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Histórias Afro-Atlânticas: caminhos do saber, maneiras de expor

11.8 | sáb | 10-18h

O ciclo Histórias afro-atlânticas no MASP é constituído por exposições monográficas de artistas cujas obras são atravessadas por questões raciais e, ainda, de uma grande exposição coletiva que sintetiza o tema abordado ao longo ano. As exposições e também os programas públicos abordam os discursos e as visualidades, ora de reprodução, ora de resistência frente às violências que estruturaram as sociedades ocidentais ao longo da modernidade. Em seu conjunto, baseiam-se na ampliação de perspectivas e de olhares sobre diferentes períodos históricos, territórios e linguagens artísticas, e consideram os fluxos e refluxos entre África, Américas, Caribe e Europa.

O MASP Professores de agosto, “Histórias Afro-Atlânticas: caminhos do saber, maneiras de expor”, tem como tema os processos de produção e de difusão de saberes e de arte no espaço afro-atlântico. A primeira parte do encontro discutirá iniciativas de tradução de teóricos africanos e afro-brasileiros, bem como os meios de propagação e ampliação ao acesso a tais conteúdos em bibliotecas virtuais e comunitárias. Já a conferência da tarde, em diálogo sobre curadoria e presença de artistas negros contemporâneos no circuito das artes, tratará especificamente da exposição Histórias Afro-Atlânticas.

PROGRAMAÇÃO

10h às 12h30 – Produção e difusão de saberes afro-atlânticos

Pensares e saberes: as filosofias africanas e afro-diaspóricas como caminhos de nossa história.

Nesta comunicação, Wanderson Flor do Nascimento, compartilhará sua experiência de ensino e pesquisa sobre as filosofias africanas com base na construção de um portal na internet onde é disponibilizado um conjunto de textos em língua portuguesa. A palestra tratará da importância do conhecimento dos saberes ancestrais africanos no reconhecimento mais pleno da identidade brasileira e no enfrentamento ao racismo como problema crônico de nossa sociedade, com o intuito de buscar a sensibilização para o trato com o pensamento africano e afro-brasileiro no trabalho pedagógico nas escolas, em atendimento ao artigo 26-A da LDB (introduzido pela Lei Federal 10.639/2003), não apenas como conteúdos, mas também como campo de sentidos para a abordagem dos conhecimentos. 

Com Wanderson Flor Nascimento (Professor de filosofia e bioética da UNB)
Mediação: Fernanda Miranda (Doutoranda em Letras pela USP).

Me vejo no que vemos, me leio no que lemos: a contribuição das bibliotecas comunitárias para a difusão e construção de saberes afro-atlânticos

Bel Santos Mayer apresentará estratégias desenvolvidas a partir de bibliotecas comunitárias, para aproximação à literatura negra/afro-brasileira, muitas vezes negligenciada na formação de leitores(as). Dará destaque a quatro práticas desenvolvidas nos últimos anos: 1) LiteraSampAfro que proporciona o estudo de autores(as) negros; 2) Akpalô que aproxima mediadores(as) de leitura de bibliotecas comunitárias ao Museu Afro Brasil e às manifestações negras em seus territórios; 3) Prêmio Akoni de promoção da igualdade racial que valoriza a produção de estudantes da rede pública; e 4) Revista Ashanti sobre a formação de educadores(as) para o registro de práticas sobre relações raciais na educação.

Com Bel Santos Mayer (educadora social, coordenadora do Ibeac e gestora da Rede LiteraSampa)

12h30 às 14h: Intervalo para almoço

14h às 15:45 – Conferência: Diáspora, resistências negras e outras histórias afro-atlânticas.
Na conferência em formato de diálogo com professora(e)s e educadora(e)s, Hélio Menezes falará sobre desafios e propostas da exposição Histórias Afro-Atlânticas. A comunicação tratará de obras, artistas, temas, personagens e histórias que dão corpo à mostra, com o intuito de suscitar debates sobre diáspora africana nas Américas, racismo, formas de resistência e de produção artística negras; bem como de pensar estratégias de ensino-aprendizagem desses temas em contextos educacionais.

Com Hélio Menezes (antropólogo, internacionalista e curador independente.)
Mediação: Flávio Cerqueira (artista plástico)

Cronograma do encontro:

10h às 12h30: palestras matinais
12h30 às 14h: horário de almoço
14h às 15h45: conferência
15h45 ás 16h15: café e confraternização
16h15 às 18h: horário de livre visitação das exposições.
*Todxs os participantes ganharão ingressos gratuitos para visitar as exposições até o final do dia.

Convidados: Bel Santos Mayer, Wanderson Flor Nascimento, Fernanda Miranda, Hélio Menezes e Flávio Cerqueira.   
Público: professorxs, educadorxs e interessados em geral.


Legenda: Marcel Gautherot, Xaréu, 1940 – 45, Doação Pirelli, 1997, Coleção Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand / Acervo Instituto Moreira Salles


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Participantes

Bel Santos Mayer possui graduação em Ciências Matemáticas pela Universidade São Judas Tadeu (1986) e em Turismo pela Universidade Anhembi/Morumbi (2014), tem especialização em Pedagogia Social pela Università Salesiana Di Roma (1997) e é mestranda do Programa de Pós-graduação em Lazer e Turismo da Universidade de São Paulo. De 2008 a 2017 coordenou as ações de promoção da igualdade racial da Secretaria Municipal de Educação de Guarulhos, sendo responsável pela criação e coordenação do Prêmio Akoni de promoção da Igualdade Racial e da Revista Ashanti Coordenadora do Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário – IBEAC desde 1997, desenvolve programas de formação em Direitos Humanos e facilita processos de criação de Bibliotecas Comunitárias gerenciadas por jovens. É membro do grupo gestor da Rede LiteraSampa.

Wanderson Flor Nascimento é graduado e mestre em filosofia e doutor em bioética pela Universidade de Brasília (UNB). É professor Adjunto do Departamento de Filosofia da UnB, do Programa de Pós-graduação em Bioética (FS-UnB), do Programa de Pós-Graduação em Metafísica (IH/UnB) e Co-líder do GEPERGES Audre Lorde (UFRPE/UnB-CNPq). Pesquisador das áreas de filosofia africana, das interfaces entre a filosofia e a educação, ética, filosofia política e, também, das bases conceituais da bioética. Investiga, entre outros, relações raciais, saúde da população negra, religiosidades e diversidades de gênero e de orientação sexual, direitos humanos, estudos sobre a colonialidade e suas repercussões na educação (sobretudo, no que diz respeito à formação docente) e na bioética.

Fernanda Miranda formou-se em Letras pela Universidade de São Paulo, possui Mestrado em Letras (USP, 2013) e está concluindo o Doutorado pela mesma universidade. Desde 2008 pesquisa literatura de autoria de mulheres negras brasileiras. Autora de dissertação sobre Carolina Maria de Jesus, publicou "Carolina Maria de Jesus: literatura e cidade em dissenso" (2017). Dedica-se atualmente ao estudo do corpus de romances de autoras negras brasileiras. Estuda e discute temas em torno de Cânone literário e colonialidade; Literatura negra; Autoria feminina negra brasileira; Romance e Diáspora.

Hélio Menezes possui graduação em Relações Internacionais e em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo. É mestre e doutorando em Antropologia Social pela mesma universidade, onde atua como pesquisador do NUMAS e do núcleo Etno-História. Foi coordenador internacional do Fórum Social Mundial. Atualmente, trabalha como curador independente e tem desenvolvido reflexões sobre arte afro-brasileira, relações raciais, juventude negra, antropologia da imagem, museus, arte e ativismo. É também um dos curadores da exposição Histórias Afro-Atlânticas (MASP e Instituto Tomie Othake, 2018).

Flávio Cerqueira é mestrando em processos e procedimentos no Instituto de Artes pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). É artista plástico e desde de 2009 expõe regularmente no Brasil e no exterior e seu trabalho faz parte do acervo de importantes instituições como MAC - USP, Museu Afro Brasil, Museu Nacional da República, Itamaraty e Pinacoteca do Estado.
 

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