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Améfrica em perspectiva

8.8.2026
SÁBADO
9h30 - 18h

Em 2026, os encontros do MASP Professores são vinculados ao ciclo Histórias latino-americanas e têm como objetivo promover o diálogo de profissionais da educação com artistas, curadores, intelectuais, professores, ativistas e outros agentes, a partir do pensamento crítico sobre a região. Além das palestras e conferências, todos os encontros contarão com o laboratório de práticas de mediação, atividade que visa instrumentalizar o público do programa em suas visitas em grupo ao MASP e em suas ações didáticas/de mediação na sala de aula ou outros contextos educacionais.

O terceiro encontro do programa aborda o conceito de amefricanidade, elaborado pela intelectual brasileira Lélia Gonzalez, como uma perspectiva política, cultural e pedagógica para pensar a América Latina. As apresentações de Kyem Ferreiro, Patty Durães e Taina Silva Santos destacam organizações e movimentos políticos e culturais que articulam redes de solidariedade, experiências comunitárias e saberes ancestrais como ferramentas de transformação social e combate às desigualdades. A partir dessas práticas, evidenciam-se processos de criação de memórias, identidades e formas de existência que constituem nosso continente. No período da tarde, o Laboratório de Mediação será conduzido por Mafuane Oliveira, que apresenta atividades artístico-pedagógicas baseadas na valorização dos saberes afro-ameríndios e de suas tradições orais como formas de produção de conhecimento.

Todos os encontros de 2026 serão presenciais e acontecerão nas seguintes datas

14.3. América Latina: educação em movimento 
16.5. Histórias, memórias e identidades continentais 
8.8. Améfrica em perspectiva
24.10. Histórias latino-americanas


CRONOGRAMA

9H30 — 10H30
Recepção e café da manhã

Primeiro subsolo, edifício Lina Bo Bardi

10H30 — 13H30
Mesa-redonda

MASP Auditório, edifício Lina Bo Bardi

13H30 — 15H30
Intervalo

 
15H30 — 17H30
Laboratório de mediação

1º andar, edifício Pietro 

17H30 — 18H
Café de encerramento

Primeiro subsolo, edifício Lina Bo Bardi

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PESSOAS CONVIDADAS
Kyem Ferreiro, Mafuane Oliveira, Patty Durães e Taina Silva Santos

Público: profissionais da área da educação, seja ela escolar, universitária, museal ou no terceiro setor, e pessoas interessadas em geral.

Atividade gratuita, presencial, com tradução simultânea para Libras. 
Caso necessite de outros recursos de acessibilidade, escreva para professores@masp.org.br

O evento será gravado e disponibilizado no canal do MASP no YouTube.

Vagas limitadas

Haverá certificado de participação

Quaisquer dúvidas e solicitações podem ser encaminhadas para professores@masp.org.br

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PROGRAMA 

9H30 — 10H30
Recepção e café da manhã

Primeiro subsolo, edifício Lina Bo Bardi

10H30 — 13H30
Mesa-redonda

MASP Auditório, edifício Lina Bo Bardi

TAINA SILVA SANTOS
Améfrica em perspectiva: mulheres negras e experiências políticas na América Latina e no Caribe


Nesta palestra, a pesquisadora propõe discutir como o conceito de Améfrica, formulado por Lélia Gonzalez, nos ajuda a compreender a atuação política de mulheres negras, redes de solidariedade, articulação e produção de conhecimento construídas na América Latina e no Caribe. Para isso, mobiliza reflexões de Jurema Werneck e de outras intelectuais que discutem raça, gênero e poder em perspectiva transnacional. E, em diálogo com cartazes de eventos, encontros e mobilizações organizados por ativistas negras, explorará aspectos das agendas compartilhadas, das formas de organização coletiva e da imaginação política.

PATTY DURÃES
Améfrica à mesa: a cultura alimentar como prática pedagógica

Como a cultura alimentar pode nos ajudar a compreender as histórias da Améfrica? Nesta fala, propõe-se a alimentação como uma chave de leitura das experiências, memórias e identidades que constituem o continente. Inspirada no conceito de Améfrica, formulado por Lélia Gonzalez, a apresentação parte das sementes dos alimentos, dos modos de fazer ancestrais e das práticas alimentares como patrimônios culturais vivos e enquanto documentos históricos, capazes de revelar os processos de colonização, diásporas, infinitas territorialidades, a rica biodiversidade e a força da resistência. Ao aproximar a cultura alimentar das práticas educativas, a pesquisadora convida educadores a reconhecer a comida como linguagem pedagógica transversal, capaz de conectar conteúdos escolares ao cotidiano dos estudantes e de ampliar as possibilidades de diálogo entre história, geografia, arte, ciências e outras áreas do conhecimento. Mais do que um tema de estudo, a alimentação é apresentada como uma ferramenta para fortalecer pertencimento, valorizar os saberes dos territórios e construir novas formas de ensinar e aprender a partir de uma sacola de feira, de um carrinho de mercado e de um prato de comida.

KYEM FERREIRO
Marcha Transmasculina de São Paulo: ocupação das ruas, organização coletiva e pedagogias da mobilização
A atividade apresenta a experiência da Marcha Transmasculina de São Paulo como um processo contínuo de organização política, construção de comunidade e ocupação do espaço público. Inspirada nas  mobilização dos movimentos populares latino-americanos da classe trabalhadora, a Marcha compreende a rua como um território de disputa por direitos, memória, reconhecimento e produção de futuros. A partir dessa experiência, serão abordados os processos de articulação, mobilização e organização que sustentam a Marcha Transmasculina, destacando-a como uma ferramenta de participação política, fortalecimento das transmasculinidades e transformação social.

13H30 — 15H30
Intervalo

 
15H30 — 17H30
Laboratório de mediação
1º andar, edifício Pietro 

MAFUANE OLIVEIRA
Améfrica em NÓS: Oralituras, Memória e Mediação Cultural
Inspirada pelo conceito de Améfrica Ladina, de Lélia Gonzalez, a oficina propõe as oralituras tradicionais afro-brasileiras como práticas de memória, mediação cultural e educação. Partindo da narração de histórias e de experiências de escuta e criação coletiva, as pessoas participantes serão convidadas(os) a refletir sobre as relações entre identidade, território e pertencimento. O encontro tem como premissa a valorização dos saberes afro-ameríndios e de suas tradições orais como formas de produção de conhecimento. Por meio de atividades práticas, serão experimentadas estratégias de mediação que conectam arte, memória e comunidade, culminando na criação de narrativas e percursos de mediação inspirados nas histórias que habitam nossos corpos, territórios e acervos afetivos.

17H30 — 18H
Café de encerramento

Primeiro subsolo, edifício Lina Bo Bardi
 
Inscreva-se

Participantes

KYEM FERREIRO 
Kyem Ferreiro é pesquisador, educador e articulador político. Doutorando em Energia pela UFABC e mestre em Ciências pela USP, atua na intersecção entre participação social, justiça energética e organização comunitária. É coordenador-geral do IBRAT São Paulo (Instituto Brasileiro de Transmasculinidades) e coidealizador da Marcha Transmasculina de São Paulo, a maior mobilização de rua de transmasculinidades do mundo.


MAFUANE OLIVEIRA
Mafuane Oliveira é escritora, pesquisadora, contadora de histórias, educadora, atriz e produtora cultural. Mestre em Artes Cênicas pela UNESP, é autora de Cinderela do Rio (Selo Cátedra UNESCO; Altamente Recomendável FNLIJ) e coautora de Mesma Nova História (finalista do Prêmio Jabuti 2022), além de artigos sobre mediação de leitura e arteeducação. Idealizadora da Cia. Chaveiroeiro, realizou apresentações culturais, projetos de pesquisa e formações para educadoras/es em países da África e América Latina. É apresentadora do podcast “Deixa que eu Conto” do UNICEF Brasil e do programa “Contos Rá-Tim-Bum”, produzido pela TV Cultura. Atualmente é Analista de Cultura e Parentalidade do Instituto Alana.


PATTY DURÃES
Patty Durães é pesquisadora, curadora e educadora dedicada às culturas alimentares brasileiras, com foco nas heranças afrodiaspóricas, nos saberes tradicionais e na preservação do patrimônio alimentar. Criadora dos cursos auto formativos Muito Além da Boca (para o Itaú Cultural) e Turismo Gastronômico (para o Sebrae), desenvolve cursos, curadorias e mentorias, consultorias e projetos que conectam alimentação, memória, identidade, território e justiça social. Foi professora convidada da Dillard University, nos Estados Unidos, e atua como palestrante, mediadora e curadora de programas culturais e educativos para instituições, festivais e empresas, promovendo reflexões sobre o papel da comida como expressão cultural, política e patrimônio vivo. É palestrante TEDx e reconhecida por transformar a alimentação em ferramenta de educação, diálogo e valorização da diversidade cultural brasileira.


TAINA SILVA SANTOS
Doutoranda em História Social pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Mestra em História Social (2023) e bacharel em História (2018) pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Egressa do Student Training Program (2024) do Center for Critical Imagination: Political Economy and Citizenship (CCI/Cebrap). Pesquisadora no Núcleo de Pesquisa e Formação em Raça, Gênero e Justiça Social (Afro Cebrap). Desenvolve estudos sobre História do Racismo, História das Mulheres Negras, História do Brasil, História do Trabalho e pensamento de intelectuais negras. Recebeu menção honrosa no XXX Concurso de Monografias Fausto Castilho, promovido pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, e foi premiada na categoria Dissertação em Ciências Humanas, Sociais e Econômicas do IV Prêmio de Reconhecimento Acadêmico em Direitos Humanos, promovido pela Unicamp e pelo Instituto Vladimir Herzog. Possui experiência em formação de professores, produção de materiais didáticos e desenvolvimento de ações educativas em museus.
 

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