MASP

Histórias feministas: artistas depois de 2000

23.8-17.11.2019

Esta exposição reúne 30 artistas e coletivos que emergiram no século 21 e que trabalham com base em perspectivas feministas, ampliando um debate que ganhou visibilidade nas artes visuais entre os anos 1960 e 1980, mas que segue cruzando lutas, narrativas e conhecimentos. Abordar as histórias feministas no presente significa ter como ponto de partida um tempo em plena construção e urgência. Abordar essas histórias no MASP tem ainda uma característica especial, pois são contadas a partir de um museu localizado no Sul Global, que possui a mais importante coleção de arte europeia deste hemisfério e se localiza em uma das principais avenidas da cidade de São Paulo, palco de manifestações e de disputas políticas, sociais, econômicas e simbólicas. Trata-se de um museu projetado por Lina Bo Bardi (1914-1992), que incluiu em sua construção um vão livre, permitindo que este edifício fosse atravessado pelo espaço público e suas contradições. Portanto, esta exposição considera as relações possíveis entre o museu e a rua, entre a arte e o ativismo. 

Não existe uma definição única do que constituiriam as práticas e as estratégias feministas na arte, mas há o entendimento plural de suas vertentes, considerando as diversas formas de atuação e as especificidades dos contextos em que elas se inserem, por isso, foram chamadas histórias feministas, no plural. A categoria “mulher” também não se conceitua nesta mostra como única e universal, pois é atravessada por diversos marcadores sociais, geográficos e temporais que transformam radicalmente essa experiência. No entanto, é possível afirmar que os feminismos são respostas às precariedades materiais, às violações físicas e psicológicas, aos silenciamentos e às subalternidades vivenciadas por mulheres diversas, ao longo de histórias patriarcais e passados muitas vezes coloniais. 

A aproximação entre feminismo e arte é compreendida aqui como uma prática capaz de provocar fricções e diálogos trans-históricos e transnacionais, capaz de revirar e confrontar imaginários, histórias e narrativas apagadas, elaborar corpxs e sujeitxs como ferramentas de luta e transformação política, expor sistemas de poder que perpetuam hierarquias de gênero, raça e classe, e que mantêm tudo o que está relacionado ao “feminino” como sendo menor ou inferior. Apesar de ter como foco a produção de artistas que emergiram no século 21, esta exposição não procura afirmar que as questões do passado estão superadas. No entanto, esta mostra parte do potencial de transformação que existe nos feminismos, não apenas material, mas simbólico, na proposição de outras narrativas e de outras formas de conhecimento, de relação, de poder e de imaginação.

Histórias feministas: artistas depois de 2000 foi organizada em diálogo e em contraponto com a mostra Histórias das mulheres: artistas até 1900, que se encontra no primeiro andar do museu e integra o ciclo de exposições, oficinas, seminários, palestras e publicações do ano de 2019 sob o título Histórias das mulheres, Histórias feministas. Parte deste ciclo anual, são organizadas mostras de Djanira da Motta e Silva, Lina Bo Bardi, Tarsila do Amaral, Anna Bella Geiger, Leonor Antunes, Gego, Catarina Simão, Jenn Nkiru, Akosua Adoma Owusu, Laura Huertas Millán e Anna Maria Maiolino. Histórias feministas ocupa as galerias do primeiro e do segundo subsolos do museu, e tem obras também no primeiro e no segundo andares do museu, e no mezanino do primeiro subsolo. Nesta oportunidade, duas publicações foram editadas: Histórias das mulheres, Histórias feministas, catálogo e antologia. As cores violeta e preta presentes na expografia e no design do catálogo foram escolhidas por constituírem o símbolo de algumas vertentes do movimento feminista.

CURADORIA Isabella Rjeille, curadora assistente, MASP


Aviso: as obras expostas no segundo subsolo do museu estarão em cartaz até 27.10.2019. A mostra Histórias feministas: artistas até 1900 segue até 17.11.2019.

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