MASP

MIGUEL RIO BRANCO: NADA LEVAREI QUNDO MORRER

30.6 - 1.10.2017

Esta exposição reúne 61 fotografias da série Maciel, produzida em 1979 por Miguel Rio Branco na área de prostituição de mesmo nome, no Pelourinho, em Salvador. Esta é a maior apresentação da série, com uma seleção inédita feita para a mostra. 

Nada levarei qundo [sic] morrer aqueles que mim deve [sic] cobrarei no inferno é a frase que Rio Branco captou de uma parede no interior de uma casa no bairro do Maciel. A sentença de tom profético oferece uma chave de entendimento para o universo dessa região do Pelourinho, abandonada por décadas pelo poder público e conhecida por ser local de prostituição e criminalidade mas também lugar de moradia das populações marginalizadas. Por meses, Rio Branco frequentou o Maciel e estabeleceu um vínculo de afinidade e afeição com seus retratados — como fez Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901) nos bordéis parisienses no final do século 19 que ele representou. A princípio, Rio Branco fez um pacto com seus retratados de que as imagens não seriam exibidas em Salvador, o que lhe garantiu uma relação próxima e franca, possibilitando que a atitude altiva e resoluta dos personagens ganhe protagonismo e poder nas imagens.

A exposição foi organizada em quatro paredes, e cada uma delas enfatiza determinados aspectos da obra de Rio Branco. Na primeira, temos a fotografia que captura a frase-título da mostra, além de diversas cenas de rua em que o estado de deterioração dos edifícios dialoga com o uso que os habitantes deram a eles. Na segunda parede, o sexo se torna mais presente, em retratos e cenas de nudez que adentram os interiores. Na terceira, observam­?se as imagens feitas de dentro para fora ou de fora para dentro dos bares, das casas e de prostíbulos. O interior volta a dominar as fotografias da quarta parede da exposição registrando complexas montagens feitas com imagens de revista no interior da zona, estabelecendo relações entre as fotografadas e outras representações do sexo e da mulher. 

A exposição das fotografias de Miguel Rio Branco faz parte do eixo de programação do MASP com mostras em torno dos temas da sexualidade e do gênero, e dialoga diretamente com a exposição Toulouse-Lautrec em vermelho, localizada na galeria do primeiro andar do Museu, e Tracey Moffatt: Montagens, que se encontra na sala de vídeo do segundo subsolo.

Miguel Rio Branco: nada levarei qundo morrer tem curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, Rodrigo Moura, curador-adjunto de arte brasileira, e assistência de Tomás Toledo, curador. A expografia é da METRO Arquitetos Associados.

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