MASP

Dora Longo Bahia

Campo e contracampo (Presidente do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand e 11 de junho de 2013), 2017

  • Autor:
    Dora Longo Bahia
  • Dados biográficos:
    São Paulo, Brasil, 1961
  • Título:
    Campo e contracampo (Presidente do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand e 11 de junho de 2013)
  • Data da obra:
    2017
  • Técnica:
    Acrílica sobre linho, gravação sobre metal e cavalete de concreto e vidro
  • Dimensões:
    265 x 100 x 40 cm
  • Aquisição:
    Doação da artista, 2018
  • Designação:
    Instalação
  • Número de inventário:
    MASP.10752
  • Créditos da fotografia:
    Eduardo Ortega

TEXTOS



Este trabalho faz parte de um conjunto de seis obras concebido para ser exposto na pinacoteca de cavaletes de vidro do MASP durante a mostra Avenida Paulista (2017). Para tal, Longo Bahia concebeu retratos dos seis presidentes das instituições culturais privadas localizadas na avenida Paulista — Instituto Moreira Salles, Instituto Cultural Safra, Centro Cultural Fiesp, Sesc São Paulo, Instituto Itaú Cultural, além do próprio MASP — sem representá‑los de fato, deixando a tela em branco, e se referindo aos retratados apenas nos títulos das obras (o “campo” do título). O trabalho se relaciona assim com os muitos retratos existentes na pinacoteca do MASP, aludindo também ao monocromo branco, o ponto alto de uma certa história da pintura moderna, da abstração e do minimalismo. No verso dos retratos brancos (o “contracampo”), Longo Bahia pintou cenas de embates entre policiais e manifestantes ocorridas nas proximidades das respectivas instituições culturais na avenida Paulista, indicando no título a data em que foram registradas por fotógrafos de jornais — no caso do MASP, em 11 de junho de 2013. Desse modo, a artista contrapõe as elevadas atividades artísticas desenvolvidas dentro das instituições em um dos principais eixos culturais do Brasil, aos violentos enfrentamentos que ocorreram do lado de fora em diferentes momentos da década de 2010. Em que medida a arte revela ou escamoteia a realidade da rua, o entorno do museu? De que modo a pinacoteca do MASP e os cavaletes de vidro podem representar ou refletir os confrontos e as contradições da vida lá fora?

— Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, 2020


Fonte: Adriano Pedrosa (org.), MASP de bolso, São Paulo: MASP, 2020.




Por André Mesquita
Para mim, um destaque de Avenida Paulista em 2017 foi a série de pinturas Campo e contracampo, de Dora Longo Bahia, instaladas nos cavaletes de vidro de Lina Bo Bardi. Uma das pinturas foi doada pela artista para o museu e está sempre em exposição. O público se surpreende ao ver no cavalete uma tela branca. Os espaços vazios das telas deveriam ser preenchidos com os retratos dos presidentes das principais instituições culturais privadas da avenida Paulista. Os retratos porém nunca foram feitos, e apenas os cargos dos diretores são indicados no título. No verso desses retratos, atrás das telas brancas, Dora pintou cenas de repressão policial contra manifestantes na avenida Paulista retiradas de fotografias feitas desde junho de 2013 — as datas nos títulos das obras indicam o dia em que foi feita a foto utilizada como referência. Essas imagens me levam a um passado que hoje completa 20 anos. Eu participei dos protestos do movimento de resistência global no começo dos anos 2000 contra a Organização Mundial do Comércio e o Banco Mundial, e muitas dessas manifestações foram reprimidas pela polícia militar na avenida Paulista. De algum modo, vi momentos importantes de minha vida e de muitxs amigxs retratados nesses trabalhos. Campo e contracampo constitui uma lembrança de que lutas de movimentos sociais nas ruas e instituições culturais articulam disputas e espaços de poder sobre as narrativas contemporâneas, mas que no MASP, com essa obra no acervo, podem também se encontrar e servir como meio de discussão sobre essas histórias.

— André Mesquita, curador, MASP, 2020




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