MASP

Diálogos sobre territórios e resistências negras

26.5.2018 Sábado 10h às 18h

O terceiro MASP Professores deste ano, Diálogos sobre territórios e resistências negras, tem como tema a ocupação dos espaços urbanos pela população negra e os desafios impostos pelas desigualdades sociais que, com efeito, afetam o acesso aos direitos humanos fundamentais, como segurança, cultura e o direito à cidade. Na primeira parte do programa, se discutirá a formação de territórios de sociabilidade e de afeto que fortalecem ações antirracistas, considerando como a utilização dos espaços públicos podem constituir também espaços de trocas e aprendizagens para o âmbito formal e não-formal da educação. Já a segunda sessão, no período da tarde, uma conferência tratará da violência policial e de Estado e o impacto que um sistema de justiça discriminatório têm na vida de jovens negros, com a qual espera-se apontar ferramentas que contribuam para a abordagem do assunto em sala de aula. 

Cronograma do encontro:

10h às 12h30: introdução + palestras matinais
12h30 às 14h: intervalo de almoço
14h às 15h45: conferência
15h45 às 16h15: café e confraternização
16h15 às 18h: horário de livre visitação das exposições
*Todxs ganharão ingressos gratuitos para visitar as exposições até o final do dia.


Programação

10h às 12h30 - Quilombos urbanos e direito à cidade

Diálogos presentes: um convite à descolonização
A palestra “Diálogos presentes (você que não viu): um convite à descolonização” é fruto de anos de vivência das relações sociais e políticas em torno do fundamento racial. Neste diálogo – baseado tanto no conhecimento adquirido por meio da militância, quanto na cientificidade acadêmica – propõe-se, com urgência, narrativas de deslocamento epistemológico. Assim, espera-se que sejam percebidas as marcas sócio históricas que alicerçam a criação de projetos de poder, com foco naqueles que fortalecem o bem viver coletivo. A palestra é um chamado para alternância. É um convite à descolonização. É também uma narrativa preta possuída pelas suas orgânicas formas de construção de conhecimento e pelos múltiplos. É um diálogo sobre o sensível, que se materializa nas relações de opressão e, consequentemente, nas relações de resistência. Sem meias palavras. É papo reto. Política.
Com Érica Malunguinho (artevista, transativista e pretativista).

Cartografias afetivas e memórias negras na cidade de São Paulo 
A fala será de apresentação do projeto Sampa Negra, de suas possibilidades de abordagem do patrimônio, das memórias coletivas e da disputa de narrativas sobre a historicidade de São Paulo – mapeando lugares de afeto e de pertencimento da comunidade negra.
Com Isabella Santos (educadora e pesquisadora)

Mediação: Horrana de Kassia Santoz (assistente de mediação e programas públicos do MASP)

12h30 às 14h00: Intervalo de almoço

14h às 15:45 - Conferência: Criminalização da juventude negra no Brasil.


Na conferência em formato de diálogo, Débora Maria da Silva, coordenadora do movimento Mães de Maio, falará sobre sua experiência na luta contra a violência de Estado. A comunicação tratará das estratégias adotadas pelo movimento social no qual Débora atua, com o intuito de suscitar sensibilidade no tratamento das questões relativas à violência policial e para apoiar professorxs e educadorxs no trabalho com a juventude negra em contextos educacionais.
Com Débora Maria da Silva (fundadora do movimento Mães de Maio)

Mediação: Fernanda Amaru 

Vídeos

Participantes

Érica Malunguinho é pernambucana, artevista, transativista, pretativista, mobilizadora cultural e deseducadora. Mestra em Estética e História da Arte, por mais de uma década trabalhou como educadora, agente cultural e com a formação de gestores e professores da rede pública e da rede de circos-escola. É idealizadora e gestora do quilombo urbano Aparelha Luzia, um território de artes, culturas e políticas pretas. Aparelha Luzia é também visível como instalação estético-política, zona de afetividades e bioma de inteligências pretas. Érica Malunguinho produz trabalhos em múltiplas linguagens artísticas e vê nas interlocuções entre artes, culturas e políticas seus caminhos discursivos.

Isabella Santos é educadora com experiência nos temas turismo, cidade, manifestações culturais e negritude. Já criou mapas afetivos em diversos lugares: com adolescentes em medida socioeducativa, com público espontâneo de oficinas, em Quilombo no Maranhão, em Mogi das Cruzes, com jovens na Zona Sul, entre outros. É criadora do projeto "Sampa Negra - Rosário a Rosário", contemplado pelo Programa Vai.

Horrana de Kassia Santoz possui graduação em Artes Visuais pela Universidade Federal do Espírito Santo (2011). Atua desde 2007 no desenvolvimento de novas práticas educativas em museus, espaços culturais, como arte-educadora, mediadora, pesquisadora, assistente de produção e curadoria. Atualmente, trabalha na equipe de Mediação e Programas Públicos, além de curar a sala de vídeos do MASP.

Débora Maria da Silva é fundadora e coordenadora do movimento Mães de Maio, grupo formado por mulheres que perderam seus filhos na onda de assassinatos que atingiu São Paulo em maio de 2006. O movimento social atua na denúncia das chacinas e das execuções provocadas por ação policial, reivindicando o fim da corporação militar. Também denuncia a impunidade e a negligência dos processos de investigação sobre os crimes de maio pela justiça brasileira.

Fernanda Amaru é mulher, negra, artista, educadora e produtora cultural. Coordena o projeto Arte na Casa (Ação Educativa) de oficinas culturais para internas das unidades da Fundação Casa. Pesquisa violência e encarceramento da juventude negra.