A força ancestral do ato de tecer está no centro da obra de Claudia Alarcón & Silät, coletivo de tecedeiras do povo Wichí. Formado em 2023, o grupo é hoje composto por mais de cem mulheres que vivem nas comunidades de La Puntana e Alto La Sierra, no norte da província de Salta, na Argentina. Suas obras são produzidas com fios de chaguar, uma bromélia nativa da região caracterizada por suas fibras resilientes.
O Silät articulou-se a partir de oficinas que propunham pensar novos formatos para as bolsas yicas, um objeto central para a cultura wichí. As yicas apresentam motivos geométricos que remetem a animais e plantas da região. Embora seja o ponto de partida do trabalho de Alarcón & Silät, suas obras transcendem esse repertório tradicional. Sob a liderança de Alarcón, o coletivo desenvolveu técnicas para que os tecidos fossem trabalhados por mais de uma tecedeira simultaneamente, enfatizando a noção de construção e autoria coletiva. De maneira poética, combinam em uma mesma obra diferentes padronagens e referências ao universo das artistas, sua mitologia e território: o outono e o inverno, o fio da noite, o andar dos ventos, os caminhos inventados, as mulheres estrelas, as memórias e as cicatrizes, o que se escuta no monte. Desse modo, um trabalho aparentemente abstrato e geométrico ganha conotações profundamente complexas e cheias de vida.
Viver tecendo — subtítulo da exposição no MASP — sublinha o entendimento de tecer como um ato contínuo, uma prática que atravessa gerações, integrada ao movimento da vida. Preservar essa prática é, em si, um gesto de coragem. Reinventá-la, um ato de ousadia.
Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo é curada por Adriano Pedrosa, diretor artístico, e Laura Cosendey, curadora assistente, MASP.
A exposição integra o ano dedicado às Histórias latino-americanas, que inclui mostras monográficas de Carolina Caycedo, Colectivo Acciones de Arte, Damián Ortega, Jesús Soto, La Chola Poblete, Manuel Herreros de Lemos e Mateo Manaure Arilla, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani, Sol Calero, além da coletiva Histórias latino-americanas, bem como mostras na Sala de Vídeo de Clara Ianni, Claudia Martínez Garay, Edgar Calel, Oscar Muñoz e Regina José Galindo.
Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas acessíveis em Libras, audiodescritas e adaptadas para públicos com deficiência intelectual e autistas; textos e legendas em fonte ampliada e produções audiovisuais com narração, legendagem e interpretação em Libras que descrevem e comentam os espaços e as obras. Os conteúdos podem ser utilizados por pessoas com e sem deficiência, incluindo públicos escolares, professores e interessados. Eles ficam disponíveis no site e canal do Youtube do museu.
Visitas acessíveis
Pessoas com deficiência podem fazer uma visita acompanhada pela equipe MASP.
Solicitação via e-mail: acessibilidade@masp.org.br.
Cadernos com textos e legendas em fonte ampliada
Os cadernos acessíveis contêm todos os textos e legendas das exposições, em fonte ampliada, além de instruções sobre as salas de exposição, disposição das obras, fluxos e circulação, e breve descrição do espaço. Os cadernos físicos ficam disponíveis para uso durante a visita e a versão digital, em PDF, pode ser acessada via QR code.
Conteúdos audiovisuais
Com narração, audiodescrição, legendagem e interpretação em Libras, desenvolvidos a partir dos textos curatoriais, apresentando um panorama da exposição.