Olhares negros sobre a arte brasileira é um curso teórico na área da História da Arte, com recorte voltado para a vida e a obra de gravadores modernos, atuantes entre as décadas de 1950 e 1980 no eixo RJ-SP. De caráter introdutório, está dividido em quatro aulas, com duração de 2h cada: 1) Arte afro-brasileira e Arte branco-brasileira; 2) Quem são os gravadores negros?; 3) Narrativas e visualidades; 4) Onde estão os gravadores negros?. As aulas são expositivas e dialogadas, o que permite maior interação dos alunos – análises, dúvidas, questionamentos, sugestões. Ministradas pelo historiador da arte, curador e professor João Paulo Ovidio, as aulas constituem um desdobramento de sua pesquisa de doutorado em andamento. A bibliografia, por sua vez, é formada por textos, livros e catálogos, tanto referentes à linguagem da gravura quanto às temáticas raciais. Algumas exposições como Das Galès às Galerias (2018), Histórias Brasileiras (2022), Dos Brasis (2023) e Pretagonismos (2024), serão examinadas a fim de melhor compreender a presenças e as ausências negras na História da Arte. Desse modo, o curso ressalta a importância de uma perspectiva racializada e de uma postura antirracista na construção de narrativas e visualidades mais plurais.
IMPORTANTE | As aulas serão realizadas online, ao vivo, por meio de uma plataforma de ensino. O link de acesso será enviado aos participantes após a inscrição. O curso será gravado, e cada aula ficará disponível por 30 dias após sua realização. Os certificados serão emitidos para os participantes que atingirem, no mínimo, 80% de presença nas aulas síncronas
Aula 1 — 08/04//2026 | Arte afro-brasileira e Arte branco-brasileira
Direta ou indiretamente, a produção artística molda o imaginário popular. A partir de uma leitura crítica, a primeira aula tem como objetivo fomentar uma introdução à história da arte no Brasil por meio da gravura e questionar as representações homogêneas e hegemônicas.
Aula 2 — 15/04/2026 | Quem são os gravadores negros?
A segunda aula tem como objetivo apresentar brevemente quatro artistas: Octávio Araújo, Emanoel Araújo, Manuel Messias e Maria Lídia Magliani, abordando aspectos de sua formação, suas pesquisas artísticas, referências e o legado que deixaram para a arte brasileira. O que aproxima e o que diferencia esses artistas? Questões de raça, gênero e classe social atravessam suas trajetórias.
Aula 3 — 22/04/2026 | Narrativas e visualidades
A terceira aula tem como objetivo promover a análise dos trabalhos, com atenção especial ao conjunto mais representativo de cada artista. Quais são as principais temáticas? Como foi a recepção da crítica? O que dizem os periódicos da época? A leitura de imagem é fundamental para compreender a construção de narrativas e visualidades do negro na história da arte.
Aula 4 — 29/04/2026 | Onde estão os gravadores negros?
Os museus são instituições racistas? E o mercado de arte? A última aula tem como objetivo discutir a circulação dos trabalhos em exposições, bem como o processo de inserção em acervos públicos e o interesse de colecionadores particulares. Em vista disso, pretende-se questionar os critérios de salvaguarda e as exclusões nas narrativas oficiais.
João Paulo Ovídio é historiador da arte, curador independente, educador museal e professor universitário. Doutorando em História da Arte, na linha de pesquisa Arte e Alteridade, pelo PPGHA/UERJ. Pesquisa, debate e escreve sobre arte moderna e contemporânea, narrativas contra-hegemônicas e relações étnico-raciais. É fundador e editor-chefe da Revista Desvio, publicação acadêmica online sobre arte, memória e patrimônio. Atualmente é professor substituto na Licenciatura em Pedagogia na FEBF/UERJ.