Maya Watanabe (Lima, 1983, vive em Amsterdã) é uma artista visual e cineasta que trabalha com videoinstalações. Por meio da investigação dos cruzamentos entre memória pessoal e coletiva, a artista destaca a tensão e a violência que caracterizam os conflitos políticos de seu país natal, o Peru, comuns a outras realidades ao redor do mundo. Sua obra evidencia como esses cenários impactam nossos modos de vida e produzem lacunas na subjetividade, na história e na memória das pessoas atingidas.
Em colaboração com a Equipe Forense Especializada do Peru, Bullet [Bala] documenta o crânio de um corpo não identificado assassinado pelas Forças Armadas do Peru durante o período de violência que assolou o país entre 1980 e 2000 e custou a vida
de quase 70 mil pessoas. Entre os restos mortais encontrados, muitos permanecem com o status de “não identificado”. Tal qual uma paisagem de aspecto rochoso, com crateras de diferentes dimensões, recifes ósseos e ravinas profundas, a parte interna do crânio se revela através de um pequeno orifício: o buraco de uma bala. É a partir dele que a câmera faz seu percurso, da superfície ao interior da caixa óssea.
A imagem da teia de aranha encontrada dentro do crânio indica a passagem do tempo, a negligência e o desinteresse do governo em lidar com casos de corpos não identificados – em contextos de execuções arbitrárias – como o do vídeo. Ela se torna um símbolo concreto da desigualdade social e acrescenta novas camadas de sentido ao conceito de ecologia, que incluem desde a ecologia política e a ecologia social até abordagens decoloniais e cosmopolíticas.
Nesse sentido, Bullet trata das forças que permeiam a vida das pessoas: forças naturais ou sociais que se sobrepõem à observação,
à imaginação e à memória.
Sala de Vídeo: Maya Watanabe é curada por Glaucea Helena de Britto, curadora assistente, MASP. A exposição integra o ano dedicado às Histórias da ecologia, que também inclui exposições monográficas de Abel Rodríguez, Clarissa Tossin, Claude Monet, Frans Krajcberg, Hulda Guzmán, Minerva Cuevas, do coletivo Mulheres Atingidas por Barragens e André Taniki Yanomami, além da coletiva Histórias da ecologia, bem como mostras na Sala de Vídeo de Emilija Škarnulytė, Inuk Silis Høegh, Janaina Wagner e do projeto Vídeo nas Aldeias.
Desde 2019, o MASP tem um grupo de trabalho de sustentabilidade e desenvolve ações como descarbonização, compra de energia renovável e um programa de
gestão de resíduos, iniciativas que se somam à programação de Histórias da ecologia este ano. O novo edifício Pietro Maria Bardi também incorpora soluções sustentáveis, conquistando a certificação LEED (Liderança em Energia e Design Ambiental).