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Seminário Madge Gill

MASP & The Whitworth
11.6.2026
QUINTA-FEIRA
10H – 14H30
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O Seminário Madge Gill propõe apresentar e discutir, a partir de diferentes perspectivas, a obra de Madge Gill (1882–1961). A artista inglesa ocupa um lugar singular na arte do século 20, sendo reconhecida como uma das figuras mais marcantes cuja prática se relacionava a experiências espirituais. Gill viveu e trabalhou principalmente no East End de Londres, região leste da cidade historicamente ligada à classe trabalhadora, e desenvolveu sua produção fora dos circuitos artísticos acadêmicos. Por volta de 1920, passou a realizar desenhos, têxteis e escritos, após uma série de experiências pessoais que ela atribuía a uma entidade orientadora que chamava de Myrninerest.

Pesquisadores e especialistas apresentarão comunicações sobre os aspectos centrais da prática de Gill, considerando tanto o contexto em que sua produção se desenvolveu quanto as características formais de seu estilo único. Ao explorar as relações entre automatismo, mediunidade e psicologia da criação artística, bem como suas investigações formais, o seminário busca destacar a singularidade de seu trabalho e sua importância para discussões mais amplas sobre autoria, subjetividade e modos não convencionais de fazer artístico.

Organizado em parceria com a galeria de arte The Whitworth, da Universidade de Manchester, o evento integra o programa preparatório da exposição dedicada a Madge Gill, a ser realizada no MASP de 5 de março a 1º de agosto de 2027, como parte do programa anual do Museu dedicado às Histórias da loucura e do delírio. Posteriormente, a exposição seguirá para Manchester, onde será apresentada na Whitworth em outubro de 2027.

 

ORGANIZAÇÃO

Amanda Carneiro, curadora, MASP; Valentin Diakonov, curador de arte moderna e contemporânea, The Whitworth; com assistência de David Queiroz, assistente de pesquisa, MASP.

 

COORDENAÇÃO

Glaucea Helena de Britto, curadora assistente, MASP; com assistência de Bruna Fernanda, assistente curatorial, MASP.

 

TRANSMISSÃO AO VIVO

O seminário será online, gratuito e transmitido ao vivo pelo canal do MASP no YouTube. As falas serão traduzidas simultaneamente para o português e o inglês, com interpretação em Libras.

Para receber o certificado de participação, é necessário assinar a lista de presença que será disponibilizada por meio de um link fornecido durante o seminário.

PROGRAMA

11.6.2026

 

10H – 10H30

INTRODUÇÃO

Amanda Carneiro, curadora, MASP

 

10H30 – 12H

Mesa-redonda

 

VIVIENNE ROBERTS

Entender Madge Gill: ver, ouvir e sentir o invisível

Desde muito tempo, a discussão sobre Madge Gill é limitada por sua biografia e pela classificação como arte outsider. Esta apresentação reposiciona a artista no campo da arte mediúnica e visionária, relacionando sua obra às preocupações culturais da época em que ela viveu, incluindo modernismo, música, materialidade e inovação científica. Também envolve os estudos de gênero, abordando as tensões enfrentadas pelas mulheres que trabalham com espiritualidades alternativas, incluindo debates sobre a saúde mental e as leis arcaicas que regulam sua prática. Nesse contexto, Gill surge como uma figura que negocia autoria e autonomia, uma artista cujo trabalho rompe hierarquias estabelecidas e ressoa com interesses contemporâneos.

No centro desta reavaliação está uma abordagem multissensorial que posiciona a audição e as sensações ao lado da visão. Trabalhando em uma cultura fascinada pelo invisível, Gill torna o imaterial tangível por meio de processos corporificados nos quais seu corpo e seus materiais atuam como condutores de forças invisíveis, expandindo a percepção. Seus tecidos e desenhos automáticos demonstram como marcas e costuras repetitivas produzem encontros sensoriais além da visão, enquanto suas formas rítmicas nos convidam a uma leitura sonora. Em última análise, Gill se estabelece como uma figura que faz parte de uma linhagem de mulheres espiritualmente engajadas que remodelam a forma como a arte é sentida e compreendida.

 

JONATHAN GREEN

Os estados de espírito de Madge Gill

Madge Gill tem sido reconhecida e valorizada desde o início de sua produção artística, que supostamente teria começado após uma visão divina em março de 1920. Jonathan Green aborda sua obra a partir da perspectiva de um médico clínico, um estudante do desenvolvimento da saúde mental, assim como da psicologia e da arte. A partir de um estudo sobre provas documentais e da obra em si, Green se interessa em compreender o estado de espírito da artista quando iniciou e, depois, continuou a sua prodigiosa produção. Quais foram a formação e a natureza de seu impulso artístico e de sua “mediunidade” declarada? Como podemos compreender esses aspectos na vida da própria artista, e como eles se relacionam de forma mais geral à prática artística e a uma tradição de arte “visionária”?

 

Mediação: Valentin Diakonov, curador de arte moderna e contemporânea, The Whitworth

 

12H – 13H

Intervalo

 

13H – 14H30

Mesa-redonda

 

SOPHIE DUTTON

Ler as entrelinhas: a história em camadas de Madge Gill

As difíceis experiências de vida de Madge Gill muitas vezes se tornaram inseparáveis da forma como o público é convidado a interpretar seus desenhos e bordados; às vezes, esse enquadramento da artista pode ofuscar o poder extraordinário da obra em si. No entanto, pela compreensão dos acontecimentos de sua vida que moldaram a artista, nós podemos começar a apreciar as forças que inspiraram seus prolíficos impulsos criativos. Procurando ligar os pontos, ao longo de anos de pesquisa, conversas com colecionadores e com pessoas que conheceram Gill e seu trabalho em primeira mão, Sophie Dutton procurou entender a própria artista, sua obra e o que motivava sua manifestação artística. Seu instinto criativo natural era um meio de processar traumas ou um impulso que ela canalizou espiritualmente? Quando observamos hoje a obra de Madge Gill, estamos reagindo à lenda da artista ou ao inegável impacto da própria obra?

 

ANN COXON

Sobre linhas e pontos: os têxteis de Madge Gill

Esta apresentação irá questionar como podemos compreender e contextualizar os enigmáticos têxteis bordados de Madge Gill, considerando seu propósito, seu processo, sua materialidade e seu afeto. Fotografias de 1947 mostram Gill em casa usando um de seus vestidos intensamente bordados; em um sofá, rodeada por seus “tapetes” costurados à mão; e no jardim, com seu extraordinário desenho em retalhos de chita pendurados em um varal improvisado. Essas fotos serão discutidas juntamente com imagens das peças têxteis que foram encontradas em 2018. Os têxteis de Gill não se enquadram em categorias claras. Fios coloridos foram trabalhados em tecidos com milhões de pontos e costuras, obscurecendo suas superfícies e espalhando-se além das bordas. Ao contrário dos têxteis bordados tradicionais, eles não parecem ser úteis nem bonitos. Os têxteis de Gill são muito trabalhados, repetitivos e únicos. Ela usava agulha e linha como uma forma de reparação psicológica? Ela estava canalizando seu guia espiritual? Ou a costura servia a outro propósito para Madge Gill?

 

Mediação: David Queiroz, assistente de pesquisa, MASP

PARTICIPANTES

ANN COXON

Ann Coxon é uma curadora, escritora e pesquisadora de renome internacional, especializada em práticas têxteis na arte moderna e contemporânea. Por mais de 20 anos, foi curadora do Tate Modern, onde realizou a curadoria conjunta das marcantes exposições Magdalena Abakanowicz: Every Tangle of Thread and Rope (2022); Dorothea Tanning (2019); e Anni Albers (2018). Atualmente, Ann leciona História da Arte e Curadoria no Courtauld Institute, tendo concluído recentemente o doutorado com uma tese sobre a New Tapestry in Europe 1962-1970 [Nova tapeçaria na Europa 1962-1970], financiada pelo acordo da AHRC Collaborative Doctoral Partnership com o Tate e a University College London (UCL). Ela publicou diversos ensaios e artigos em catálogos, bem como dois livros: Motherhood, Tate Publishing (2023); e Louise Bourgeois, Tate Publishing (2010).

 

JONATHAN GREEN

Jonathan Green, FRCPsych, FMedSci, é professor de Psiquiatria Infantil e Adolescente na Universidade de Manchester, Reino Unido, e consultor do Royal Manchester Children’s Hospital. Ele se formou em Pediatria e, depois, em Psiquiatria Adulta e Infantil em Londres e Oxford, antes de se mudar para Manchester. Seu trabalho se concentrou no apego na primeira infância, no desenvolvimento social e no desenvolvimento autista. Ele é Fellow da Academia de Ciências Médicas do Reino Unido. Jonathan também é pintor desde a adolescência, tendo estudado pintura em Paris e Winchester em períodos de folga da medicina. Nos últimos 20 anos, continua pintando e expondo cada vez mais. Ele é o autor de Form and Mental State: An Interpersonal Approach to Painting e de outros escritos sobre arte.

 

SOPHIE DUTTON

Sophie Dutton é curadora, pesquisadora e designer. Em 2016, ela criou a série de eventos e exposições Works by Madge Gill para compartilhar a obra e a história de Gill com as comunidades às quais a artista era originalmente ligada. Ela foi curadora de exposições da obra de Gill, incluindo Myrninerest, na William Morris Gallery (2019); Madge Gill: Nature in Mind, ao longo da trilha de arte The Line, em Londres (2021); e The Clouds Will Burst the Sun Will Shine Again, no Midlands Art Center (2023). Em 2025, ela prestou consultoria sobre conteúdo relacionado a Gill e desenvolveu o programa de engajamento público que acompanha a exposição Grayson Perry: Delusions of Grandeur, no museu Wallace Collection. Ela editou e fez o design de Madge Gill by Myrninerest, uma monografia publicada pela primeira vez em 2019 pela Rough Trade Books e com uma segunda edição lançada em 2025.

 

VIVIENNE ROBERTS

Vivienne Roberts é historiadora da arte e curadora especializada em arte mediúnica e visionária. Foi curadora da College of Psychic Studies e organizou exposições que exploraram as interseções do espiritismo com a arte, incluindo Strange Things Among Us (2021) e Creative Spirits (2022). Em 2025 e 2026, sua exposição itinerante Tranceducers: Art of Visionaries, Mediums and Automatists foi apresentada em Londres e St. Ives. Seus projetos atuais incluem uma nova série de exposições colaborativas, iniciando em junho de 2026 com uma exposição individual sobre Louise Janin. Ela criou vários sites de pesquisa, incluindo madgegill.com, e é membro da British Art Network e do Visionary Women Research Group.

O Seminário Madge Gill propõe apresentar e discutir, a partir de diferentes perspectivas, a obra de Madge Gill (1882–1961). A artista inglesa ocupa um lugar singular na arte do século 20, sendo reconhecida como uma das figuras mais marcantes cuja prática se relacionava a experiências espirituais. Gill viveu e trabalhou principalmente no East End de Londres, região leste da cidade historicamente ligada à classe trabalhadora, e desenvolveu sua produção fora dos circuitos artísticos acadêmicos. Por volta de 1920, passou a realizar desenhos, têxteis e escritos, após uma série de experiências pessoais que ela atribuía a uma entidade orientadora que chamava de Myrninerest.

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