MASP

Histórias indígenas

23.7 [ter]
10h-16h
24.7 [qua]
10h30-17h30

Este é o segundo de uma série de seminários que antecipam a exposição Histórias indígenas, a ser realizada em 2021, ano em que um eixo curatorial de mesmo nome pautará um programa completo de exposições individuais e coletivas, palestras, oficinas, publicações e cursos no MASP.
 
O primeiro seminário ocorreu em junho de 2017 e contou com Ailton Krenak, Aristóteles Barcelos Neto, Claudia Andujar, Davi Kopenawa, Edson Kayapó, Els Lagrou, Joseca Yanomami, Luís Donisete Benzi Grupioni, Luisa Elvira Belaunde, Lux Vidal, Milton Guran e Pedro de Niemeyer Cesarino. 
 
Os seminários reintroduzem as culturas indígenas no museu. Ao longo de sua história, o MASP organizou diversas exposições com objetos e registros de comunidades indígenas localizadas no território brasileiro: Exposição de arte indígena (1949), Alguns índios (1983), Arte karajá (1984), Índios yanomami (1985) e Arte indígena kaxinawa (1987). 
 
Com a presença de teóricos, artistas, curadores e ativistas de diferentes locais, cenários e perspectivas, os seminários também se propõem a apresentar e discutir a riqueza e a complexidade de materiais indígenas e culturas imateriais, suas filosofias e cosmologias e os desafios e as possibilidades de trabalhar com esses campos, sobretudo no contexto de um museu. Nesses dois dias, ainda serão discutidos temas como direitos humanos e ativismo, a prática curatorial e a prática artística. 
 
Dois outros seminários internacionais estão planejados para 2020 e 2021, ano em que deve sair uma antologia com os conteúdos apresentados nos encontros.
 
INSCRIÇÕES GRATUITAS NO DIA DO EVENTO
 
A retirada de ingressos será realizada uma hora antes do início do seminário, na bilheteria do museu. Cada entrada é válida para um dia de evento. Para acompanhar os dois dias, é preciso retirar ingresso nas duas datas.

Para receber o certificado de participação, é necessário cadastrar e-mail e nome completo e apresentar um documento oficial. Os certificados serão enviados para o e-mail cadastrado apenas dos que comparecerem aos dois dias de seminário.

Organização: Adriano Pedrosa, André Mesquita, Lilia Moritz Schwarcz e Tomás Toledo.

PROGRAMA

Terça-feira, 23.7

10h
Introdução com Adriano Pedrosa

10h30 – 12h30
DAIARA TUKANO

Uma aproximação contracolonial sobre a construção do imaginário da presença indígena na arte
A apresentação falará sobre arte indígena contemporânea como espaço de construção de autonarrativas e contranarrativas diante dos cânones europeus, discutindo o caráter colonial da história da arte diante da temática indígena: o que se considera arte indígena, o etnocídio na arte, o fortalecimento cultural e a arte como território de retomada. Protagonismo, autorrepresentação e poéticas indígenas em movimento serão alguns dos temas abordados.
 
HEATHER AHTONE 
Indigenizando a análise da arte contemporânea

Como resultado de uma pesquisa em andamento sobre as relações existentes entre artistas, suas culturas indígenas de origem e suas buscas estéticas – conforme elas se materializam na arte contemporânea que produzem –, a autora desenvolveu uma estrutura que parte do conhecimento e da filosofia cultural indígena e emprega metodologia interdisciplinar. A apresentação compartilha essa estrutura e explora a forma como a metodologia se apoia em práticas existentes na história da arte, na antropologia e nos estudos das populações nativas estadunidenses. Usando a arte indígena contemporânea de Norman Akers e Marie Watt como estudos de caso, a autora compartilha nesta apresentação o modo como essa estrutura facilita a análise e interpretação culturalmente orientadas de dois objetos de estudo selecionados, e também como esses objetos são, ao mesmo tempo, produtos e produtores de conhecimento cultural.

FRANCHESCA CUBILLO
A história e a representação visual de povos aborígenes de 1770-1901

O ano de 2020 marca o 250° aniversário da viagem de James Cook e sua chegada à Austrália. Desse episódio em 1770 aos dias de hoje, cada década deu origem a obras de arte definitivas feitas por australianos indígenas e não indígenas que moldaram nossos entendimentos acerca da arte aborígene, dos artistas aborígenes e dos povos e culturas onde essa arte encontra sua gênese. Esta apresentação faz parte de um conjunto de três artigos que tentam traçar essa história a partir de uma análise da literatura visual e pictórica que surgiu ao longo desse período de duzentos e cinquenta anos. Várias obras serão observadas em detalhe, com uma análise do histórico dos artistas e uma exploração das intenções de diversas exposições.
 
14h – 16h
BIUNG ISMAHASAN

Dispossessions como performatividade: articulando a “indigeneidade performativa” na prática curatorial indígena taiwanesa
Esta apresentação explora a arte performativa indígena taiwanesa através das obras do artista e ativista Don Don Hounwn, de origem Truku, da escultora Eleng Luluan, de origem Rukai, e de mim mesmo, curador de origem Bunun – os grupos mencionados estão entre os dezesseis povos indígenas de Taiwan. Será discutido o intercâmbio artístico de performances de artistas indígenas taiwaneses com base na exposição Dispossessions [Desapropriações], realizada na Goldsmiths, e Let the River Flow [Deixe o rio fluir], montada no Departamento de Arte Contemporânea da Noruega. Nossas abordagens performativas e estratégias curatoriais serão avaliadas como práticas artísticas indígenas, dando foco especial a temas pertinentes à perda, recuperação e ativação cultural, e ao discurso sobre a soberania criativa e incorporada dos indígenas. A apresentação demonstrará como Hounwn performa indigeneidade, pesar e solidão, expondo assim identidades híbridas. Em seguida, abordarei o modo como Luluan usa sua instalação performativa indígena para explorar a performatividade intrínseca e extrínseca através de objetos materiais e esculturas macias. Por fim, observarei como eu mesmo estruturei um encontro performativo com a arte contemporânea indígena taiwanesa com a curadoria de um espaço esteticamente organizado e de ressonância cultural. 

GREG HILL
Contemplando a paisagem criativa indígena global: olhando para trás para ver o amanhã

Apoiando-se em alguns exemplos de obras das duas primeiras exposições realizadas na National Gallery of Canada, com uma pesquisa ampla de arte indígena contemporânea internacional – Sakahàn (2013) e Àbadakone / Continuous Fire / Feu continuel (novembro de 2019) –, Greg Hill abordará temas presentes nas obras e estratégias curatoriais que amplificam essas ideias.
 
SARAH LIGNER
Histórias indígenas e o contexto colonial em acervos de museus

Inaugurado em 2006, o Musée du quai Branly herdou, entre outras coleções, um conjunto de obras do museu das colônias, fundado em Paris em 1931. O conjunto incluía pinturas, esculturas e desenhos que representavam o Império Francês além-mar. Essas imagens de pessoas e culturas de regiões colonizadas pela França permaneceram pouco conhecidas dos franceses por muito tempo, devido ao legado colonial de que a coleção é testemunha. Em 2018, mais de 200 dessas obras foram apresentadas ao público na exposição Paintings from Afar. São, na maioria, retratos de indígenas feitos por artistas brancos, e geralmente expressam uma percepção superficial ou deformada de outras culturas. Nesta apresentação, será questionado o modo como museus lidam com a leitura complexa dessas obras.
 
Quarta-feira, 24.7
 
10h30 – 12h30
SANDRA BENITES

Sempre acordar a memória através da narrativa
Esta apresentação pretende discutir as narrativas, a memória e sua importância na cultura guarani. A educação está associada à construção de corpos e de conhecimento guarani na organização da vida nas aldeias. Essa educação utiliza o conceito de “artes” como os juruas (não indígenas), e é entendida como ferramenta arandudu (sabedoria). A apresentação busca explicar como a(s) história(s) dos Guarani Nhandewa são a base da formação de condutas, crenças e personalidades compatíveis e adaptadas de acordo com as especificidades de cada teko (modo de ser). Destaca-se, aqui, a formação que diferencia as mulheres dos homens entre os Guarani, com ênfase na história de Nhandesy Eté – figura feminina da cosmologia guarani.
 
NIGEL BORELL
Histórias: contemplando fato, ficção, verdade e mito para povos indígenas

O termo histórias reconhece aquelas histórias que residem em narrativas e valores baseados tanto em fatos quanto em ficções. Isso é importante na mediação do entendimento de “lugar” e “ser”. Essa ideia ressoa junto ao curador, indígena de origem Māori de Aotearoa na Nova Zelândia. A história da criação dos Māori, que articula entendimentos elementares sobre “lugar” e “ser”, foi muitas vezes negligenciada como mito ou lenda no processo de colonização inglesa. No entanto, para os Māori, essa história apresenta crenças e entendimentos que moldam sua visão de mundo e determinam a maneira como o experienciam. Nesta apresentação, o curador explora como uma apreciação mais ampla do papel da narrativa, as chamadas histórias, pode oferecer uma compreensão mais rica da prática artística indígena contemporânea – em particular a arte contemporânea māori – e como pode ser apresentada nas instituições de arte.

DENILSON BANIWA
A arte moderna já nasceu antiga

As populações indígenas influenciaram a arte brasileira, mas nunca protagonizaram a história da arte. A apresentação discutirá como artistas indígenas estão ocupando lugares e recontando a história do Brasil através de produções que podemos considerar um novo caminhar de representatividade e uma nova antropofagia da arte, unindo conhecimentos ancestrais – como os grafismos e o tempo circular – a técnicas artísticas e tecnologias digitais.
 
14h – 15h30
TICIO ESCOBAR

Museu e arte indígena: desafios
Esta apresentação cruzará temas com ênfase na figura da diversidade e, especialmente, dos direitos indígenas. Sem perder os vínculos com a teoria europeia-ocidental, o curador se propõe a trabalhar os conceitos citados a partir de abordagens que permitem aproximações das formas alternativas de criação e expressão, cujos conteúdos transbordam os esquemas taxativos dessas teorias – pelo menos, em sua modalidade moderna. Essa perspectiva possibilitará assumir as flutuações dos contornos da arte no contexto das culturas indígenas, além de permitir manejar perspectivas transversais para estudar fenômenos que excedem o que é tradicionalmente exposto sob a etiqueta de “artes visuais”. O estético-visual, que não coincide estritamente com o regime do visível nem com os limites da arte, cruza âmbitos políticos, religiosos e sociais, além de desconhecer as separações entre as disciplinas que se cruzam com esses enfoques diagonais. Pretende-se que essa perspectiva permita tratar dos desafios do museu contemporâneo e se abra a questões urgentes que competem à problemática indígena, tais como território, gênero, marginalidade, migração e pobreza, bem como a crise ambiental e cultural.
 
SCOTT MANNING STEVENS
Reformulando narrativas de museu a partir de uma perspectiva indígena

Esta apresentação trata da disputa entre narrativas de estados colonizadores e histórias indígenas locais pela análise do local de um museu nas terras natais dos Haudenosaunee. Em 1933, a réplica de uma missão jesuíta francesa foi aberta ao público nas margens do lago Onondaga. O forte anacrônico de estilo hollywoodiano ficou popularmente conhecido como o “forte francês”. Por mais de sessenta anos, o forte contou uma história de tentativas de converter e civilizar os “selvagens iroqueses” focada nos colonizadores, até em 1992 passar por uma reconstrução que refletisse de maneira mais afiada uma missão jesuíta do século XVII. O local foi fechado em 2011 e posteriormente reformado para receber o Centro Skä•noñh pela Grande Lei da Paz, em 2015. Essa reforma reorientou completamente o espaço como um centro interpretativo focado na história dos Haudenosaunee e nos eventos ocorridos no lago que levaram ao estabelecimento dessa Grande Lei. Anciãos de Onondaga, acadêmicos locais e integrantes da sociedade histórica local colaboraram para criar o centro atual e reivindicar esse espaço.
 
16h – 17h30
Conversa
BROOK ANDREW E MOARA BRASIL

Representação e identidades dos povos originários
Existe uma confusão disseminada acerca das identidades dos povos originários tanto no Brasil quanto na Austrália, onde há ideias coloniais e populares bastante complexas sobre o que significa ser indígena. A conversa entre o artista e curador australiano Brook Andrew e a artista brasileira Moara Brasil abordará esses temas, propondo uma visão mais verdadeira da identidade dos povos originários. Brook Andrew refletirá sobre a iminente Bienal de Sydney, com abertura prevista para março de 2020, sob o título de NIRIN, que significa “beira” na língua de seu povo de origem, os Wiradjuri de New South Wales. Sete temas inspiram a exposição: DHAAGUN (terra: soberania e trabalho coletivo); BAGARAY-BANG (cura); YIRAWY–DHURAY (conexão inhame: alimentos); GURRAY (transformação); MURIGUWAL GIILAND (histórias diferentes); NGAWAAL-GUYUNGAN (ideias poderosas: o poder dos objetos); e BILA (rio: ambiente). NIRIN é orientada por histórias e práticas de raiz para descentralizar, desafiar e transformar narrativas dominantes, jogando luz sobre lugares de existência que são muitas vezes ignorados ou tornados invisíveis. Moara discutirá as matrizes da identidade indígena e a violência resultante de processos coloniais na construção do Brasil. Ela apresentará suas investigações acerca de Santarém, no oeste do Pará, onde vem conduzindo uma pesquisa para entender sua própria identidade indígena como ícone do projeto de colonização dentro do processo brasileiro de miscigenação. Como resultado dessa pesquisa, apresentará seu novo projeto, Museu da Silva, uma instalação artística que traz à tona provocações sobre o que significa ser indígena hoje em dia. A conversa entre os artistas pretende conectar as realidades brasileira e australiana no contexto discutido.

PARTICIPANTES

BIUNG ISMAHASAN
Curador, artista e pesquisador. Doutorando em curadoria no Centro de Estudos Curatoriais da University of Essex, na Grã-Bretanha. Sua pesquisa envolve questões de estética e prática curatorial indígena contemporânea, com foco em curadoria de arte contemporânea indígena taiwanesa. Hoje, sua pesquisa vem enfatizando questões de participação, performatividade e historiografia de curadoria e expografia indígena. Mestre em políticas culturais, relações e diplomacia pelo Instituto de Empreendedorismo Criativo e Cultural da Goldsmiths, University of London, em 2014. Seus projetos curatoriais de destaque incluem Dispossessions: An Indigenous Performative Encounter 2014–19, intercâmbio internacional de artistas indígenas de Taiwan, e Dispossessions: Performative Encounter(s) of Taiwanese Indigenous Contemporary Art, mostra realizada na Goldsmiths em maio de 2018.
 
BROOK ANDREW
Artista e curador Wiradjuri celta (indígena australiano), realiza exposições internacionais desde 1996. Sua prática interdisciplinar apresenta uma reavaliação de narrativas dominantes com uma pesquisa profunda, geralmente relacionada a colonialismo e modernidade. Seus trabalhos mais recentes incluem In Vision of Nuance: Systems of Exposure (2019), na Exposição Internacional de Arte Contemporânea de Wuzhen, China; The Space Between (2018), na Bienal de Kochi-Muziris, Índia; e What’s Left Behind (2018), na Bienal de Sydney, Austrália. É diretor-artístico da Bienal de Sydney de 2020, doutorando na Ruskin School of Art da Oxford University e professor-associado de Belas-Artes na Monash University, Austrália.

DAIARA TUKANO
É artista plástica, mestre em direitos humanos pela Universidade de Brasília e coordenadora da Rádio Yandê, primeira radioweb indígena do Brasil. Ativista indígena, trabalha com comunicação independente, abordando a defesa dos direitos humanos e dos povos indígenas. Pesquisadora em educação em direitos humanos e cultura de paz, com foco sobre o direito à verdade e à memória dos povos indígenas. Pintora e desenhista, seus trabalhos abordam aspectos culturais de seu povo, os Tukano Yépá Mahsã, a resistência indígena, as mulheres e o fortalecimento das identidades indígenas.
 
DENILSON BANIWA
Nasceu em Mariuá, no Rio Negro, Amazonas. Sua carreira como artista tem raiz nas referências culturais de seu povo, já na infância. Na juventude, o artista iniciou sua trajetória na luta pelos direitos dos povos indígenas e transitou pelo universo não indígena, apreendendo referenciais que fortaleceriam o palco dessa resistência. Denilson Baniwa é um artista antropófago: apropria-se de linguagens ocidentais para descolonizá-las em sua obra. Hoje, consolida-se como referência, rompendo paradigmas e abrindo caminhos ao protagonismo dos indígenas no território nacional.
 
FRANCHESCA CUBILLO
Curadora sênior de arte aborígene e das Ilhas do Estreito de Torres na National Gallery of Australia, com trinta anos de experiência em museus e galerias. Trabalhou em diversas instituições estatais e nacionais na Austrália, incluindo o South Australia Museum, o National Museum of Australia, o Museum & Art Gallery of the Northern Territory e, mais recentemente, a National Gallery of Australia. É bolsista do Winston Churchill Memorial Trust, bacharel em Artes com menção honrosa em Antropologia e doutoranda na Australian National University. Cubillo tem diversos textos publicados, participou de conferências e discursou em aberturas de fóruns nacionais e internacionais acerca de temas como a repatriação de relíquias ancestrais dos indígenas australianos, arte e cultura aborígene e das Ilhas do Estreito de Torres, bem como museologia e curadoria indígena australiana. Natural de Darwin, ela é uma mulher Yanuwa, Larrakia, Bardi e Wardaman da região do Top End australiano e presidente inaugural da Darwin Aboriginal Art Fair Foundation – desde 2010.
 
GREG HILL
Presidente inaugural Audain da National Gallery of Canada e curador sênior de arte indígena. Integrante Kanyen’kehaka (moicano) das Seis Nações do Território do Rio Grande e artista, Greg Hill começou sua carreira curatorial com um trabalho no First People’s Hall, no Canadian Museum of Civilization (atualmente Canadian Museum of History) e a curadoria de exposições independentes. Em 2000, começou a trabalhar na National Gallery of Canada e levou a arte indígena às galerias de arte histórica canadense. Juntou-se à equipe de arte contemporânea como curador-assistente a partir de 2002, tornando-se o primeiro curador indígena da instituição. Em 2008, foi indicado como presidente inaugural Audain e chefe do departamento de arte indígena. Além da curadoria de diversas exposições da coleção permanente, contribuiu com uma série de grandes mostras, incluindo a primeira individual da National Gallery de um artista das Primeiras Nações, Norval Morrisseau: Shaman Artist (2006). 
 
HEATHER AHTONE 
Atual curadora sênior do American Indian Cultural Center and Museum (AICCM) em Oklahoma City, Oklahoma, o foco primordial de sua pesquisa e de sua produção textual é a análise da interseção entre o conhecimento cultural indígena e a arte contemporânea. Desde 1993, trabalha com a comunidade de artes nativas. Fez a curadoria de diversas exposições, publicou artigos sobre sua pesquisa e continua em busca de oportunidades para ampliar o discurso acerca das artes indígenas contemporâneas globais. É cidadã da nação Chickasaw e tem vínculos familiares fortes com as comunidades Choctaw e Kiowa.
 
MOARA BRASIL
Artista e curadora independente. É paraense e reside em São Paulo. Hoje se dedica à pesquisa do movimento de retomada da identidade indígena – mais precisamente da região de Alter do Chão, em Santarém, onde vem acontecendo um processo de afirmação dessa identidade étnica – e à pesquisa do apagamento da memória de sua família de Cucurunã em Alter do Chão, do povo Borari. Está preparando seu mais novo projeto, Museu da Silva, a ser exposto ainda em 2019. Além de tratar de sua pesquisa, o projeto procura revelar as consequências dos processos violentos da colonização que esses povos sofrem até hoje. A artista participa de exposições desde 2015, quando começou a estudar os povos originários do Brasil. Seus últimos trabalhos incluem a participação no evento Teko Porã e na exposição coletiva Re-antropofagia, com curadoria de Denilson Baniwa e Pedro Gradella, realizada em 2019 em Niterói, no Centro de Artes da Universidade Federal Fluminense.
 
NIGEL BORELL
Nigel Borell (descendente dos povos Pirirakau, Ngāti Ranginui, Ngāi Te Rangi, Te Whakatōhea Māori) é curador de arte māori na Auckland Art Gallery Toi o Tāmaki, onde sua pesquisa sobre arte māori tradicional e contemporânea se desdobra em publicações e na realização de exposições. Seus projetos curatoriais recentes incluem: The Moa Hunters, de Areta Wilkinson, em colaboração com Zara Stanhope para a 9a Trienal da Ásia-Pacífico no QAGOMA, em Brisbane (2018) e The Māori Portraits: Gottfried Lindauer’s New Zealand, realizada na Auckland Art Gallery (2016) e no de Young Fine Arts Museum, em San Francisco (2017). Integrou o conselho consultivo do projeto neozelandês para a Bienal de Veneza de 2019.
 
SANDRA BENITES
Guarani Nhandewa e doutoranda em Antropologia Social pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Desde 2004, trabalha com educação indígena. Entre 2012 e 2014, foi coordenadora pedagógica de educação indígena na Secretaria de Educação do Município de Maricá, Rio de Janeiro. Realizou a curadoria da exposição DjaGuata Porã: Rio de Janeiro Indígena, no Museu de Arte do Rio (2017).
 
SARAH LIGNER
Historiadora da arte francesa, formada pela École du Louvre e pelo Institut national du patrimoine, em Paris. Sua dissertação de mestrado aborda o trabalho do artista sul-africano Ernest Mancoba. Em 2013, iniciou carreira curatorial no Musée National Marc Chagall, em Nice, onde organizou exposições sobre o trabalho do artista e de outros nomes contemporâneos. Em seguida, em 2015, tornou-se curadora-chefe da unidade de patrimônio para globalização histórica e contemporânea no Musée du quai Branly – Jacques Chirac, em Paris. Um de seus trabalhos de destaque foi a curadoria da exposição Paintings from Afar: The Museum Collection, realizada em 2018.
 
SCOTT MANNING STEVENS
Cidadão da nação moicana Akwesasne e diretor do programa de estudos indígenas americanos nativos na Syracuse University, onde leciona cursos dos departamentos de Literatura e História da Arte. Com doutorado pela Harvard University, publicou uma série de artigos sobre as literaturas e a cultura visual das populações nativas americanas. Suas publicações mais recentes incluem a coedição de uma coletânea de ensaios intitulada Why You Can't Teach United States History Without American Indians (University of North Carolina Press, 2015) e a elaboração de um capítulo sobre museus e indígenas norte-americanos no Oxford Handbook of American Indian History (Oxford University Press, 2016).
 
TICIO ESCOBAR
Curador, professor, crítico e promotor cultural. Foi presidente da Associação de Apoio às Comunidades Indígenas do Paraguai, diretor de cultura de Assunção e Ministro da Cultura do Paraguai. Autor da Lei Nacional de Cultura do Paraguai e coautor da Lei Nacional de Patrimônio. Publicou mais de dez livros sobre teoria da arte e da cultura. É fundador do Museo de Arte Indígena de Paraguay, composto por suas coleções. Recebeu prêmios internacionais, condecorações outorgadas pela Argentina, Brasil e França, além de doutorados honoris causa concedidos por universidades argentinas. Recebeu, na Espanha, o prêmio Bartolomé de las Casas pelo apoio às causas indígenas da América. É diretor do Centro de Artes Visuales/Museo del Barro.