MASP

HISTÓRIAS DA DANÇA

12.12
qua
10h-16h

O seminário ‘Histórias da dança’ é a primeira parte de um projeto de longo prazo que se desdobrará em toda a programação dedicada ao tema no MASP, em 2020. Durante um ano, o museu realizará exposições, oficinas, palestras e publicações que pensem e levantem questões sobre as relações, os cruzamentos e os diálogos entre artes visuais e dança através dos tempos. 

Com a participação de pesquisadores, críticos e historiadores da arte, coreógrafos, bailarinos e curadores, o seminário vai estimular a reflexão e a discussão sobre as formas como a dança tem sido representada e apropriada pelas artes visuais, além de abordar a ressonância das propostas de bailarinos e coreógrafos com as de outros artistas. 

Organização: Adriano Pedrosa, André Mesquita e Olivia Ardui

INSCRIÇÕES GRATUITAS NO DIA

A distribuição de ingressos será realizada duas horas antes do seminário, na bilheteria do museu. Para receber o certificado, é necessário o cadastro do e-mail e do nome completo e a apresentação de um documento oficial, no dia do evento. O certificado será enviado depois por correio eletrônico.

PROGRAMA

10h – 10h30

Introdução com Adriano Pedrosa

10h30 – 12h30

THOMAS J. LAX | Todos juntos agora
Por que dizemos “dança” quando na verdade queremos dizer “cuidado”, “precariedade”, “boca a boca” ou “inundação”? Uma discussão sobre três projetos recentes relacionados à “dança” realizados no MoMA, em Nova York: a exposição Judson Dance Theater: The Work is Never Done, co-organizada com Ana Janevski e Martha Joseph; o livro Modern Dance: Ralph Lemon; e um trabalho não comprável de Arthur Jafa.

ISMAEL IVO | Eat me up! – performance como canibalismo cultural 
Pretendo, nesta apresentação, expor minha trajetória e experiência. Costumo me chamar de “artista antropófago”, alguém que sai em busca de assimilar o maior número de informações, técnicas e experiências para desenvolver uma identidade própria; grandes bailarinos e coreógrafos de vários estilos, mestres de linguagem como Kazuo Ohno, provenientes da dança e do teatro. O meu interesse e fascínio com as artes visuais me levaram a encontrar com artistas como Yoko Ono, Marina Abramović, o fotógrafo Robert Mapplethorpe e tantos outros.

CARMEN LUZ | As imagens negras da dança 
Esta apresentação refletirá sobre a persistência de relações coloniais no mundo da dança e respostas de artistas negras e negros a esse quadro. Alguns eixos que atravessam vida e trabalho desses artistas são a ancestralidade, a espiritualidade, a exploração, a opressão, a exclusão, a estereotipia, a reinvenção diaspórica, a luta por “representações justas” do corpo negro e o acesso aos espaços e status historicamente negados. A apresentação abordará criticamente as obras desses artistas e suas histórias repletas de anseios de visibilidade, estratégias de sobrevivência e reivindicações por reconhecimento. Essas são questões que hoje mobilizam muitos esforços com vistas a tornar real, permanente e ampliada a presença, a participação e a perspectiva de artistas negras e negros na pesquisa acadêmica e no ensino formal, no pensamento, na produção e na recepção da dança cênica.

14h – 16h 

MATHIEU COPELAND | Coreografando exposições
Coreografar uma exposição é encarar a elaboração de uma exposição pelo prisma da coreografia, através de termos que compõem uma exposição: partitura, corpo, espaço, tempo e memória. Fazer a curadoria de uma exposição envolve a partitura que torna possível sua realização, os corpos que fazem com que ela aconteça, o local que ela habita, o tempo tomado para sua experiência e a memória que permanece depois de encerrado o período de visitação. Coreografar uma exposição é afirmar uma crítica dos “objetos” (de arte) e do “objeto” criado como resultado de uma acumulação de objetos. Coreografar uma exposição é imaginá-la como uma exposição num dado momento no tempo e também como uma exposição de um determinado momento de tempo. Coreografar uma exposição é confrontar a natureza efêmera dos movimentos. A materialidade de um gesto traz à baila a questão da memória de uma obra de arte e, assim, também de sua exposição.

CLÁUDIA MÜLLER | Deslocamentos da dança contemporânea: por uma condição conceitual 
Esta discussão focaliza o diálogo entre dança contemporânea e artes visuais a partir dos anos 1990 e das novas configurações e discussões presentes nos trabalhos de criadores que transitam entre esses dois campos. Procura pensar a dança como arte contemporânea, indagando a si mesma sobre sua condição: o que a constrói e define nesses termos. As relações entre dança contemporânea e o conceitualismo são traçadas observando obras que, abandonando o formalismo e o puro exercício da estética, propõem-se a acrescentar algo em termos de concepção da arte e questionar sua própria natureza. Repensar as convenções da própria dança, o modelo de espetáculo, os espaços e formas de visibilidade são as principais questões investigadas. Especificamente, serão abordados os trabalhos de Wagner Schwartz (Volta Redonda, 1972-) e a produção artística da própria autora para pensar essas relações, reivindicando uma condição conceitual da dança contemporânea nesses trabalhos.

JULIA BRYAN-WILSON | Listar, desenhar, rabiscar / Andar, caminhar, correr
Esta apresentação pesquisa o uso diverso da partitura na dança das décadas de 1960 e 1970 nos Estados Unidos para expressar um movimento pedestre. Observando como uma série de coreógrafos fazia notações de suas ações, usando a partitura tanto como uma ferramenta de composição quanto auxílio da memória, Julia Bryan-Wilson discute como movimentos “cotidianos” foram rastreados, retratados e absorvidos nos discretos mundos tanto da arte quanto do esporte.

PARTICIPANTES 

CARMEN LUZ 
Artista da dança, teatro e cinema. Compõe, atua e dirige obras cênicas presenciais (de dança, teatro e performance) e realizações audiovisuais (cinema-documentário, vídeos de dança e instalação). Atua também profissionalmente como pesquisadora independente, consultora e docente na área audiovisual e em práticas contemporâneas de dança e teatro. Pesquisa as pessoas afrodescendentes, suas produções artísticas e culturais. Trabalha atualmente na pesquisa e desenvolvimento de seu próximo documentário sobre mulheres negras brasileiras na dança. É fundadora, diretora artística e coreógrafa da Cia. Étnica de Dança e Teatro, desde 1994.

CLÁUDIA MÜLLER
Artista com projetos desenvolvidos em dança, performance e vídeo. Doutoranda e Mestre em Artes pela UERJ (2012). Professora do curso de Dança da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Atuou em companhias de dança em São Paulo, Rio de Janeiro e na Alemanha (1990-2000). Em 2000, começou a desenvolver seus próprios trabalhos, apresentados em festivais e centros de arte no Brasil, América do Sul, Europa e África. Em 2017, fez parte da equipe de curadoria da Bienal Sesc de Dança, sendo responsável pelas ações formativas do evento. Foi co-curadora do evento Modos de Existir 8: dançando com artistas-etc no Sesc Santo Amaro em 2018. 

JULIA BRYAN-WILSON
Professora de arte contemporânea na University of California, Berkeley, onde também dirige o Arts Research Center. É autora de três livros, sendo o mais recente deles Fray: Art and Textile Politics, vencedor do Robert Motherwell Book Award de 2018. Bryan-Wilson escreveu vários artigos influentes sobre dança, incluindo “Practicing Trio A” e “Simone Forti Goes to the Zoo”, ambos publicados na revista OCTOBER. Em 2018-19, atua como professora visitante Robert Sterling Clark no Williams College.

ISMAEL IVO 
Diretor artístico do Balé da Cidade de São Paulo. É protagonista da cena europeia de dança-teatro, foi coreógrafo de Márcia Haydée e colaborou com Pina Bausch. De 1997 a 2000, dirigiu a companhia de dança do Teatro Nacional Alemão em Weimar. É um dos fundadores do ImPulsTanz – Festival Internacional de Dança de Viena. Entre 2005 e 2012, foi diretor do Festival Internacional de Dança Contemporânea e do Departamento de Dança da Bienal de Veneza, onde fundou o Centro de Pesquisa de Dança Contemporânea Arsenale della Danza. Também atuou como professor na Universidade de Música e Artes Cênicas de Viena e na Universidade Livre de Berlim.

MATHIEU COPELAND
Curador independente freelancer desde 2003, Copeland foi responsável pela curadoria das exposições VOIDS, A Retrospective, no Centro Pompidou em Paris e na Kunsthalle em Berna, além de editar a célebre antologia VOIDS. Entre várias outras exposições, realizou as curadorias de A Choreographed Exhibition, Soundtrack for an Exhibitiona (2006), Alan Vega (2009), Gustav Metzger (2013) e A Mental Mandala (2013). Ele deu início e fez a curadoria da série A Spoken Word Exhibitions (2007), Reprise (2011 – em andamento) e Exhibitions to Hear Read (2010 – em andamento, apresentada em 2013 no MoMA, em Nova York). Copeland também editou Choreographing Exhibitions, uma antologia e publicação-manifesto aclamada pela crítica. Em 2017, foi co-editor da antologia radical The Anti-Museum.

THOMAS J. LAX
Curador associado de mídia e performance no MoMA desde 2014. Recentemente, co-organizou a exposição Judson Dance Theater: The Work is Never Done (2018), além de organizar ou co-organizar projetos como Modern Dance: Ralph Lemon (2016) e Maria Hassabi: PLASTIC (2016), entre outros. Anteriormente, trabalhou no Studio Museum no Harlem, onde organizou diversas exposições. Thomas escreve regularmente para uma série de publicações, faz parte do conselho do Danspace Project e integra o corpo docente do Instituto de Prática Curatorial em Performance no Center for the Arts da Wesleyan University. É formado em estudos africanos e história da arte pela Brown University e pela Columbia University.