MASP

HISTÓRIAS BRASILEIRAS

1.7–30.10.2022

O MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, por ocasião do bicentenário da independência do Brasil, exibe, de 1 de julho a 30 de outubro de 2022, a mostra coletiva Histórias brasileiras, que ocupa o 1o andar e 1º e 2º subsolos da instituição. A exposição tem direção curatorial de Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP e Lilia Schwarcz, curadora adjunta de histórias do Museu e compreende toda a equipe curatorial da instituição: Amanda Carneiro, curadora assistente, André Mesquita, curador, Fernando Oliva, curador, Glaucea Britto, curadora assistente, Guilherme Giufrida, curador assistente, Isabella Rjeille, curadora, Tomás Toledo, curador-chefe.

Dando continuidade às exposições dedicadas às histórias no MASP, que acontecem desde 2016, com Histórias da infância (2016), Histórias da sexualidade (2017), Histórias afro-atlânticas (2018), Histórias das mulheres, histórias feministas (2019) e Histórias da dança (2020), a nova mostra dessa série oferece novas narrativas visuais, mais inclusivas, diversas e plurais, sobre a história do Brasil.

Seguindo o modelo das exposições do conjunto Histórias, a mostra não é pautada por núcleos organizados cronologicamente, mas por temas, incluindo Mapas e bandeiras, Paisagens e trópicos, Terra e território, Rebeliões e revoltas, Religiões, Festas e Retratos, compostos por trabalhos de diferentes mídias, suportes, tipologias, origens, regiões e períodos, do século 16 ao 21. Neste contexto, a perspectiva privilegiada não é tanto a da história da arte, mas a das histórias sociais ou políticas, íntimas ou privadas, dos costumes e do cotidiano, a partir da cultura visual. Nesse sentido, a mostra expressa também um caráter mais polifônico e fragmentado, fugindo de uma visão definitiva, canônica ou totalizante.

Para compreender a exposição, é importante ressaltar o significado particular das “histórias” em português, que engloba tanto a ficção como a não ficção, relatos históricos e pessoais, de carácter público e privado, e, portanto, possuem uma qualidade mais especulativa, aberta, processual do que a noção tradicional de história. 

PUBLICAÇÕES

Duas publicações serão editadas pelo MASP por ocasião da mostra com aproximadamente 400 páginas cada uma A primeira é um catálogo bilíngue ilustrado com reproduções de todas as obras na mostra, bem como textos dos curadores. A segunda é a antologia, voltada tanto para estudantes quanto especialistas, que reúne textos fundamentais para a compreensão das histórias brasileiras, incluindo textos provenientes de seminários, e apresentada no mesmo formato das antologias que o museu publica a cada ano. 
 

NOTA 14.5.22

SOBRE A EXPOSIÇÃO HISTÓRIAS BRASILEIRAS


O MASP tem a missão de estabelecer, de maneira crítica e criativa, diálogos entre passado e presente, culturas e territórios, a partir das artes visuais. Justamente por ser um museu diverso, inclusivo e plural, o MASP preza pela liberdade de expressão e vem a público esclarecer seu compromisso com a arte e com a democracia no país.


O Museu, em seus mais de 70 anos de história, jamais censurou ou inibiu qualquer forma de expressão artística. Pelo contrário, ao longo das décadas a instituição foi palco de discussões importantes da sociedade, como as presentes nos ciclos anuais de exposições Histórias da sexualidade, Histórias afro-atlânticas, Histórias feministas e Histórias indígenas.


Em 2021-22, em especial, a programação do MASP está dedicada às Histórias Brasileiras, no marco dos 200 anos da independência, com uma grande exposição coletiva de mesmo nome que pretende rever criticamente a história do país. A exposição, com previsão de inauguração em 1 de julho de 2022, está organizada em 7 núcleos temáticos: “Mapas e bandeiras”, “Paisagens e trópicos”, “Terra e território”, “Rebeliões e revoltas”, “Mitos e ritos”, “Festas” e “Retratos”. Fazia ainda parte do conjunto o núcleo “Retomadas”, com curadoria de Clarissa Diniz, curadora convidada, e Sandra Benites, curadora adjunta, cuja participação foi cancelada a pedido das próprias curadoras em 3 de maio deste ano.


O cancelamento se deu pela impossibilidade de incluir, no núcleo, 6 obras de fotógrafos ligados ao Movimento Sem Terra – MST, solicitadas pelas curadoras ao departamento de produção do museu, muito fora dos prazos do cronograma estabelecido em contrato. Essas restrições são comuns no processo de produção e impediram também que outros curadores da mostra solicitassem algumas obras em seus respectivos núcleos.


A produção já havia procurado flexibilizar os prazos para solicitação de empréstimo de obras – mínimo de 6 meses (para museus brasileiros) e 4 meses (para galerias, coleções particulares e artistas) – e inclusive aceitou um pedido de inclusão de cartazes e documentos do acervo do MST. O cronograma é muito importante para a montagem saudável e de qualidade para todas as equipes envolvidas, sobretudo em uma exposição deste porte: são mais de 300 obras, ocupando dois andares no museu, com um corpo curatorial composto por 11 integrantes, e equipe operando no limite de prazos. É imprescindível, portanto, maior rigidez e disciplina com relação a todas as instâncias, não só curatorial e de produção, mas também contratuais.


A negativa do MASP para a inclusão das 6 fotografias não está, de forma alguma, vinculada ao conteúdo das obras, tampouco representa qualquer censura ao MST – algo inadmissível em uma instituição democrática como o MASP. Vale destacar que um texto de autoria do MST foi incluído no livro Histórias Brasileiras: Antologia, que acompanha a exposição e será lançado em julho, descartando, portanto, qualquer hipótese de censura. Ainda, o núcleo “Rebeliões e revoltas”, da mesma mostra, inclui diversas imagens ligadas a manifestações e movimentos sociais.


O museu lamenta profundamente o cancelamento de “Retomadas”. A exposição Histórias Brasileiras seguirá com os outros 7 núcleos organizados pelos curadores do MASP – Adriano Pedrosa, Amanda Carneiro, André Mesquita, Fernando Oliva, Glaucea Britto, Guilherme Giufrida, Isabella Rjeille, Lilia Schwarcz e Tomás Toledo.

NOTA 20.5.22

SOBRE A EXPOSIÇÃO HISTÓRIAS BRASILEIRAS


20 de maio de 2022


O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand vem a público com um novo posicionamento sobre o cancelamento do núcleo "Retomadas", que fazia parte da mostra coletiva Histórias brasileiras, a ser inaugurada em 1º de julho próximo. A exposição faz parte da série de Histórias, que incluiu Histórias da sexualidade (2017), Histórias afro-atlânticas (2018), Histórias feministas (2019), entre outras.


O Museu tem refletido muito sobre o atual momento e, como um museu vivo, busca aprender com este episódio, inclusive observando falhas processuais e erros no diálogo com as curadoras Clarissa Diniz e Sandra Benites, responsáveis pelo núcleo “Retomadas”. A instituição lamenta publicamente o cancelamento do núcleo, tão importante para a exposição, e a saída das curadoras do projeto.


Pretendendo avançar para que episódios semelhantes não se repitam no futuro, estamos abertos a ouvir Benites e Diniz, com a finalidade de aprendermos com essa experiência e aprimorarmos processos e modelos de trabalho.


Nesse sentido, caso as curadoras concordem, propomos adiar a abertura da exposição e reorganizar o seu cronograma para que possamos incluir o núcleo "Retomadas" na mostra.


Outra medida que estamos propondo é a realização de um seminário público durante a exposição sobre o núcleo “Retomadas” com a participação das curadoras.


Por fim, iremos propor a incorporação ao acervo do Museu, das 6 fotografias de autoria de André Vilaron, Edgar Kanaykõ Xakriabá e João Zinclar, caso seja do interesse dos artistas, como registro da importância dessas imagens para a história do MASP e reconhecimento do trabalho desenvolvido pelas curadoras junto ao Movimento Sem Terra—MST.


O MASP está comprometido com a abertura de novos espaços de escuta, na certeza de que o que queremos é um Brasil mais plural, inclusivo e democrático - que só pode ser construído coletivamente, a partir do diálogo aberto, empático e colaborativo.