MASP

HISTÓRIAS DA DANÇA

26.6 - 4.10.2020
1º subsolo
26.6 - 5.11.2020 
2º subsolo


De procissões representadas em materiais arqueológicos pré-colombianos, passando pelo ritmo de telas abstratas do começo do século 20, até protestos coreografados contemporâneos, Histórias da dança celebra o potencial da dança de expressar a alegria e o desejo físico — e também a ira coletiva — diante da opressão e da crise. Ao evidenciar a maneira como os corpos se movem juntos dentro de contextos políticos, históricos e econômicos específicos, a exposição representa a dança como forma de resistência exuberante.

Abordando a dança em sua acepção mais ampla de movimento socialmente construído e codificado, Histórias da dança inclui gestos não necessariamente associados à dança: expressões transgressoras de sujeitos marginalizados, locomoção coordenada e disciplinada, gestos insurgentes e a ocupação subversiva do espaço público. Construído a partir do ponto de vista das artes visuais, a exposição contempla também vídeos de protesto ou danças de rua que viralizaram nas redes sociais ou plataformas como o Youtube. Além disso, o projeto também realça a importância da arte cinética latino-americana e da arte neoconcreta brasileira no centro desses debates, investigando diferentes casos em que esculturas e pinturas “dançam“.

Mais do que propor uma narrativa cronológica sobre a história da dança, ou ainda um percurso exaustivo sobre as relações entre dança e artes visuais, a
exposição Histórias da dança propõe uma reflexão sobre políticas do corpo em movimento. Essa perspectiva expandida permite questionar o que é dança e coreografia, que corpos dançam, o que os movem, e como eles se movem. Exposições anteriores investigaram momentos históricos em que dançarinos e artistas colaboraram intimamente, como foi o caso dos Ballets Russes ou da Judson Dance Theater. Esta exposição tem um partido mais metafórico, estruturando-se em torno de termos chave no pensamento de dança — improvisação, tensão, composição, gravidade, entre outros —, usando-a como ponto de partida para abordar movimentos de diferentes tipos. 

Embora as representações históricas de dança puderam muitas vezes apresentar imagens exotizadas de Outros, esta mostra enfatiza a autoinvenção e a reivindicação assertiva de territórios por parte de corpos negros e indígenas que se movimentam conjuntamente no espaço. Além disso, Histórias da dança ressalta a contribuição das mulheres, com especial atenção para perspectivas feministas e queer – desde o luto das mulheres chilenas pelos desaparecidos no regime Pinochet na dança-protesto cueca sola, passando pelo trabalho pioneiro de dançarinas como a brasileira Analívia Cordeiro ou ainda a afro-americana Josephine Baker (1906-1975).

De fundamental importância para a mostra, está um espaço aberto, uma arena, comissionado para a artista Carla Chaim, onde acontecerá um intenso programa de performances, apresentações, ensaios e oficinas no segundo subsolo do MASP. A presença de corpos em movimento no cerne da exposição nos permite questionar criticamente as possibilidades, os diálogos e as fissuras que podem surgir quando a dança adentra o museu.

CURADORIA Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Julia Bryan-Wilson, curadora-adjunta de arte moderna e contemporânea, MASP; Olivia Ardui, curadora-assistente, MASP.