MASP

Histórias da arte: o barroco na Europa e na América Latina - 5ª edição

Horário
19H30-21H30
Duração do Módulo
12.3 a 25.6.2018
Segundas-feiras
19H30 e 21H30
Investimento
5 x R$ 256,00*

Amigo MASP

5 x R$ 230,00*



*O parcelamento em 5x só pode ser feito no cartão de crédito.
Professores
Coordenação
Renata Maria de Almeida Martins
Especialistas Convidados
André Luiz Tavares, Cristiana Nunes Galvão de Barros Barreto, Luciano Migliaccio e Márcia Arcuri

O curso introduz os diversos significados da noção de “barroco” na arte da Europa e da América Latina. São abordadas a transferência e circulação de modelos europeus, bem como o desenvolvimento de manifestações originais e multiculturais nos diferentes contextos latino-americanos nos séculos 17 e 18. Primeiramente, o curso discorre sobre obras de artistas do barroco, especialmente na Itália, Espanha e Portugal. Em seguida, sobre o contato com as culturas indígenas, considerando as trocas artísticas no México, nos Andes e no Brasil, da Amazônia ao sul do país. Finalmente, centra-se nas formas de interpretar e retomar a arte ameríndia e colonial no modernismo latino-americano.

Planos de aulas

Aula 1 – 12.3
O barroco entre o local e o global, pluralidade artística em quatro continentes

Apresentação do curso. O Renascimento, o Maneirismo, o Barroco e a Primeira Mundialização. A Interculturalidade na Arte do Barroco. O Barroco entre o global e o local, em quatro continentes. Continuidades e Descontinuidades. Circulações transoceânicas de objetos e suas biografias. O Barroco na América: transferências de modelos e manifestações artísticas originais e multiculturais.

Aula 2 – 19.3
O barroco romano: Bernini, escultor e arquiteto (Conferência com Luciano Migliaccio)

Introdução ao Barroco Italiano. O conceito de Barroco na História da Arte. Os grupos Borghese. As obras para a Basílica de São Pedro. Bernini e o retrato. As fontes e as intervenções urbanas em Roma. Bernini e o teatro. O noviciado dos jesuítas: Igreja de Sant`Andrea al Quirinale em Roma. O Êxtase de Santa Teresa e o bel composto.
Visita na coleção do MASP: Diana adormecida, 1690 - 1700, de Giuseppe Mazzuoli. 

Aula 3 – 26.3
O espaço da arquitetura barroca: Borromini, Pietro da Cortona, Guarino Guarini (Conferência com Luciano Migliaccio)

Borromini em Roma: San Carlo alle Quattro Fontane e Sant`Ivo alla Sapienza; o restauro da Basílica de Latrão; o Palácio da Congregação de Propaganda Fide; o Oratorio dei Filippini. Pietro da Cortona e o urbanismo barroco: igrejas de Santi Luca e Martina e Santa Maria della Pace. Guarino Guarini em Turim: a capela do Santo Sudário; a igreja de San Lorenzo; o Palácio Carignano.

Aula 4 – 02.4
A pintura decorativa do barroco: de Pietro da Cortona a Andrea Pozzo, e a sua difusão internacional (Conferência com Luciano Migliaccio)

Pietro da Cortona: a abóboda do Palácio Barberini em Roma; as obras no Palácio Pitti em Florença; a polêmica com Andrea Sacchi. As obras decorativas de Rubens na França e na Antuérpia. Giovanbattista Gaulli, Andrea Pozzo e a decoração dos espaços religiosos dos jesuítas na Ásia e na América. 
Visita na coleção do MASP: Retrato O arquiduque Alberto VII da Aústria, 1615 – 1632, de Peter Paul Rubens (e ateliê); e Retrato do conde-duque de Olivares, 1624 , de Diego Velázquez.

Aula 5 – 09.4
O Barroco na Península Ibérica (Conferência com André Tavares)

Barroco em Portugal. Arquitetura religiosa: os modelos italianos na época de João V; João Felipe Ludovice e o Palácio de Mafra; Nicolau Nasoni no Porto; Antonio Canevari; os Bibiena em Lisboa. A talha barroca em Portugal. Baccherelli e a pintura decorativa. A pintura de brutesco. Arquitetura barroca na Espanha: o estilo Churriguera. 

Aula 6 – 16.4
O debate sobre o estilo mestiço na arte do barroco latino-americano. 

A obra de Ángel Guido. Mário de Andrade no Brasil. O Debate sobre o estilo mestiço na arte latino-americana: Hispanistas x Indigenistas. Graziano Gasparini na Venezuela. O binômio decoração americana / arquitetura europeia. A obra dos arquitetos bolivianos Teresa Gisbert e José de Mesa. O congresso do barroco Ibero-americano em Roma, 1980. A contribuição de Ramón Gutiérrez. As pesquisas mais recentes: histórias mestiças da arte do Barroco.
Visita na coleção do MASP: Sem título (Aparição do Menino Jesus a santo Antônio de Pádua [?]), 1627 - 1630, de Francisco de Zurbarán; Nossa Senhora dos Remédios, da Escola Cusquenha. 

Aula 7 – 23.4
A circulação de livros ilustrados e a decoração de espaços religiosos na América

As bibliotecas coloniais na América. As bibliotecas dos Colégios Jesuíticos. A circulação de livros ilustrados na América Latina. Livros de emblemas, livros de história natural, iluminuras, grotescas, strapwork. As pinturas de teto em Tunja na Colômbia no século 16 e os estudos de Santiago Sebastián. O uso dos modelos impressos e da tradição emblemática na decoração dos espaços religiosos na América Latina. Modelos flamengos nos retábulos latino-americanos: o exemplo do Rio de Janeiro e de São Paulo, século 17.
Visita na Coleção do MASP: Escultura de Nossa Senhora dos Prazeres, de Frei Agostinho de Jesus

Aula 8 – 30.4
Culturas mesoamericanas e arte europeia no México do período colonial

O (des)encontro / a destruição de ídolos e a substituição de imagens. A mestiçagem e os estudos de Serge Gruzinski no México. Os códices mexicanos. Os cronistas. Arquitetura religiosa e os estudos de Manuel Toussaint e George Kubler. A fachada retábulo. A praça e o mercado. As capelas de índios. As capillas posas. A arquitetura das igrejas cristãs sobrepostas aos templos pré-colombianos.

Aula 9 – 07.5
O barroco no Peru, na Bolívia e no Chile, e a cultura tradicional andina

Objetos de cultura tradicional andina e os aportes europeus no período colonial: keros ou qeros (copos rituais em madeira) e mantos cerimoniais. Cronistas incas: Garcilazo de la Vega e Guamán Poma de Ayala. Motivos andinos na arte barroca. A decoração plana de fachadas. Mitos indígenas e a iconografia da arte barroca andina. O barroco andino híbrido de Gauvin Bailey.
Visita na coleção do MASP:  Anjo com Arcabuz e Nossa Senhora de Copacabana, de Escola do Collao; e copos rituais em madeira policromada, qeros (Coleção Landmann). 

Aula 10 – 14.5
O Barroco Monumental no Nordeste do Brasil

As Missões Franciscanas no Nordeste do Brasil: Bahia e Pernambuco. Os Retábulos e a talha. A Capela Dourada em Recife. A Fachada da Ordem Terceira de São Francisco em Salvador, e a Igreja de São Francisco. A Azulejaria. A Arquitetura dos Engenhos. Os monumentos franciscanos no Recôncavo Baiano: os conventos de Santo Antônio em Paraguaçu, São Francisco do Conde e Cairu. Nossa Senhora do Carmo em Cachoeira. 
Visita na Coleção do MASP: Paisagem com jiboia, circa 1660, de Frans Post. 

Aula 11 – 21.5
Arte Pré-Colombiana: Mesoamérica e Andes (Conferência com Márcia Arcuri)

Arte pré-colombiana em Mesoamérica. Teotihuacán. Astecas. Maias. Mixtecas. Zapotecas. Arte pré-colombiana na região andina. Chavín. Tihuanaco. Paracas. Nazca. Moche, Incas. 
Visita na coleção do MASP: Cerâmicas Pré-Colombianas (Mesoamérica e Andes) da Coleção Landmann.

Aula 12 – 28.5
As artes nas missões jesuíticas na América do Sul: diálogos entre culturas ameríndias, asiáticas e europeias

Arte e arquitetura da Companhia de Jesus em Roma e o projeto global dos jesuítas: existiu um estilo jesuítico? As Missões na América e na Ásia. Artífices Hindus na Arte do Barroco. Escolas de pintura italiana na China e no Japão. Os Trinta Povos das Missões (Brasil, Argentina e Paraguai). As missões de Chiquitos na Bolívia. As missões em São Paulo. As missões na Amazônia (Maranhão e Grão-Pará). As oficinas dos Colégios da Companhia: jesuítas, índios, mestiços e negros artífices.

Aula 13 – 04.6
As artes na Amazônia do período colonial: a contribuição indígena

A missão do rio Tapajós e a cultura indígena: Santarém e Monte Alegre no Pará. Índias pintoras de cuias. O jesuíta luxemburguês João Felipe Bettendorff e a arte e arquitetura no estado do Maranhão e Grão-Pará do século 17. Índios, negros e mestiços entalhadores, o escultor tirolês João Xavier Traer e as obras da igreja do Colégio Jesuítico de Santo Alexandre em Belém, século 18. Os materiais, os instrumentos, a habilidade dos índios no Tesouro Descoberto no Máximo Rio Amazonas de João Daniel, século 18. Objetos e relações da Coleção Etnográfica da Viagem Filosófica de Alexandre Rodrigues Ferreira.

Aula 14 – 11.6
Arqueologia e Arte na Amazônia (Conferência com Cristiana Barreto)

Primeiros estudos. Debate sobre as origens: Marajó/Andes. Pintura Rupestre. Culturas Marajoara, Maracá, Konduri, Tapajônica. Grafismo Indígena. Coleções Arqueológicas. Artes Indígenas: Exposições e Musealização.
Visita na Coleção do MASP: Urnas marajoaras,Coleção Landmann. 

Aula 15 – 18.6
O Barroco e o Rococó em Minas Gerais e o Aleijadinho (Conferência com André Tavares)

Os principais centros do Barroco brasileiro. Arte e arquitetura barroca em Minas Gerais. Aleijadinho. Fortuna crítica do barroco no Brasil do século XIX. O barroco colonial no modernismo brasileiro: da viagem dos modernistas paulistas ao ensaio sobre Aleijadinho de Mário de Andrade. A contribuição de Myriam Ribeiro de Oliveira. 
Visita na Coleção do MASP: Escultura de São Francisco de Paula, atribuída a Aleijadinho . 

Aula 16 – 25.6
Relações entre arte indígena, o barroco e o modernismo no Brasil no contexto latino-americano

A literatura: Mário de Andrade e Raul Bopp. A arqueologia e a arte: Frederico Barata. A primeira exposição antropológica. A decoração marajoara. Theodoro Braga, Carlos Hadler, Manoel Pastana, Fernando Correia Dias de Araújo, Maria Martins. A pesquisa dos artistas nas coleções do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Vicente do Rego Monteiro: Lendas e Crenças dos Índios da Amazônia, Quelques Visages de Paris, figurinos e pinturas
Exposição abordada: Amazônia, Ciclos de Modernidade (CCBB, Rio de Janeiro, 2014)
Visita na coleção do MASP: Menino nu e tartaruga, 1923, Vicente do Rego Monteiro 

Coordenação

Renata Maria de Almeida Martins é doutora pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) - com estágio na Università Degli Studi di Napoli L`Orientale – onde defendeu a tese Tintas da terra, tintas do reino: arquitetura e arte das missões jesuíticas do Grão-Pará, 1653-1759. No primeiro pós-doutorado pela FAU-USP - com estágios na Scuola Normal Superioredi Pisa (SNS), na Pontificia Università Gregoriana (PUG) em Roma, e na Universidad Pablo de Olavide em Sevilha (UPO) - desenvolveu projeto sobre as bibliotecas coloniais, a circulação de livros de emblemas e a decoração dos espaços religiosos na América portuguesa. Em seu segundo pós-doutorado no IFCH-Unicamp realizou projeto sobre as formas de recepção das tradições artísticas ameríndias na arte brasileira durante o período colonial, com pesquisa realizada no Museu de Arqueologia e Etnologia, MAE-USP. Atualmente é responsável pelo Projeto Jovem Pesquisador da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), desenvolvido na FAU- USP, e intitulado Barroco cifrado: pluralidade cultural na arte e na arquitetura nas Missões Jesuíticas no território do Estado de São Paulo(1549-1759).

Conferencistas

André Luiz Tavares Pereira possui graduação em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mestrado em História e doutorado em História da Arte pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Atualmente é professor do curso de História da Arte da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e membro do Programa de Pós-graduação em História da Arte da mesma instituição, tendo atuado igualmente na Pós-graduação em Artes Visuais da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e da Universidade Cruzeiro do Sul.

Cristiana Nunes Galvão de Barros Barreto é bacharel em História, mestre em Antropologia Social e doutora em Arqueologia, sempre pela Universidade de São Paulo (USP). Cursou também o programa de doutorado no Departamento de Antropologia da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos. Nos últimos anos tem se dedicado ao estudo dos universos estéticos da Amazônia pré-colonial e da relação entre estilos das cerâmicas e identidades culturais. Atuou em diversos projetos de gestão e socialização do patrimônio histórico e arqueológico no Brasil e realizou a curadoria de diversas exposições sobre arte indígena pré-colonial, com uma preocupação especial sobre a museologia e exposições de temas antropológicos. Atualmente é pesquisadora do Programa de Capacitação Institucional no Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e filiada ao Arqueotrop / Laboratório de Arqueologia dos Trópicos do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP.

Luciano Migliaccio é curador adjunto de arte europeia do Museu de Arte São Paulo e professor doutor de História da Arte junto ao Departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). É formado em História da Crítica de Arte pela Scuola Normale Superioredi Pisa, Itália. Foi bolsista da Fondazione di Studi di Storiadel'Arte "Roberto Longhi" em Florença, Itália. Recebeu seu doutorado em História da Arte Medieval e Moderna pela Università degli Studi di Pisa em 1990.

Márcia Arcuri é curadora adjunta de arte pré-colombiana do Museu de Arte São Paulo. É graduada em História pela Universidade de São Paulo,mestre em Estudos Ameríndios pelo Departamento de História e Teoria da Arte da Universidade de Essex – Inglaterra, e doutora em Arqueologia pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. É professora adjunta do Departamento de Museologia da Universidade Federal de Ouro Preto e professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Arqueologia do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. Coordena o programa Brasil-Peru de pesquisas arqueológicas no Vale de Lambayeque, em parceira com o Museu Tumbas Reales de Sipán.