La Chola Poblete (Guaymallén, Argentina, 1989) inicialmente adotou o nome Chola como um alter ego para performances e, depois, como sua identidade. O termo
chola se refere a mulheres de ascendência indígena e surgiu como uma injúria racial no Peru e na Bolívia, de onde vêm os antepassados da artista. Poblete parte dessa narrativa para desconstruir estereótipos produzidos sobre sua comunidade e história, trabalhando com pintura, escultura, desenho, fotografia, vídeo e performance. Suas obras frequentemente apropriam-se dos trabalhos de outros artistas, misturando padronagens e personagens que, por vezes, são reproduzidos também sobre as paredes da exposição, como ocorre aqui.
Seus desenhos funcionam como mapas mentais que articulam uma ampla gama de referências e técnicas sobre o papel. Suas esculturas feitas com pão têm forte apelo sensorial e evocam as dimensões simbólicas e econômicas desse alimento. Suas fotografias sugerem ficções que colocam a artista como uma cantora pop ou como uma figura mitológica.
La Chola Poblete: pop andino é a primeira exposição individual da artista no Brasil. O título vem de um manifesto em que ela critica as expectativas do sistema da arte em relação a corpos trans racializados. A mostra reúne 31 obras, incluindo 14 aquarelas da icônica série
Vírgenes cholas, exposta na Biennale di Venezia em 2024. Sua produção reflete sobre a história argentina, abordando questões como a política, a herança cristã e as formas indígenas de resistência à colonização. Os trabalhos discutem a representação de pessoas racializadas e LGBTQIA+, ao mesmo tempo em que a diversidade de temas e a fluidez das formas elaboradas pela artista afirmam seu desejo de liberdade para esses grupos.
La Chola Poblete: pop andino é curada por Adriano Pedrosa, diretor artístico, e Leandro Muniz, curador assistente, MASP.
A exposição integra o ano dedicado às
Histórias latino-americanas, que inclui mostras monográficas de Carolina Caycedo, Claudia Alarcón & Silät, Colectivo Acciones de Arte (CADA), Damián Ortega, Jesús Soto, Manuel Herreros de Lemos e Mateo Manaure Arilla, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani e Sol Calero, além da mostra coletiva
Histórias latino-americanas, bem como mostras na Sala de Vídeo de Clara Ianni, Claudia Martínez Garay, Edgar Calel, Oscar Muñoz e Regina José Galindo.