O Colectivo Acciones de Arte (CADA) é uma referência fundamental para as práticas artísticas e políticas latino-americanas no final do século 20. Formado em Santiago, o CADA realizou, entre 1979 e 1985, oito ações no espaço público e em meios de comunicação, confrontando a violência, a fome e a repressão no Chile daquele período. Suas intervenções buscavam ampliar a participação social e reimaginar a cidade como um território a ser ocupado, afirmando a arte como meio de experimentação democrática radical.
Composto pelos artistas visuais Lotty Rosenfeld (1943–2020) e Juan Castillo (1952–2025), pela escritora Diamela Eltit, pelo poeta Raúl Zurita e pelo sociólogo Fernando Balcells, o coletivo surgiu seis anos após o golpe militar no Chile que, em 1973, derrubou o governo de Salvador Allende (1908–1973) e instaurou a ditadura de Augusto Pinochet (1915–2006), umas das mais violentas na América Latina.
As intervenções do CADA incluíram a distribuição gratuita de leite em uma região carente de Santiago, o lançamento de panfletos de aviões que sobrevoaram a cidade, inserções poéticas em revistas e ações de grande alcance, como é o caso de NO+ [Não mais]. Concebida para marcar os dez anos do golpe militar em 1983, NO+ é um enunciado aberto que até hoje é utilizado por cidadãos e movimentos sociais para expressar suas demandas: NO+ violencia, NO+ dictadura, NO+ tortura, entre muitos outros.
Esta é a primeira mostra panorâmica sobre o CADA, reunindo 177 fotografias, desenhos, vídeos e documentos de seu arquivo. A mostra propõe uma reflexão sobre o papel transformador da arte em contextos ditatoriais e sua capacidade de mobilizar a solidariedade e a imaginação coletivas.
Colectivo Acciones de Arte: democracia radical tem curadoria de André Mesquita, curador, MASP.
A exposição integra o ano dedicado às Histórias latino-americanas, que também inclui mostras individuais de Carolina Caycedo, Claudia Alarcón & Silät, Damián Ortega, Jesús Soto, La Chola Poblete, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani e Sol Calero, além da coletiva Histórias latino-americanas e mostras na Sala de Vídeo de Clara Ianni, Claudia Martínez Garay, Edgar Calel, Oscar Muñoz e Regina José Galindo.