Oscar Muñoz (Popayán, Colômbia, 1951) trabalha com fotografia, vídeo, desenho, gravura e pintura, investigando a relação da imagem com a memória e a identidade. Nos três vídeos aqui apresentados, o artista utiliza elementos instáveis, como a água e o corpo, para materializar e dissolver imagens em movimento. Neles, retratos surgem e desaparecem, estabelecendo uma constante tensão entre permanência e efemeridade.
Em Narciso (2001-02), seu primeiro trabalho em vídeo, Muñoz compõe um autorretrato com pó de carvão sobre a superfície da água em uma pia — procedimento que remete à gravura e aos banhos químicos da revelação fotográfica. À medida que a água escoa pelo ralo, o rosto e sua sombra projetada na pia aproximam-se e se fundem em uma mancha. Como no mito grego de Narciso — em que o herói se apaixona por seu reflexo e tenta, sem sucesso, capturá-lo —, o vídeo aponta a impossibilidade de estabilizar a identidade no tempo.
Já em Línea del destino [Linha do destino] (2006), Muñoz observa o reflexo de sua face em um punhado de água contido na palma da mão. Diferente de um retrato fixo, a imagem deforma-se à medida que a mão tenta conter o líquido, que escorre entre as linhas dos dedos. O corpo do artista falha em reter a própria representação, o que acaba por revelar um retrato fluido e destinado ao apagamento.
Uma dinâmica semelhante estrutura Re/trato (2004), mas como resistência ao esquecimento coletivo. O artista pinta rostos sucessivamente com pincel e água sobre uma superfície de concreto exposta ao sol. Antes que o desenho se conclua, o calor evapora as pinceladas, e o processo se repete continuamente. O título relaciona o retrato ao esforço de “re-tratar” (tratar novamente) e evoca o desaparecimento forçado de pessoas na história recente da Colômbia.
Sala de Vídeo: Oscar Muñoz é curada por Matheus de Andrade, assistente curatorial, MASP.
A exposição integra o ano dedicado às Histórias latino-americanas, que inclui mostras monográficas de Carolina Caycedo, Claudia Alarcón & Silät, Coletivo Acciones de Arte (CADA), Damián Ortega, Jesús Soto, La Chola Poblete, Manuel Herreros e Mateo Manaure Arilla, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani e Sol Calero, além da coletiva Histórias latino-americanas e de mostras na Sala de Vídeo de Clara Ianni, Claudia Martínez Garay, Edgar Calel e Regina José Galindo.
Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, mediante solicitação pelo e-mail acessibilidade@masp.org.br; textos e legendas em fonte ampliada e conteúdos audiovisuais com audiodescrição, legendagem e interpretação em Libras. Todos os materiais ficam disponíveis no site e canal do Youtube do museu e podem ser utilizados por pessoas com ou sem deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessadas, seja em visitas espontâneas ou acompanhadas pela equipe MASP.
Visitas acessíveis
Pessoas com deficiência podem fazer uma visita acompanhada pela equipe MASP.
Solicitação via e-mail: acessibilidade@masp.org.br.
Cadernos com textos e legendas em fonte ampliada
Os cadernos acessíveis contêm todos os textos e legendas das exposições, em fonte ampliada, além de instruções sobre as salas de exposição, disposição das obras, fluxos e circulação, e breve descrição do espaço. Os cadernos físicos ficam disponíveis para uso durante a visita e a versão digital, em PDF, pode ser acessada via QR code. Com leitor de tela, é possível ouvir todo o conteúdo textual das mostras.