MASP

Identidades, educação e descolonização

4.6.2022
SÁBADO
10H – 17H

Este é o quarto e último encontro do MASP Professores dedicado ao ciclo curatorial Histórias brasileiras. Em diálogo com as abordagens apresentadas nos encontros anteriores, em que discutiu-se sobre como confrontar nossos passados difíceis, sobre as resistências e resistentes e sobre as mulheres brasileiras em movimento, este encontro será dedicado a uma reflexão que tem como referência três palavras: identidades, educação e descolonização. A primeira remete às diferentes coletividades e individualidades que somos; a segunda diz respeito ao lugar de atuação para promover a visibilidade de sujeitos e narrativas minorizados; a terceira, por fim, expressa um objetivo, o de superar as matrizes de naturalização das hierarquizações. A partir desse diálogo, espera-se criar condições para que narrativas plurais sobre as histórias do Brasil ganhem cada vez mais espaços.

Cronograma do encontro
10H–13H: mesa redonda
13H–15H: intervalo
15H–17H: conferência

Público
Profissionais da área da educação, especialmente docentes e estudantes de licenciaturas, e pessoas interessadas em geral.

Atividade gratuita, online, transmitida ao vivo pelo YouTube do MASP. Debate com as convidadas (11h30-13h e 16h-17h) e emissão de certificado de participação reservados às pessoas inscritas.

Quaisquer dúvidas e solicitações podem ser encaminhadas para professores@masp.org.br.

Convidados
Mesa redonda: Winnie Bueno, Cadú Fernandes e Helena Vieira.
Conferência: Maria Helena, Embaixadora do Samba Paulistano.

> Inscrições encerradas <

PROGRAMA

10H–13H
WINNIE BUENO
Imagens de controle e autodefinição

Abordagem de conceitos de imagens de controle e autodefinição no pensamento de Patricia Hill Collins, visando compreender como o racismo e o sexismo afetam os processos educacionais para a população negra.

CADU FERNANDES
O encontro dos mundos - O Espaço de Bitita

A escola pública se constitui como um lugar de encontros de todos os corpos, visões de mundo e disputas. Seria esse o lugar democrático da educação, no encontro com o outro, pautados pelo campo do direito. A partir dessas premissas, constituímos a educação com a comunidade migrante, comunidades remanescentes da Favela do Canindé (em que viveu Carolina Maria de Jesus), crianças, adolescentes e adultos em situação de rua, acolhidos em casas transitórias, mulheres trans e uma comunidade que vive diariamente políticas de gentrificação. Com isso, a EMEF Espaço de Bitita, ainda denominada EMEF Infante Dom Henrique, lança-se aos diálogos com o território educativo com vistas à formação de todas e todos em uma comunidade de aprendizagem.
 

HELENA VIEIRA
Descolonização, memória e arte

Helena Vieira abordará os temas da descolonização, da memória e da arte, apresentando elementos para qualificar estes conceitos e termos e assim apresentar caminhos profícuos para a prática docente cotidiana.
 

13H–15H
Intervalo

15H–17H
Conferência
MARIA HELENA, EMBAIXADORA DO SAMBA PAULISTANO
A herança cultural é a nossa maior riqueza!

É necessário um diálogo sobre identidade, educação e descolonização para elevar a autoestima dos educandos. É necessário falar da importância de respeitar a vivência cultural dos educandos, o que chamamos de currículo oculto. Para tanto, é importante lembrar que nossos antepassados trouxeram em sua consciência a experiência, a arte e a cultura para compartilhar com seus sucessores, pois a oralidade é uma marca forte da etnia negra. Isso significa dizer que nos terreiros de samba, de capoeira e na religiosidade cria-se identidade.

Participantes

CADU FERNANDES
Doutorando pelo Instituto de Artes da Unesp, Pedagogo e arte/educador pela mesma instituição. Pesquisador há 17 anos das políticas de formação continuada dedicadas às professoras e professores das redes públicas e assessor educacional. Trabalhou também na construção dos direitos de aprendizagem do currículo das escolas municipais da cidade de São Paulo. Atualmente é Coordenador Pedagógico da EMEF Infante Dom Henrique, futura EMEF Espaço de Bitita, no bairro do Canindé, em São Paulo.

HELENA VIEIRA
Pesquisadora, transfeminista e escritora. Estudou Gestão de Políticas Públicas na USP. Contribuiu com a Revista Fórum, o Huffpost Brasil, a Revista Galileu, os Cadernos Globo, a Revista Cult e o blog Agora É que São Elas, da Folha de S. Paulo. É co-autora dos livros História do Movimento LGBT; Explosão Feminista, Tem Saída? Ensaios Críticos sobre o Brasil e Ninguém Solta a Mão de Ninguém: um manifesto de resistência. Dramaturga, fez parte do projeto premiado pela Focus Foundation, em Londres, com a peça Ofélia, the fat transexual. Desenvolveu junto ao Laboratório de Criação do Porto Iracema das Artes, pesquisa dramatúrgica intitulada Onde estavam as travestis durante a Ditadura?.

MARIA HELENA BRITTO
Pedagoga, Embaixadora do Samba de São Paulo, Cidadã do Samba (2004), Presidente da Embaixada do Samba, fundadora e primeira-dama da Velha Guarda da Escola de Samba Rosas de Ouro. Ativista negra.

WINNIE BUENO
Iyalorixá, Doutoranda em Sociologia pela UFRGS, Mestra em Direito pela Unisinos, escritora, idealizadora do projeto Winnieteca, plataforma de distribuição de livros para pessoas negras desenvolvida em parceria com Twitter Brasil e Geledés, e ativista do movimento social negro. É autora do livro Imagens de Controle (Zouk, 2020) e atua como consultora nas áreas de combate ao racismo, diversidade de gênero e justiça social. Colunista do site Itaú Cultural e da Revista Gama.