MASP

Lucia Laguna

Paisagem n. 114 (MASP), 2018

  • Autor:
    Lucia Laguna
  • Dados biográficos:
    Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brasil, 1941
  • Título:
    Paisagem n. 114 (MASP)
  • Data da obra:
    2018
  • Técnica:
    Acrílica e óleo sobre tela
  • Dimensões:
    110 x 230 x 3,5 cm
  • Aquisição:
    Doação da artista, 2018
  • Designação:
    Pintura
  • Número de inventário:
    MASP.10802
  • Créditos da fotografia:
    MASP

TEXTOS



Paisagem n. 114 (MASP) foi baseada em uma fotografia que a artista fez da pinacoteca do MASP. Na pintura, é possível identificar referências a obras da coleção: um detalhe de O vestido estampado (1891), de Édouard Vuillard, se confunde com as plantas do jardim da casa da artista; o Autorretrato com marreta (1941), de José Pancetti, acaba se encontrando com O lenhador (1910), de Ferdinand Hodler — ambos os artistas representando trabalhadores. O desenho de uma vista lateral do MASP feito por Lina Bo Bardi convive com um guardião chinês (618-907 d.C.), uma das primeiras esculturas que, em uma montagem anterior, eram avistadas ao se entrar no segundo andar do museu. Disseminadas pelo quadro, o Ar — Cartilha de superlativo (1967-1972), de Rubens Gerchman, e as pequenas figuras chorosas de O velório da noiva (1974), de Maria Auxiliadora, parecem interagir com personagens de obras e tempos distintos. Há também duas alusões à coleção kitsch, não expostas nos cavaletes: um prato de porcelana com relevo no formato de peixes e um sapato de salto plataforma. Na obra, também há referências a As tentações de Santo Antão ( circa 1500), de Hieronymus Bosch, O capitão Andries van Hoorn (1638), de Frans Hals, Nu feminino (1930-1933), de Pierre Bonnard, Fachada com bandeiras (1959), de Alfredo Volpi, e A meditação (após 1897), escultura de Auguste Rodin. Por fim, o quadro todo é seccionado por linhas que aludem às bordas dos vidros dos cavaletes de Bo Bardi, uma presença fantasmagórica que demarca esse espaço.

— Isabella Rjeille, curadora, MASP, 2019


Fonte: Adriano Pedrosa (org.), MASP de bolso, São Paulo: MASP, 2020.




Por Isabella Rjeille
As pinturas de Lucia Laguna são inseparáveis do local onde foram criadas: o ateliê-casa da artista e os arredores do bairro de São Francisco Xavier, zona norte do Rio de Janeiro, que podem ser vistos pela janela de seu estúdio. Assim, Laguna não poderia ter escolhido outro nome para sua exposição ‘Vizinhança’, que curei no MASP em 2018. Esta vizinhança encontra-se em constante expansão e é dela que a artista extrai seu vocabulário de formas e cores–seja pela observação atenta dos bairros vizinhos ou da vista do morro da Mangueira da janela de seu ateliê, seja pelo olhar cuidadoso de seu entorno mais íntimo, composto pelos objetos de sua casa, estúdio e jardim, onde encontramos seus materiais de trabalho, livros de arte, telas prontas ou em processo, plantas que crescem e toda a sorte de coisas que vão se acumulando pela casa. Espaços de arte por onde suas pinturas passaram são incorporadas nesta vizinhança expandida, como Paisagem n. 114 (MASP), produzida no contexto de sua individual no MASP. Nesta tela é possível observar referências a obras que pertencem à coleção do museu e à sua arquitetura, recombinadas e emaranhadas em plantas do jardim da própria artista. Como se dotada de uma força centrípeta, Laguna atrai para o centro de suas telas todas as imagens que a orbitam, fazendo-as colidir em novas e outras composições. O mundo é o que se vê de onde se está, declarou o geógrafo brasileiro Milton Santos, importante referência da artista – e que mundo vemos nós, diante das telas de Laguna?

— Isabella Rjeille, curadora, MASP, 2020




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