Claudia Martínez Garay (Ayacucho, Peru, 1983) é uma artista multidisciplinar que investiga como a história e a memória sociopolítica peruanas são construídas e transmitidas por meio de imagens, narrativas e artefatos.
Na instalação Y no podrán matarlo [E não poderão matá-lo] (2019–26), a artista recupera a trajetória do líder indígena Túpac Amaru II (1738–1781), que conduziu uma das maiores rebeliões anticoloniais do Peru no século 18. Condenado à morte por comandar o levante, o cacique foi amarrado pelos braços e pelas pernas a quatro cavalos, que foram conduzidos em direções opostas para desmembrá-lo. Após o fracasso da ação, ele foi executado e seus membros foram enviados a diferentes localidades do país como demonstração pública da sua derrota.
No vídeo, trechos do filme Túpac Amaru (1984), em que Reynaldo Arenas interpreta o cacique, são justapostos a cenas em que o ator interpreta, mais uma vez, o mesmo personagem, 35 anos depois. A sequência recupera as batalhas travadas durante a rebelião e a tentativa de execução do revolucionário por meio da fragmentação do seu corpo. Martínez Garay revisita esse acontecimento ao ficcionalizar, a partir de animações em 3D, o renascimento de Amaru II, cujos braços, pernas e cabeça se regeneram e se reúnem.
A projeção da imortalidade do líder, elaborada no vídeo e condensada no título da obra, é também transposta para o espaço expositivo, onde um desenho que retoma a tentativa de desmembramento é entalhado nas faces de quatro esculturas monolíticas feitas de isopor. Evocando totens andinos, os objetos sugerem uma dimensão ritualística e devocional, convertendo a instalação em uma espécie de monumento à luta indígena anticolonial peruana. Ao articular um passado histórico, sua reencenação no presente e um futuro imaginado, a artista reafirma a figura de Túpac Amaru II como um emblema de permanência e liberdade.
Sala de Vídeo: Claudia Martínez Garay é curada por Teo Teotonio, assistente curatorial, MASP.
A exposição integra o ano dedicado às Histórias latino-americanas, que também inclui mostras monográficas de Carolina Caycedo, Claudia Alarcón & Silät, Coletivo Acciones de Arte, Damián Ortega, Jesús Soto (1923–2005), La Chola Poblete, Manuel Herreros de Lemos e Mateo Manaure Arilla, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich (1958–2005), Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani e Sol Calero, bem como apresentações na Sala de Vídeo de Clara Ianni, Edgar Calel, Oscar Muñoz e Regina José Galindo, além da coletiva Histórias latino-americanas.
Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, mediante solicitação pelo e-mail acessibilidade@masp.org.br; textos e legendas em fonte ampliada e conteúdos audiovisuais com audiodescrição, legendagem e interpretação em Libras. Todos os materiais ficam disponíveis no site e canal do Youtube do museu e podem ser utilizados por pessoas com ou sem deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessadas, seja em visitas espontâneas ou acompanhadas pela equipe MASP.
Visitas acessíveis
Pessoas com deficiência podem fazer uma visita acompanhada pela equipe MASP.
Solicitação via e-mail: acessibilidade@masp.org.br.
Cadernos com textos e legendas em fonte ampliada
Os cadernos acessíveis contêm todos os textos e legendas das exposições, em fonte ampliada, além de instruções sobre as salas de exposição, disposição das obras, fluxos e circulação, e breve descrição do espaço. Os cadernos físicos ficam disponíveis para uso durante a visita e a versão digital, em PDF, pode ser acessada via QR code. Com leitor de tela, é possível ouvir todo o conteúdo textual das mostras.