Esta é a primeira exposição panorâmica sobre a obra de Sandra Gamarra Heshiki (Lima, 1972), artista central na arte contemporânea latino-americana e internacional. Gamarra iniciou sua carreira em meados dos anos 1990, trabalhando com pintura e instalações. Em 2002, criou o LiMac, Museo de Arte Contemporáneo de Lima, uma espécie de museu imaginário ou fictício, o que constitui uma virada conceitual importante em sua trajetória.
O LiMac apontava para a carência de museus e acervos públicos de arte no Peru, por meio da produção de cópias de trabalhos de artistas contemporâneos feitos pela própria Gamarra a partir de livros e revistas que chegavam ao país. Naquele mesmo ano, Gamarra mudou-se para Madrid, Espanha, onde começou a desenvolver outro aspecto fundamental de sua obra: uma crítica à violência por trás de tantas obras de arte do período colonial, assim como ao modo como os museus mostram e classificam suas coleções.
A apropriação, a cópia e a intervenção sobre trabalhos de diferentes períodos da história da arte são fundamentais na obra da artista, daí o título deste projeto: Réplica. A mostra inclui 72 obras produzidas desde 2003 e é organizada com uma alusão à cronologia convencional dos museus de arte latino americanos, dividida em seis núcleos: “pré-colonial” (“inka” e “pré-inka”), “colonial”, “pós-independência”, “moderno”, “contemporâneo” e LiMac.
Na última sala, Gamarra propõe um grande conjunto de pinturas sobre papel, com réplicas de todas as páginas com reproduções de obras nesta mostra em seu catálogo, além de disponibilizar ao público fotocópias dessas peças. Com esse gesto, a artista recupera o procedimento da cópia que a acompanha há 25 anos, agora voltado para sua trajetória mostrada nesta primeira exposição retrospectiva, uma espécie de resposta, ou réplica, à sua própria obra.
Sandra Gamarra Heshiki: réplica tem curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Florencia Portocarrero, curadora convidada, MALI; Guilherme Giufrida, curador assistente, MASP; e Sharon Lerner, diretora, MALI. A apresentação no MASP é curada por Giufrida e Pedrosa.