:
    Pintura
  • Número de inventário:
    MASP.01511
  • Créditos da fotografia:
    João Musa

TEXTOS



Produzida no Alto Peru, atual Bolívia, no século 18, Virgem de Copacabana é uma pintura que combina a fé cristã com crenças tradicionais andinas. “Copacabana” possivelmente deriva de kupa kawana, na língua indígena quéchua, e significa “lugar luminoso”. Designava um antigo local de adoração indígena, apropriado pelos colonizadores europeus e transformado em santuário católico no século 16. Localizado às margens do lago Titicaca e próximo à importante rota comercial da prata, o santuário abrigava uma imagem da Virgem da Candelária de Copacabana, talhada por Francisco Tito Yupanqui (1550-1616) em 1583, e atraía muitos devotos. A imagem tornou-se muito conhecida e reproduzida — tanto em novas esculturas e pinturas para o santuário como em diversos objetos de recordação para os peregrinos, como gravuras, pinturas e relicários. Tal como a obra do MASP, muitas pinturas representam a Virgem no centro de um retábulo talhado em madeira com ornamentos em prata lavrada que contrastam com o dourado dos relevos. A tela evoca os elementos arquitetônicos do altar, assim como as pinturas da Virgem presentes no santuário. Com o passar do tempo, a Virgem talhada por Yupanqui foi transformada em uma imagem de vestir, como vemos no manto que a recobre — muito adornado com pérolas e douramento nas bordas. A quase ausência de perspectiva e a minúcia dos tecidos e adornos que vemos aqui são características muito presentes na pintura andina, associada à escola cusquenha. Ao pé do altar estão representados são Sebastião, à esquerda, e são João de Deus à direita.

— Equipe curatorial MASP, 2020




Por Renato Menezes
O mosaico de pedras portuguesas formando ondas alvinegras incorporado por Burle Marx (1909-1994) no projeto de modernização da orla da Praia de Copacabana no Rio de Janeiro cristalizou, aos olhos estrangeiros, certa imagem de Brasil que, de alguma forma, permanece viva até hoje. Todavia, a fama dessa obra pública de 4,15 km de extensão eclipsou um elo forte que une o Brasil às culturas andinas, associado à rede do comércio de metais preciosos que estruturou parte do sistema colonial na América do Sul. O nome Copacabana, que rebatizou a praia de Sacopenapã, tem origem na devoção que os comerciantes de prata provenientes do Vice-Reino do Peru tinham pela imagem de Nossa Senhora de Copacabana, manifestação cristianizada de uma divindade cultuada pela população indígena da região às margens do lago Titicaca, entre o Peru e a Bolívia. No século 18, no lugar onde hoje se encontra o Forte de Copacabana, uma capela dedicada à Virgem foi construída por esses comerciantes, que lá depositaram uma réplica de sua imagem, provavelmente nos moldes da que foi entalhada em 1583 pelo escultor inca Tito Yupanki. Data também do século 18 uma pintura representando Nossa Senhora de Copacabana, do acervo MASP e atribuída à chamada Escola do Collao, caracterizada por introduzir elementos das culturas indígenas e absorver traços da pintura flamenga nos tratamentos de temáticas do cristianismo. Nesta obra vemos a Virgem com o menino Jesus, São Sebastião e Santo Antônio, ladeada por dois anjos que parecem abrir as portas de uma capela de gosto neoclássico que organiza o espaço cênico da imagem. Por toda sua história, esta pintura adverte que resgatar e compreender as origens latinas do Brasil é uma tarefa fundamental e urgente.

— Renato Menezes é doutorando em História e Teoria da Arte pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, 2021




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