MASP

Arte afro-brasileira e afro-americana: criação e resistência

14.4.2018 10h às 18h Sáb
O ano das Histórias afro atlânticas no MASP concentra exposições monográficas de artistas cuja obra é atravessada pelos debates raciais. Individualmente, a obra de cada artista desse panorama constitui discursos, ora de reprodução, ora de resistência frente às violências que estruturaram as sociedades ocidentais ao longo da modernidade. Em seu conjunto, elas ajudam a construir um amplo panorama de abordagens, em diferentes períodos históricos, territórios e linguagens artísticas, sobre os fluxos e refluxos das diásporas entre as costas da África, Brasil, Caribe e sul dos Estados Unidos. 

O segundo MASP Professores: encontros sobre arte, educação e esfera pública do ano reúne apresentações sobre a obra de Aleijadinho, atualmente em exposição no MASP, e de Melvin Edwards, artista americano com exposição prevista para agosto de 2018. Além disso, será debatida a interlocução entre arte e religião no chamado “período de reafricanização da Bahia”, em 1950. O encontro pretende apresentar diferentes referências artísticas e dimensionar o caráter de criação e resistência por trás de cada conjunto artístico contemplado.
 

Programa

14 de abril (sábado), das 10h às 18h: 

10h às 12h30: 

Arte em trânsito: revendo os sentidos da produção artística no Brasil entre os séculos XVIII e XIX. 

Nesta breve apresentação, buscaremos apresentar e discutir elementos relativos à reconstrução crítica de algumas das individualidades artísticas de fins do século XVIII, incluindo o Aleijadinho, Mestre Valentim e Manoel Dias de Oliveira, bem como dos sentidos que sua obra assumiu entre os séculos XIX e XX. Buscaremos abrir a discussão acerca do lugar do artífice e do artista entre os séculos XVIII e XIX e sua fortuna crítica. Procuraremos demostrar como o sistema de aprendizado e arrematação de obras estabelecido no século XVIII perdura século XIX adentro e como esta esfera pode ter constituído um lugar para o desenvolvimento das potencialidades das populações negras.

Com André Luiz Tavares (Professor do Depto. de História da Arte da EFLCH/UNIFESP.)

A matriz negro africana fon-iorubá
A apresentação dedica-se à análise da formação do corpo de Obás de Xangô do Ilê Axé Opô Afonjá, uma casa de candomblé Queto situada na cidade de Salvador (Bahia) e o diálogo que se pode instaurar sobre a dimensão e alcance da produção do artista plástico Carybé. Os fundamentos religiosos de matriz negro africana iorubá inseridos no campo conceitual oferecem uma perspectiva antropológica de interpretação do processo de formação das religiões afro-brasileiras. Este fator sublinha a interlocução entre arte e religião em termos de produção simbólica e construção identitária. 

Com Marcelo Mendez Souza (doutor em comunicação e cultura na América Latina)
Mediação: Pedro Neto (cientista social e consultor PNUD-ONU)

14h às 15h45: 

Arte para tempos de insurreição

A obra de Melvin Edwards está enraizada em um momento sensível da história dos Estados Unidos, quando o movimento por direitos civis demandava igualdade para afro-americanos. Neste encontro vamos investigar as motivações do escultor, e explorar obras de artistas afro-americanos que revelam questões político-culturais persistentes, perceptíveis nas décadas que se seguiram, e que ainda nos alcançam.

Com Renata Bittencourt (Diretora do Instituto Brasileiro de Museus, educadora, gestora cultural e historiadora da arte)
Mediação: Juliana dos Santos (artista visual e arte educadora)

15h45 – 16h30: Café
16h30 – 18h: Livre visitação das exposições

Vídeos

Participantes

André Luiz Tavares Pereira, Professor do Depto. de História da Arte da EFLCH/UNIFESP. Mestre em História da Arte pela UNICAMP (2001), Doutor em História pela UNICAMP (2006) e em Artes pela mesma universidade (2009, Poéticas Visuais - Desenho). Visiting Scholar no Yale Center for British Art (2016), do Getty Research Institute (2011) e membro da Attingham Trust for the study of historic houses and collections (Reino Undo, 2017). Dedica-se ao estudo da produção artística e à  circulação de modelos artísticos, obras de arte e da formação de coleções entre os séculos XVIII e XIX. É coordenador do TACWARA - grupo de estudo das relações artísticas entre Reino Unido e o mundo Ibérico/americano. 

Juliana dos Santos é arte educadora e mestre em Arte educação e mediação cultural pelo Instituto de Artes da Unesp. Há anos, desenvolve cursos de formação de professores e educadores sobre Arte e cultura afro-brasileira. Integrou a equipe de educadores do Museu Afro Brasil por dois anos. Atualmente, dedica-se a realizar exposições e participar de residências artísticas internacionais e ministra cursos e oficinas.

Marcelo Mendez Chaves é doutor em Ciências da Integração Latino-americana, na área de comunicação e Cultura pelo PROLAM USP (2017). É mestre em Estética e História da Arte Afro-Brasileira pelo PGHA USP (2012). Arquiteto e urbanista formado pelo Centro Universitário Belas Artes. Atua como professor na FAAT Faculdades.
 
Pedro Neto é pesquisador sobre as culturas afro-brasileiras, iniciado no Ilé Àse Pàlepà Màrìwò Sessu – SP, Consultor desde 2015 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD/ONU acerca dos Povos Tradicionais de Matriz Africana e da relação dessa população com o Estado brasileiro na perspectiva do acesso às políticas públicas e ao combate ao racismo, Cientista Social, desde 2000 é membro do Núcleo de Relações Raciais, Memória, Identidade e Imaginário do PEPG-PUC-SP, produtor cultural, documentarista e artista plástico. Foi membro do Colegiado Setorial de Culturas Afro-Brasileiras do Conselho Nacional de Política Cultural do Ministério da Cultura onde sistematizou o I Plano Nacional para Cultura Afro-Brasileira, diretor do Fórum para as Culturas Populares e Tradicionais e membro fundador da Rede Kultafro de empreendedores, artistas e produtores de cultura negra.
 
Renata Bittencourt é uma gestora cultural atuante nos âmbitos público e privado. Em sua experiência destacam-se sua posição atual como Diretora de Processos Museais no Instituto Brasileiro de Museus [Ibram], um curto período como Secretária da Cidadania e da Diversidade do Ministério da Cultura, quatro anos à frente do departamento de formação da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, e dez anos na gerência dos projetos nacionais de educação do Itaú Cultural. É historiadora da arte tendo desenvolvido suas pesquisas de mestrado e doutorado sobre a representação do negro na pintura brasileira na Unicamp. Foi contemplada pela Associação Paulista dos Críticos de Arte – APCA, e como Fulbright Fellow no Smithsonian Institution.