MASP

Feminismos e mulheres artistas no Brasil dos anos 1960 e 70

Horário
15h-17h
Duração do Módulo
23.7, 24.7, 25.7 e 26.7.2019
(4 aulas)
Investimento

5 x R$ 76,00*

Amigo MASP

5 x R$ 64,60*

*valores parcelados no cartão de crédito

Coordenação

Talita Trizoli

O curso irá analisar os encontros entre as teorias feministas e a produção de mulheres artistas no Brasil nos anos 1960 e 70. Serão discutidos aspectos como a recepção local ao movimento feminista, as relações com o campo artístico e a produção de artistas mulheres como Anna Maria Maiolino, Lygia Clark e Iole de Freitas, entre as mais conhecidas, e Judith Lauand, Maria do Carmo Secco, Jeannette Priolli e Maria Lídia Magliani, ainda na obscuridade à época. O curso se organiza a partir de eixos temáticos clássicos do movimento feminista, como a questão da “natureza” da mulher, seus lugares sociais e possibilidades de desejo, abordando uma produção ainda desconhecida devido aos preconceitos de gênero.

Planos de aulas

Aula 1. 23.07.2019
Arte e feminismo no Brasil dos anos 60/70: características de um contexto.

Discutiremos alguns aspectos dos feminismos brasileiros nos idos dos anos 60 e 70, suas respectivas relações com uma vertente estrangeira da época, e a dificuldade de circulação de tais temas no contexto da ditadura civil-militar, para compreendermos a dificuldade de vínculo das artistas brasileiras do período com o assunto, apesar do uso “indireto” desses tópicos em suas produções. Comentaremos também as relações dúbias da crítica de arte brasileira com questões da arte e do feminismo de segunda onda.

Aula 2.  24.07.2019
Olhando para si. As mulheres e o exercício da subjetividade

Um dos principais temas de enfrentamento dos feminismos, em suas diversas linhas, é a naturez areal ou contextual das mulheres. A partir dos trabalhos de artistas como Regina Vater, Sonia Andrade, Gretta Sarfaty, Iole de Freitas e Anna Maria Maiolino, Leticia Parente, Amelia Toledo, Nelly Gutmacher, ente outras, poderemos verificar a presença de questões sobre o eu-mulher trabalhadas por autoras como Simone de Beauvoir e, mais recentemente, Judith Butler. 

Aula 3.  25.07.2019
Há uma erótica feminina na produção artística brasileira?

Por muito tempo, acreditou-se que a produção e o consumo de imagens e material erótico fosse uma exclusividade masculina, restando às mulheres a passividade como objeto de desejo. O que falta a essa percepção é, justamente, uma pergunta mais certeira: qual tipo de desejo é permitido às mulheres? Passando então pela histórica polêmica do feminismo em relação à pornografia e às práticas de liberdade sexual, discutiremos quais imagens de conteúdo erótico estão presentes nos trabalhos de Maria Lidia Magliani, Gretta Sarfaty, Jeannette Priolli, Sonia von Brusky, Vilma Pasqualini, Tereza Nazar, Pietrina Checcacci, Mona Gorovitz, para citar apenas algumas.

Aula 4.  26.07.2019
Entre o público e privado, ou como pensar um desejo construtivo de mulheres

Nesse último encontro, discutiremos as limitações e as estratégias das mulheres para se relacionar com os espaços públicos e privados, tendo como referência a figura da flâneuse, a fictícia versão feminina do flanêur de Baudelaire, discutida por Elizabeth Wilson, Nadja Monnet e Aruna D´Souza, assim como os desejos femininos historicamente reprimidos de construir outros lugares de acolhimento. Os trabalhos de Maria do Carmo Secco, Vilma Pasqualini, Wanda Pimentel, Leticia Parente, Cybéle Varela, Anna Bella Geiger, Lygia Clark, Lygia Pape e Theresa Simões servirão como índices dessas questões na época.

Coordenação

Talita Trizoli é pós-doutoranda do Instituto de Estudos Brasileiros, da Universidade de São Paulo, onde investiga crítica de arte de mulheres no Brasil. Doutora em Educação e Mestra em Estética e História da Arte, com pesquisa na área de arte e feminismo no Brasil, com ênfase nas décadas de 60/70. Possui publicações em revistas nacionais e internacionais, e atividades de crítica de arte, investigação, curadoria e ensino. Foi co-curadora da exposição Iminência de Tragédia, contemplada pelo projeto FUNARTE Conexão e Circulação 2016, e é coordenadora do grupo de estudos Vozes Agudas, do Ateliê 397.

Conferencistas