MASP

Violência sexual na literatura de língua portuguesa

Horário
19h-22h
Duração do Módulo
8, 15, 22, 29 e 30.8.2019
(5 aulas)
Investimento

5x R$104,00*

5x R$88,40*

*valores parcelos no cartão de crédito

Coordenação

Amara Moira

Os lusíadas, Iracema, O cortiço, Bom crioulo, Macunaíma, Menino de engenho. Quais dessas obras retratam episódios de violência sexual? O que comentar sobre a nossa poesia dita "erótica" ou "obscena"? Talvez pareça mais fácil reconhecer passagens de violência sexual em textos de Jorge Amado ou Rubem Fonseca, autores que revelam especial predileção por esse tipo de cena. Mas, ainda assim, resta pensar os sentidos que essas passagens assumem no contexto mais amplo da própria obra e da cultura em que elas se inserem. 
Questões como raça e gênero, levantadas nesses textos, serão analisadas a partir de teorias feministas sobre sexo e sexualidade. Por meio da discussão de textos literários e teorias emblemáticas, o curso pretende trabalhar nossa sensibilidade ante narrativas de sexo e estupro, além de pensar como seriam as representações de erotismo capazes de confrontar a misoginia e o racismo que nos permeiam. Haja vista os números alarmantes de violência sexual no Brasil, como se comporta o nosso cânone ao retratar o sexo?

Planos de aulas

Aula 1 – 08.08.2019
Representações do consentimento: quando a literatura se faz lei

A partir de uma conhecida passagem de Os lusíadas, “A Ilha dos Amores”, vamos analisar as considerações críticas que têm sido dedicadas a ela e o impacto da passagem na forma como o estupro é compreendido juridicamente.

Aula 2 – 15.08.2019
Como se narra uma cena de violação sexual?

Discutiremos obras em que, claramente, o estupro é tematizado, com atenção especial para as produções de Rubem Fonseca e Jorge Amado. A proposta será pensar a maneira como essas narrativas se constróem e as implicações de sentido pelos caminhos escolhidos.

Aula 3 – 22.08.2019
A violação como erotismo e brincadeira

O que há de comum entre Macunaíma, o herói da nossa gente, e boa parte dos nossos poemas referidos como "eróticos", "obscenos" ou "pornográficos"?

Aula 4 – 29.08.2019
Racialização dos corpos na figuração do estupro

Como se comportam as narrativas ao envolver corpos brancos, negros e indígenas?

Aula 5 – 30.08.2019
O estupro em autobiografias

O papel do estupro e do sexo nas narrativas de memórias, sobretudo nas de pessoas trans e prostitutas.

Coordenação

Amara Moira é travesti, feminista, doutora em teoria e crítica literária pela Unicamp com tese sobre Ulysses, de James Joyce. É autora do livro autobiográfico E se eu fosse puRa (hoo editora, 2016) e do capítulo “Destino Amargo”, do livro Vidas trans – A coragem de existir (Astral Cultural, 2017). Escreve artigos sobre literatura trans e personagens trans na literatura, assim como ensaios de crítica literária feminista.

Conferencistas