MASP

Cinthia Marcelle | Tiago Mata Machado

O Século, da série B, 2011

  • Autor:
    Cinthia Marcelle | Tiago Mata Machado
  • Dados biográficos:
    Belo Horizonte, Brasil, 1974 | Belo Horizonte, Brasil, 1973
  • Título:
    O Século, da série B
  • Data da obra:
    2011
  • Técnica:
    Vídeo
  • Dimensões:
    9'37"
  • Aquisição:
    Compra, 2014
  • Designação:
    Vídeo
  • Número de inventário:
    MASP.01617
  • Créditos da fotografia:
    Cinthia Marcelle e Tiago Mata Machado

TEXTOS



Embora cada um desenvolva trabalhos autorais, Tiago Mata Machado e Cinthia Marcelle colaboraram em diferentes trabalhos como O século, no qual uma câmera é posicionada em um ponto fixo, de cima, colocando o público em uma situação de vigilância. O vídeo documenta uma “coreografia pública” em uma rua, na qual objetos como capacetes de obras, latões, lâmpadas fluorescentes, caixas de frutas e vidros são arremessados continuamente em uma mesma direção por agentes que não aparecem no campo de visão da câmera. Conforme os objetos são lançados e se acumulam, o barulho se amplia, uma fumaça se projeta e a rua se torna uma ruína de dejetos. Na sequência, a mesma cena se repete, para o outro lado da mesma rua, como se houvesse um conflito entre dois lados que se atacam com as mesmas armas, em condições iguais. A obra, que foi produzida durante o levante de diversos movimentos sociais independentes mundo afora, ecoa movimentos como Occupy Wall Street (2011), Primavera Árabe (2011) e antevendo outros, como as Jornadas de Junho, do Movimento Passe Livre no Brasil (2013), precedendo esse período de grande euforia popular, mas também o avanço conservador sobre os governos de todos esses territórios nos últimos anos.

— Equipe curatorial MASP, 2017


Fonte: MASP: Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo: Instituto Cultural J. Safra, 2017. (Coleção museus brasileiros)




Por Patricia Mourão
Em uma rua qualquer, numa cidade qualquer, são arremessados – sem que se saiba quem, contra quem ou o porquê do lançamento – pedras, paus, garrafas, caixas de plástico, barris de metal, pneus. A cena é enquadrada do alto, em quadro fixo. Depois de um tempo, cessam os ataques e o som de colisões e os estilhaçamentos silenciam; restam os vestígios materiais de uma insurreição. A imagem é então espelhada e a ação reiniciada, agora na direção oposta, com o ataque da esquerda para a direita. O século, vídeo de Cinthia Marcelle e Tiago Mata Machado, apresenta-nos a anatomia dissecada de uma rebelião: a descarga de energia, o rompante e a ruína que se segue. Alegoria de um século de energia revolucionária e destrutiva, que apostava na demolição do velho para a fundação de um novo possível, o filme também é sobre o repertório formal e artístico do século 20: a tela como palco para um acontecimento e não inscrição de uma representação; o investimento no peso, na gravidade, na relação entre materiais do pós minimalismo e da arte processual; a repetição, o espelhamento e o quadro fixo do cinema minimalista e estrutural; o ponto de vista aéreo. Mas talvez O século também seja sobre um século que ainda não terminou. Lançado em 2011, e primeira parte de uma tetralogia chamada Violência divina, o filme antecipa os eventos de junho de 2013, quando manifestações populares e democráticas foram esvaziadas, sequestradas e apropriadas por movimentos conservadores, os quais, em pouco tempo, contra-atacaram com uma agenda retrógrada antidemocrática.

— Patricia Mourão, doutora em cinema, USP, 2021




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