MASP

Presença feminista: um panorama das mulheres artistas no Brasil dos anos 1960/70

Horário
19h-22h
Duração do Módulo
14, 21, 28 e 29.3.19 (4 aulas)
Investimento

5x R$ 104,00*

Amigo MASP: 5x R$ 93,60*

* O parcelamento em 5x só pode ser feito no cartão de crédito.

Coordenação
Talita Trizoli

O curso propõe a discussão sobre certas peculiaridades existentes na intersecção entre o campo da arte e o movimento feminista no cenário das artes visuais no Brasil dos anos 1960 e 70. 
Serão analisados aspectos como: a recepção local ao movimento feminista de segunda onda na vertente estadunidense; as relações com o campo artístico e a presença, muitas vezes obscurecida nos dias correntes, de artistas mulheres atuantes na época. Como conceito-chave, a ideia do feminismo como um atravessamento de forças em meio a outras pautas políticas e artísticas do período. 
O curso se organiza a partir de eixos temáticos clássicos do movimento feminista, como a questão da “natureza” da mulher, seus lugares sociais e possibilidades de desejo, salientando uma produção ainda pouco conhecida por restrições de gênero.

Planos de aulas

Aula 1 – 14.3.19
Arte e feminismo no Brasil dos anos 1960 e 70: problemas de recepção e características do contexto

Nesse primeiro encontro, serão discutidas algumas características do feminismo brasileiro nos anos 1960 e 70, em autoras como Muraro, Heloneida Studart e Carmen da Silva, e suas respectivas relações com a literatura feminista estrangeira da época. Também será abordada a dificuldade de circulação de tais temas no contexto da ditadura civil-militar, para que se possa compreender a dificuldade de vínculo das artistas brasileiras do período com a temática feminista, apesar do uso “indireto” desses tópicos em suas produções. 

Aula 2 – 21.3.19
Fazendo a si mesma – processos de subjetivação na produção de mulheres artistas brasileiras

Um dos principais temas de enfrentamento dos feminismos, em suas diversas vertentes, é a questão sobre a natureza, real ou contextual, das mulheres. A partir de autoras como Simone de Beauvoir, e mais recentemente Judith Butler, serão verificados os movimentos de investigação sobre o eu-mulher, manifestado em trabalhos de artistas como Regina Vater, Sonia Andrade, Gretta Sarfaty, Iole de Freitas e Anna Maria Maiolino, Leticia Parente, Amelia Toledo e Nelly Gutmacher, entre outras.

Aula 3 – 28.3.19
Desejos de si? – há uma erótica feminina na produção artística brasileira?

Por muito tempo, acreditou-se que a produção e o consumo de imagens e material erótico fosse restrito aos homens, restando às mulheres a passividade como objeto de desejo. A aula passa pela histórica polêmica do feminismo ligado à pornografia e às práticas de liberdade sexual, e verifica as imagens de conteúdo erótico presentes nos trabalhos de Maria Lida Magliani, Gretta Sarfaty, Jeannette  Priolli,  Sonia von Bruschy, Vilma Pasqualini, Tereza Nazar, Pietrina Checcacci e Mona Gorovitz.

Aula 4 – 29.3.19
(Des)dobrando os espaços – relações paradoxais entre público e privado, ou como especificar um desejo construtivo de mulheres

Nesse último encontro, a discussão será sobre as limitações e as estratégias das mulheres para se relacionar com os espaços públicos e privados, tendo como referência a figura da flâneuse, a fictícia versão feminina do flâneur de Baudelaire, discutida por Elizabeth Wilson, Nadja Monnet e Aruna D’Souza. Os trabalhos de Maria do Carmo Secco, Vilma Pasqualini, Wanda Pimentel, Leticia Parente, Cybéle Varela, Anna Bella Geiger, Lygia Clark, Lygia Pape e Theresa Simões servirão como índices dessas questões na época.

Coordenação

Talita Trizoli é doutora em Educação e mestre em Estética e História da Arte. Tem pesquisa na área de Arte e Feminismo no Brasil, com ênfase nas décadas de 1960 e 70. Possui publicações em revistas nacionais e internacionais, e atividades de crítica de arte, pesquisa, curadoria e ensino. Foi cocuradora da exposição Iminência de tragédia, contemplada pelo projeto Funarte Conexão e Circulação 2016.
 

Conferencistas