MASP

MIGUEL RIO BRANCO: NADA LEVAREI QUNDO MORRER

Esta exposição reúne 61 fotografias da série Maciel, produzida em 1979 por Miguel Rio Branco na área de prostituição de mesmo nome, no Pelourinho, em Salvador. Esta é a maior apresentação da série, com uma seleção inédita feita para a mostra. 

"Nada levarei qundo [sic] morrer aqueles que mim deve [sic] cobrarei no inferno" é a frase que Rio Branco captou de uma parede no interior de uma casa no bairro do Maciel. A sentença de tom profético oferece uma chave de entendimento para o universo dessa região do Pelourinho, abandonada por décadas pelo poder público e conhecida por ser local de prostituição e criminalidade mas também lugar de moradia das populações marginalizadas. Por meses, Rio Branco frequentou o Maciel e estabeleceu um vínculo de afinidade e afeição com seus retratados — como fez Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901) nos bordéis parisienses no final do século 19 que ele representou. A princípio, Rio Branco fez um pacto com seus retratados de que as imagens não seriam exibidas em Salvador, o que lhe garantiu uma relação próxima e franca, possibilitando que a atitude altiva e resoluta dos personagens ganhe protagonismo e poder nas imagens.

A exposição foi organizada em quatro paredes, e cada uma delas enfatiza determinados aspectos da obra de Rio Branco. Na primeira, temos a fotografia que captura a frase-título da mostra, além de diversas cenas de rua em que o estado de deterioração dos edifícios dialoga com o uso que os habitantes deram a eles. Na segunda parede, o sexo se torna mais presente, em retratos e cenas de nudez que adentram os interiores. Na terceira, observam­-se as imagens feitas de dentro para fora ou de fora para dentro dos bares, das casas e de prostíbulos. O interior volta a dominar as fotografias da quarta parede da exposição registrando complexas montagens feitas com imagens de revista no interior da zona, estabelecendo relações entre as fotografadas e outras representações do sexo e da mulher. 

A exposição das fotografias de Miguel Rio Branco faz parte do eixo de programação do MASP com mostras em torno dos temas da sexualidade e do gênero, e dialoga diretamente com a exposição Toulouse-Lautrec em vermelho, localizada na galeria do primeiro andar do Museu, e Tracey Moffatt: Montagens, que se encontra na sala de vídeo do segundo subsolo.

CURADORIA Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Rodrigo Moura, curador-adjunto de arte brasileira, masp; Tomás Toledo, curador, MASP.