As exposições da coleção do MASP recuperam a proposta expositiva de Lina Bo Bardi, em particular o cavalete de vidro. Um objetivo específico do presente curso é considerar o cavalete para além de sua dimensão de mobília expositiva, como parte de um dispositivo. Para essa finalidade, de forma panorâmica, serão abordadas a ênfase nos processos de visibilidade operados na modernidade ocidental e sua articulação em modelos expositivos, assim como as tentativas de desconstruí-los. De maneira mais específica, o conteúdo do curso abordará, a partir desse cenário, exposições ou proposições ocorridas no Brasil e fora do país, considerando o protagonismo das ações de Lina Bo Bardi e do MASP, assim como de outros agentes. Também serão abordadas as iniciativas de incorporação do debate pós-colonial no circuito expositivo e artístico.
O conteúdo será desenvolvido ao longo de cinco encontros de 2 horas. Na primeira metade de cada um desses encontros serão apresentadas temáticas do campo expositivo, teorias e conceitos-chave, com ênfase nas reflexões alinhadas ao giro decolonial. Na segunda parte, uma ou mais exposições históricas serão apresentadas e debatidas. Em todos encontros, a bibliografia comentada assim como outras referências serão compartilhadas com os interessados.
IMPORTANTE
As aulas serão ministradas online por meio de uma plataforma de ensino ao vivo. O link será compartilhado com os participantes após a inscrição. O curso é gravado e ficará disponível aos alunos durante cinco dias. Os certificados serão emitidos para aqueles que completarem 75% de presença.
Aula 1 – 18.7.2022
Revisão da terminologia relacionada ao campo das histórias das exposições. Panorama introdutório sobre pesquisas em histórias das exposições e curadoria no Brasil considerando apontamentos metodológicos para a pesquisa e uso de fontes. Painel de referências históricas no campo curatorial e expositivo: experimentos em arquitetura das exposições no século 20.
Estudos de casos: A elaboração do cubo branco, a partir do The Museum of Modern Art (MoMA) - Nova York, e suas características.
Aula 2 – 19.7.2022
A curadoria independente e panorama das exposições anos 1970: reescritas históricas. Surgimento de novas práticas artísticas e novos agentes no circuito artístico em cenário de Guerra Fria e de ditadura brasileira.
Estudos de casos: Experiências de Lina Bo Bardi a partir da arte e design italiano: Museu de Arte Moderna da Bahia e cavaletes de vidro no MASP; Do corpo à Terra (1970) e Jovem Arte Contemporânea (JAC), no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.
Aula 3 – 20.7.2022
Breve introdução sobre a razão antropofágica a partir do Manifesto Antropófago (1928) de Oswald de Andrade e sua crítica colonial. Seria a Antropofagia uma ferramenta para o salto epistemológico exigido pelas teorias decoloniais? Serão apresentadas exposições dos anos 1990 que incorporam as questões multiculturais em contexto de globalização.
Estudos de casos: Mining the Museum (1992); O Brasil dos viajantes (1994); 24a Bienal de São Paulo - Bienal da Antropofagia (1998) - e o conceito de contaminação na materialidade da mostra.
Aula 4 – 21.7.2022
A exposição como dispositivo: observando relações institucionais. Alguns elementos para o debate: bienais e bienalização, virada educacional na arte e na curadoria; o giro decolonial e sua materialização expositiva.
Estudos de casos: Bienal de São Paulo: 27a (2006) - Como viver junto - e 31a - Como (...) coisas que não existem (2014).
Aula 5 – 22.7.2022
Construção de uma perspectiva a partir do debate pós-colonial: as histórias do MASP. Reencenações expositivas como revisão histórica e historiográfica. Virada Epistemológica: a necessidade de discutir a categoria exposição.
Estudo de Caso: Histórias Mestiças e séries de Histórias. Reencenações expositivas: o cavalete de vidro em novo contexto e experiências a partir do Acervo. Buen Gobierno (2022), exposição de Sandra Gamarra, Madrid.
Mirtes Marins de Oliveira é mestre e doutora em educação: história e filosofia e pesquisadora colaboradora na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP, 2020). É docente e pesquisadora na pós-graduação em design da Universidade Anhembi Morumbi. Curadora de Contra o estado das coisas – anos 70, na Galeria Jaqueline Martins (2014), de Arte para todos! Liberação e consumo (Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto, 2016) e Especular, na Galeria Jaqueline Martins, em 2018. Participou, em 2015, do livro Cultural Anthropophagy: The 24th Bienal de São Paulo 1998, da coleção Exhibition Histories (Afterall). Publicou, com Fabio Cypriano, o livro Histórias das exposições: casos exemplares, pela EDUC (2016). Autora de The body and the opus as a witness of times, sobre o trabalho de Letícia Parente, publicado em The feminist avant-garde: art of the 1970s, 2017. Escreveu para revistas e plataformas Select, Arte Brasileiros!, Artsoul, entre outras. Realizou, em 2019, a exposição Comigo ninguém pode, coletiva versando sobre a essencialização do feminino, na Galeria Jaqueline Martins.
Curadora de Não um sonho, na Galeria Simões de Assis (2021) e Máscaras: fetiches e fantasmagorias, no Paço das Artes (2021-2022). Ministra o curso Histórias da arte - Moderna e Contemporânea no MASP (2021).