MASP

RESTAURANTE
MASP
A BAIANEIRA

2º SUBLEVEL
MON-FRI 12H-15H
SAT 10H-16H
SUN 10H-17H

Partir do regional para falar de Brasil. Esse é o lema da chef Manuelle Ferraz, natural de Almenara, no Vale do Jequitinhonha. Meio mineira, meio baiana, ela abre a segunda unidade do seu A Baianeira no MASP. A sede faz sucesso na Barra Funda, onde Manuelle se instalou há seis anos para morar e criar suas receitas, inspiradas nos pratos da infância e adolescência em Almenara. A casa começou como uma pequena venda, chamada Quem quer pão? -- a plaquinha está lá até hoje para contar essa história. Na bancada, Manu oferecia um quitute que ainda é um dos carros-chefes do seu cardápio, o pão de queijo de polvilho e queijo mineiros, que “só” por isso já é diferente dos outros, com estrutura de pão, como ela diz

No MASP, A Baianeira traz novidades. A primeira é uma carta especial de drinques, preparada por Néli Pereira, do Espaço Zebra, que assina o bar, atrativo no almoço e nas noites de quinta a sábado no museu, quando também será servido jantar. Por fim, o brunch aos fins de semana, que aqui vai se chamar Café tardio, mais ao gosto brasileiro.

Um dos principais nomes da gastronomia brasileira hoje, Manuelle Ferraz foi reconhecida Chef Revelação pelo prêmio Melhores do Ano Prazeres da Mesa 2018-2019 e teve seu restaurante eleito um dos novos Bib Gourmand (melhor custo-benefício) do Guia Michelin Brasil 2019. Ainda neste ano, A Baianeira foi eleito o Melhor Restaurante para se Sentir em Casa, pela premiação gastronômica O Melhor de São Paulo, do jornal Folha de S.Paulo.

O conceito de gastronomia de Manuelle casa com a proposta do MASP de romper hierarquias nas artes, sem discriminar, por exemplo, arte e artesanato. Proposta que pôde ser vista em exposições como A mão do povo brasileiro, realizada por Lina Bo Bardi em 1969 e reeditada pelo museu em 2016, Portinari popular, também de 2016, e Tarsila popular, que este ano se tornou a mostra mais vista da história do MASP, com mais de 400.000 visitantes. Embora faça pratos vistosos, a busca de Manuelle é por quebrar categorizações e estigmas e trabalhar com ingredientes muitas vezes desprezados pela chamada alta gastronomia.

“Nossa cultura gastronômica é muito rica. A escassez do interior do Brasil gera preciosidade, mistura”, diz a chef, que afirma não seguir tendências, mas explorar o que considera autêntico, legítimo. “Para mim, as coisas funcionam se funcionam para mãinha, lá em Almenara.”

Algumas das receitas de A Baianeira são originais do Jequitinhonha, caso do pescoço de peru, da abóbora com quiabo, do suã de porco, da farofa de feijão andu etc. Outras são “desconstruídas” pela chef, caso do nhoque de batata-doce que leva uma camada de requeijão de corte, um tipo de laticínio específico da região. Quem é de lá costuma comer o queijo cortadinho, dentro do café. Manu enfatiza o uso do termo “cultura” alimentar por acreditar que os valores brasileiros e populares imateriais são tão importantes quanto os materiais. “Quando viajamos, antes de ir ao museu, vamos aonde? Comer. No MASP, queremos integrar tudo.”

O cardápio do MASP é semelhante ao da Barra Funda, o diferencial será o menu especial no jantar, o chamado Festim, que empresta termo usado no interior para banquetes. Nas palavras de Manu, vai ser algo bem “roceiro”, com um “punhado” de opções, como a salada de feijão andu, maxixe com carne de sol lavradinha e “a sopa de mainha” para lembrar dos festejos e almoços de domingo. Também serão mantidas, à noite, as opções À la carte, como a caldeirada de peixe servida de dia, o nhoque de batata doce com requeijão de corte, a galinha ensopada, o rosbife de carne de sol e o polvo com pirão de parida. Entre os drinques, destaque para a batidinha de amendoim com catuaba.

Durante o almoço, as opções incluem tanto os pratos do dia -- estrogonofe às terças, feijoada às quartas, parmegiana às quintas e galinhada ou moqueca de peixe às sextas -- quanto picadinho, baião de dois, macarrão e os triviais, carne de panela, filé de frango, peixe, omelete ou bife de filé-mignon com salada, arroz, feijão, creme e legumes do dia.

No brunch, que aqui será chamado de “Café tardio”, dá para escolher entre os combos, como o que leva pão na chapa com requeijão de corte, banana-da-terra com mel e amêndoas, um cafezinho coado e suco natural, ou entre as opções individuais.

Todos os dias, haverá opções de pratos vegetarianos ou veganos, uma proposta condizente com um equilíbrio de consumo de proteína animal, como Manu já preza n’A Baianeira da Barra Funda.