MASP

Desconhecida (Artista otomana)

Toalha cerimonial, Final do século 19

  • Autor:
    Desconhecida (Artista otomana)
  • Dados biográficos:
  • Título:
    Toalha cerimonial
  • Data da obra:
    Final do século 19
  • Técnica:
    Fio de metal sobre tecido de linho
  • Dimensões:
    127 x 45,5 cm
  • Aquisição:
    Compra no contexto da exposição Histórias das mulheres, histórias feministas, 2019
  • Designação:
    Tecido
  • Número de inventário:
    MASP.10866
  • Créditos da fotografia:
    MASP

TEXTOS



A mostra coletiva Histórias das mulheres: artistas até 1900, no primeiro andar do museu, apresentou um conjunto de têxteis produzidos por mulheres do antigo Império Otomano (circa 1299‑1922), que abarcou uma vasta região, incluindo cidades como Bagdá, Jerusalém, Damasco e Istambul, no Oriente Médio, e Argel, Trípoli e Cairo, no norte da África, chegando a uma porção da Europa, em Atenas, Belgrado e Budapeste. Os três tecidos da exposição fazem referência à tradição iconográfica islâmica, conhecida por suas padronagens altamente elaboradas. Um equívoco comum diz respeito à suposta proibição religiosa muçulmana da representação de figuras humanas. Na verdade, essa é uma tradição mais antiga, herdada do judaísmo e do cristianismo, cuja referência está na Bíblia, em Deuterônimo 5:8 e Êxodo 20:4: "Não deves fazer para ti imagem esculpida, nem semelhança de algo que há nos céus em cima, ou do que há na terra embaixo". Já a ênfase nas padronagens se refere à filosofia segundo a qual o mundo que Deus criou seria, ele próprio, uma parte de Deus. Para o filósofo andaluz Ibn ‘Arabi (1165‑1240), os seres humanos, ao se esforçarem para conhecer o divino, representariam uma parte à procura da outra, e a manifestação divina estaria presente na repetição das formas naturais. O Islã é uma religião baseada na mensagem do Alcorão (escrito entre 650 d.C. e 656 d.C.), no qual se afirma que o ser humano é responsável por suas ações individuais. Outro equívoco ocidental diz respeito à ideia de uma "cultura islâmica" homogênea. Há muitas culturas islâmicas, distribuídas por diferentes territórios, que se modificaram a partir de práticas culturais locais, dentre elas a infame violência contra as mulheres. Pesquisadores tendem a concordar que a segregação de gênero surgiu mais recentemente no contexto do Islã, e a relevância social da produção têxtil no Império Otomano, tradicionalmente feminina, atesta a valorização das mulheres muçulmanas naquela sociedade.

— Mariana Leme, curadora assistente, MASP, 2020




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