Minerva Cuevas (Cidade do México, 1975) tem desenvolvido um trabalho artístico que explora as dimensões sociais, econômicas e políticas da ecologia, questionando como as dinâmicas de poder moldam as relações entre humanos e não humanos. Em uma espécie de arqueologia do presente, Cuevas frequentemente reelabora e se apropria de logotipos, anúncios e slogans de grandes empresas para examinar questões sobre a propriedade privada e nos permitir visualizar o impacto sobre as principais forças econômicas do capitalismo.
Os 42 trabalhos apresentados nesta exposição articulam coletivamente a noção de “ecologia social”, um conceito que foi formulado pelo filósofo anarquista Murray Bookchin (1921–2006) e dá nome à mostra. Para Bookchin, a crise ambiental é indissociável das hierarquias e desigualdades humanas; apenas uma sociedade livre e cooperativa pode restaurar o equilíbrio ecológico. Essa perspectiva atravessa o trabalho de Cuevas, que propõe uma crítica ao neoliberalismo e aborda debates sobre a extração de recursos, os deslocamentos forçados de populações e a devastação ambiental causada pela indústria em todo o mundo.
Um dos projetos mais conhecidos de Cuevas incluído na mostra é Mejor Vida Corp. [Melhor Vida SA] (desde 1998), uma corporação sem fins lucrativos criada pela artista para — como indica seu slogan — fornecer uma “interface humana” e nos conectar a uma estrutura de intervenções públicas e distribuição de produtos e serviços gratuitos. Essa iniciativa subverte os sistemas de valor – empresarial, comercial, ético, social e cultural – e propõe formas de redistribuição, troca e o que a artista chama de “microssabotagem”.
Outros trabalhos na exposição tratam da história da indústria do petróleo e seu impacto sobre o território e as vidas não humanas. Muitas dessas obras, incluindo pinturas e esculturas, utilizam chapopote [piche] — um derivado do petróleo — evocando tanto o uso dessa substância em cerimônias pré-hispânicas quanto as cicatrizes do extrativismo, revelando que a ecologia não está separada do campo social, mas é, ao contrário, um lugar de onde emergem diversas lutas sociais e ações coletivas.
Minerva Cuevas: ecologia social é curada por André Mesquita, curador, MASP
A exposição integra o ano dedicado às Histórias da ecologia no museu em 2025, que inclui monográficas de Abel Rodríguez, Clarissa Tossin, Claude Monet, Frans Krajcberg, Hulda Guzmán, André Taniki Yanomami e do coletivo Movimento dos Atingidos por Barragens; mostras na Sala de Vídeo de Emilija Škarnulytė, Inuk Silis Høegh, Janaina Wagner, Maya Watanabe, Tania Ximena e do projeto Vídeo nas Aldeias; além da coletiva Histórias da ecologia.
Desde 2019, o MASP conta com um grupo de trabalho de sustentabilidade e desenvolve ações como descarbonização, compra de energia renovável e um programa de gestão de resíduos — iniciativas que se somam à programação de Histórias da Ecologia este ano. O novo edifício Pietro Maria Bardi também incorpora soluções sustentáveis, tendo conquistado a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design).