O ciclo Histórias afro-atlânticas no MASP é constituído por exposições monográficas de artistas cujas obras são atravessadas por questões raciais e, ainda, de uma grande exposição coletiva que sintetiza o tema abordado ao longo ano. As exposições e também os programas públicos abordam os discursos e as visualidades, ora de reprodução, ora de resistência frente às violências que estruturaram as sociedades ocidentais ao longo da modernidade. Em seu conjunto, baseiam-se na ampliação de perspectivas e de olhares sobre diferentes períodos históricos, territórios e linguagens artísticas, e consideram os fluxos e refluxos entre África, Américas, Caribe e Europa.
O MASP Professores de agosto, “Histórias Afro-Atlânticas: caminhos do saber, maneiras de expor”, tem como tema os processos de produção e de difusão de saberes e de arte no espaço afro-atlântico. A primeira parte do encontro discutirá iniciativas de tradução de teóricos africanos e afro-brasileiros, bem como os meios de propagação e ampliação ao acesso a tais conteúdos em bibliotecas virtuais e comunitárias. Já a conferência da tarde, em diálogo sobre curadoria e presença de artistas negros contemporâneos no circuito das artes, tratará especificamente da exposição Histórias Afro-Atlânticas.
PROGRAMAÇÃO
10h às 12h30 – Produção e difusão de saberes afro-atlânticos
Pensares e saberes: as filosofias africanas e afro-diaspóricas como caminhos de nossa história.
Nesta comunicação, Wanderson Flor do Nascimento, compartilhará sua experiência de ensino e pesquisa sobre as filosofias africanas com base na construção de um portal na internet onde é disponibilizado um conjunto de textos em língua portuguesa. A palestra tratará da importância do conhecimento dos saberes ancestrais africanos no reconhecimento mais pleno da identidade brasileira e no enfrentamento ao racismo como problema crônico de nossa sociedade, com o intuito de buscar a sensibilização para o trato com o pensamento africano e afro-brasileiro no trabalho pedagógico nas escolas, em atendimento ao artigo 26-A da LDB (introduzido pela Lei Federal 10.639/2003), não apenas como conteúdos, mas também como campo de sentidos para a abordagem dos conhecimentos.
Com Wanderson Flor Nascimento (Professor de filosofia e bioética da UNB)
Mediação: Fernanda Miranda (Doutoranda em Letras pela USP).
Me vejo no que vemos, me leio no que lemos: a contribuição das bibliotecas comunitárias para a difusão e construção de saberes afro-atlânticos
Bel Santos Mayer apresentará estratégias desenvolvidas a partir de bibliotecas comunitárias, para aproximação à literatura negra/afro-brasileira, muitas vezes negligenciada na formação de leitores(as). Dará destaque a quatro práticas desenvolvidas nos últimos anos: 1) LiteraSampAfro que proporciona o estudo de autores(as) negros; 2) Akpalô que aproxima mediadores(as) de leitura de bibliotecas comunitárias ao Museu Afro Brasil e às manifestações negras em seus territórios; 3) Prêmio Akoni de promoção da igualdade racial que valoriza a produção de estudantes da rede pública; e 4) Revista Ashanti sobre a formação de educadores(as) para o registro de práticas sobre relações raciais na educação.
Com Bel Santos Mayer (educadora social, coordenadora do Ibeac e gestora da Rede LiteraSampa)
12h30 às 14h: Intervalo para almoço
14h às 15:45 – Conferência: Diáspora, resistências negras e outras histórias afro-atlânticas.
Na conferência em formato de diálogo com professora(e)s e educadora(e)s, Hélio Menezes falará sobre desafios e propostas da exposição Histórias Afro-Atlânticas. A comunicação tratará de obras, artistas, temas, personagens e histórias que dão corpo à mostra, com o intuito de suscitar debates sobre diáspora africana nas Américas, racismo, formas de resistência e de produção artística negras; bem como de pensar estratégias de ensino-aprendizagem desses temas em contextos educacionais.
Com Hélio Menezes (antropólogo, internacionalista e curador independente.)
Mediação: Flávio Cerqueira (artista plástico)
Cronograma do encontro:
10h às 12h30: palestras matinais
12h30 às 14h: horário de almoço
14h às 15h45: conferência
15h45 ás 16h15: café e confraternização
16h15 às 18h: horário de livre visitação das exposições.
*Todxs os participantes ganharão ingressos gratuitos para visitar as exposições até o final do dia.
Convidados: Bel Santos Mayer, Wanderson Flor Nascimento, Fernanda Miranda, Hélio Menezes e Flávio Cerqueira.
Público: professorxs, educadorxs e interessados em geral.
Legenda: Marcel Gautherot, Xaréu, 1940 – 45, Doação Pirelli, 1997, Coleção Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand / Acervo Instituto Moreira Salles