Catherine Opie (Sandusky, Ohio, 1961) é uma das principais artistas da fotografia contemporânea internacional, e esta é sua primeira exposição individual no Brasil. Desde o final da década de 1980, Opie vem trabalhando com fotografia colorida e em preto e branco, e o retrato é um de seus gêneros prevalentes — embora também tenha trabalhado com fotografia de arquitetura e de paisagem, entre outras. De fato, desde a faculdade, ela vem realizando retratos da comunidade queer, da qual faz parte. Assim, num ano dedicado às narrativas, personagens e temas LGBTQIA+ no MASP, esta mostra propõe reunir retratos dessa coletividade feitos por Opie ao longo das décadas.
Um dos grandes nomes da arte contemporânea,
Julian Schnabel mostra no MASP filmes e pinturas
O MASP traz ao Brasil pela primeira vez um dos mais incensados nomes da arte contemporânea: Julian Schnabel, artista plástico e diretor de cinema consagrado por filmes como Antes do Anoitecer e O Escafandro e a Borboleta. No terreno das artes plásticas, sua recente mostra na Galeria Gagosian, de Nova York, rendeu elogios da crítica especializada, que o definiu como “um dos grandes nomes da arte contemporânea norte-americana e mundial”. JULIAN SCHNABEL- LA NIL - Pinturas 1988-2014 fica em cartaz de 3 de setembro até 7 de dezembro no MASP.
LA NIL apresenta o trabalho de Julian Schnabel (1941) entre os anos de 1988 e 2014, com obras de grandes dimensões pintadas sobre tela, velas de embarcações encontradas ao acaso e lona encerada usada para proteção de carga e objetos, além de obras recentes feitas sobre bandeiras de navegação e fotografias digitalizadas e impressas. Muitas destas obras foram pintadas ao ar livre em Palm Beach, na Flórida.
A exposição inclui ainda encerados de uso militar, pintados ao ar livre em seu estúdio em Montauk, LongIsland, feitos em homenagem ao grande artista e seu amigo pessoal Cy Twombly, morto em 2011 e cuja influência sobre seu trabalho Schnabel reconhece.
Dois retratos de sua autoria serão exibidos como intervenções na galeria do 2º andar, onde são habitualmente expostas as principais obras da coleção MASP, como as assinadas por Goya, Velázquez e Tiziano. Realizada em espaços distintos, a mostra incluirá também alguns de seus filmes.
A mostra é dividida em três movimentos: figuração, abstração e nova figuração contemporânea, que conduzem o visitante e ilustram o período em que a gravura emancipa-se de outras linguagens, como a pintura e a fotografia, e dedica-se à exploração de seus próprios recursos técnicos e expressivos. Seu retorno a cartaz marca uma atenção do museu para com esta arte, expressa em exposições como as séries completas de Goya (2007); Desenhos espanhóis do Século 20 (2008); Primeiro Expressionismo alemão (2008); O mundo mágico de Marc Chagall (2010), Uma semana de bondade, de Max Ernst (2010); Luzes do Norte - Desenhos e Gravuras do Renascimento Alemão (2012); Papéis Estrangeiros(2012) e Lucian Freud – Corpos e Rostos(2013).
Conforme explica Teixeira Coelho, “a gravura foi e é um mundo em si mesma. Serviu como modo de representar, sem ambições de estilo, tudo que o olho podia ver e a imaginação, conceber. Era maneira de dar a conhecer obras famosas – uma pintura, uma escultura, um desenho, uma outra gravura, uma arquitetura–quando ainda não havia imprensa e fotografia; ou instrumento para o esboço de uma obra que surgia, em gravura ou outra linguagem. E, ainda, uma grande arte em si mesma. Uma gravura se faz com simplicidade de recursos – mas seus resultados podem ser de uma complexidade e beleza ímpares”.
“A gravura feita no Brasil sempre foi uma arte rica, acompanhando os desdobramentos estéticos das demais linguagens. O universo que compõe é amplo e esta mostra, que inclui obras desde o primeiro momento da modernidade até a atualidade, permite uma apreciação de conjunto nem sempre disponível. Inclui artistas que se destacaram especificamente na gravura, como Maria Bonomi, e outros que se serviram também de meios variados. Exercício de intimidade, de corpo a corpo para quem faz e para quem vê, a gravura é, com o desenho, a primeira grande porta para a arte”.
Em nova mostra concebida com obras de seu acervo O triunfo do detalhe. Os mestres antigos: o retrato celebra a arte do retrato e do auto-retrato no período que antecede o Modernismo, do século 16 ao início do 19. São quinze retratos escolhidos pelo curador do MASP Teixeira Coelho, reunindo alguns dos maiores mestres da arte desde o Renascimento: Rembrandt, Tiziano, Velázquez, Goya, Hals, Rubens, Van Dyck, Gainsborough, Allori e Paris Bordon. Com apoio da Lei de incentivo à Cultura e patrocínio do Bradesco e Bradesco Seguros, a mostra ficará no 1º andar do museu.
Para Teixeira Coelho pode-se observar, nesses grandes mestres, a importância central que o detalhe na arte assume a partir do século 16. “Como observa Daniel Arasse, o detalhe torna-se o melhor índice da excelência do artista. É no detalhe que se concentra, mesmo, a ‘verdade em pintura’, um traço que na arte moderna aos poucos desapareceria para ceder lugar à impressão geral e à ideia abstrata”.
Destaques, por Teixeira Coelho:
Retrato do Cardeal Cristoforo Madruzzo – Tiziano Vecellio, 1552 – Madruzzo, como príncipe-bispo de Trento, foi membro do Concílio de mesmo nome do qual saiu a Contra-reforma católica. Os objetos na tela simbolizam poder do retratado, sua função (o anel cardinalício, as folhas sobre a mesa, com texto outrora legível). O relógio marca duas e trinta, aludindo a um evento do Concílio. Indica também a transitoriedade do tempo. Tiziano, usando uma paleta de poucas cores, promove uma difusão tonal de modo que os vermelhos da cortina se lançam à face da personagem e avivam o solo. Os vincos da cortina sugerem figuras, como um perfil leonino com o qual Tiziano elogia o retratado em sua condição de astuto mediador entre o papa e o imperador.
O Retrato do Conde-Duque de Olivares – Diego Rodríguez de Silva Velázquez, 1624 – Três aspectos da tela são expressivos: a roupa, o gesto, a efígie. A roupa explicita a desproporção do corpo em relação à cabeça, talvez reduzida em proporção de modo a chamar a atenção para os detalhes do poder: a chave e esporas douradas identificam-no como camareiro-mor e grande escudeiro de Filipe IV, de quem foi primeiro-ministro. Sobre o gibão aparecem a corrente e brasões da ordem militar de Calatrava. Os gestos acentuam a imponência, visível nos braços e nas mãos.
Retrato do Cardeal Luis Maria de Borbon y Vallabriga – Francisco José de Goya y Lucientes, 1798-1800 – O retrato de Vallabriga é correto e suntuoso. Vallabriga, cardeal aos 23 anos, momento deste retrato, era filho de um nobre que fizera a Goya as primeiras encomendas recebidas pelo artista. Além do realismo geral da representação, alguns detalhes se sobressaem, como a faixa vermelha e a insígnia. Mas outros detalhes e signos do poder estão ausentes e são em muito menor número do que nas telas de Tiziano e Rubens, como se Goya quisesse realçar antes os dons intelectuais do cardeal que suas qualidades materiais.
Retrato da Condessa de Casa das Flores – Francisco José de Goya y Lucientes, 1790-97 – Como em outros retratos de Goya, também neste o mundo interior da retratada prevalece sobre seu aspecto exterior e os signos materiais. O vestido branco é soberbo mas, comparado ao retrato de Maria Olycan, de Franz Halls, também nesta sala, fica evidente como, quase um século e meio antes, na tela de Halls, os detalhes da indumentárias, em especial a golilha branca, são uma figura da obra tão importante quanto o rosto do retratado.
Oficial Sentado – Franz Hals, 1631 – O personagem aparece sentado de lado, inclinado para trás, com o cotovelo direito – que se projeta para fora tela – apoiado sobre o espaldar da cadeira. O chapéu desengonçado sobressai com sua grande aba frontal. Seus braços formam um polígono dinâmico de cinco lados em que as mãos, curvas, permanecem contíguas, perfazendo o eixo oblíquo da composição. Com isso o retrato ganha vida, reiterada não apenas pela pincelada empastada, multidirecional, das mangas que produzem saliências agudas, mas também pela luz dourada que banha a face deste personagem de identidade desconhecida, talvez um miliciano de Haarlem, como o título da obra sugere.
Maria Pietersdochter Olycan – Franz Hals, 1638 – Esta obra deve ser observada em comparação ao retrato da Condessa de Casa Flores, de Goya. Como em outros retratos de Goya, também neste o mundo interior da retratada prevalece sobre seu aspecto exterior e os signos materiais. O vestido branco é soberbo, mas, comparado ao retrato de Maria Olycan, de Franz Hals, também nesta sala, fica evidente como, quase um século e meio antes, na tela de Hals, os detalhes da indumentária, em especial a golilha branca, são uma figura da obra tão importante quanto o rosto do retratado.
Autorretrato com barba nascente – Rembrandt Harmensz van Rijn, c. 1635 – “Rembrandt pinta a si mesmo encarando o espectador, do qual está próximo. O artista opera com um claro-escuro teatral que, além de se projetar em diagonal à face da figura, tem transparência tonal que envolve o aveludado do casaco (que impressiona o olho como se este pudesse substituir o toque dos dedos), a maciez do cabelo, a suavidade da boina com o fundo tenebrista. Os detalhes da golinha branca são fortes e impressionantes, mas menos intensos em volume do que nos retratos militares de Franz Hals. Os olhos do artista, porém, são de uma intensidade realista, no detalhe, que torna evidente o principal tema do pintor: o mundo interior do retratado, de si mesmo. Um dos mais importantes retratistas da história, neste aspecto Rembrandt e Goya se aproximam, por caminhos diversos.
Retrato de Alvise Contarini (?) – Paris Bordon, 1525/50 – “Retrato de datação mais remota no Renascimento italiano dentro da coleção MASP, esta obra de Bordon tem em comum com a de Tiziano, na sala seguinte, alguns detalhes comuns como o relógio de mesa, signo da passagem do tempo e da pequenez das vaidades humanas (vanitas vanitatem). De fato, o retratado é representado numa soberba indumentária cujo luxo e voluptuosidade que quase pode ser sentida realmente, e não apenas virtualmente, pelo observador. Este retrato, no entanto, por apresentar o retratado numa espécie de plano americano (no cinema, umplano que apanha a personagem até a altura do joelho aproximadamente), permite uma proximidade maior entre a figura e esse mesmo observador, o que dá à obra um caráter mais intimista.
Esta exposição é a sequência de outra, dedicada aos papéis brasileiros da Coleção MASP, também no campo da gravura, em 2011, e marca uma atenção do museu para com esta arte, expressa em exposições como as séries completas de Goya (2007); Desenhos espanhóis do Século 20 (2008); Primeiro Expressionismo alemão (2008); O mundo mágico de Marc Chagall (2010) e Uma semana de bondade, de Max Ernst, apontada pela APCA como a Melhor Exposição Internacional de 2010.
Papéis estrangeiros: Gravuras
Por Teixeira Coelho, curador do MASP
A impressão de uma imagem sobre placa de barro, pedaço de papel ou tecido foi um dos primeiros recursos de expressão e informação estética -- senão de massa, pelo menos do maior número possível. Foi pela gravura, como pelo desenho, que, antes da fotografia, se tomava conhecimento de alguma notável obra de arquitetura, alguma comentada pintura ou paisagem insólita. E, depois do desenho, foi pela gravura que os artistas puderam expressar-se sem as restrições dos meios mais caros como a pintura. Esta, quando surgiu, revelou-se espetacular, pelas cores e pelo acabamento. Contudo, a gravura manteve seu prestígio junto aos artistas pela liberdade de expressão que permitia, a maior depois do desenho, e pelas possibilidades de experimentação (com os novos recursos da lito, água-tinta, serigrafia etc).
O MASP tem em sua coleção exemplos notáveis de gravuras, da tradição oriental à modernidade ocidental. A informação histórica está presente nessas peças; mais do que isso, porém, marcam-nas a emoção estética do belo exterior ou do estado de espírito interior, desde uma tradicional gravação a buril em papel, do século XVI, a uma atualíssima colagem de xerox. Um universo de narrativas do mundo e da vida está presente nesta segunda exposição de uma série iniciada em 2011 (com Papéis Brasileiros: gravuras) dedicada à arte em papel, mais contemporânea do que nunca.
Mestres da gravura brasileira e internacional estão em mostra inédita com mais de 120 obras do acervo do MASP.
Uma seleção com mais de 120 obras de mestres em diferentes técnicas da arte da gravura está em exibição no MASP desde 05 de março de 2011. Papéis Brasileiros: A Arte da Gravura - Coleção MASP traz obras de Volpi, Tarsila, Babinski, Samico, Manezinho Araújo, Gruber, Jardim, Segall, Grassmann, Valentim, Hudinilson, Nelson Leirner e tantos outros, a maioria deles mestres brasileiros e estrangeiros que vieram para o Brasil.
A mostra apresenta um primeiro movimento da figuração na gravura, tal como manifesta no acervo do MASP, e em seguida os movimentos da abstração e da nova figuração contemporânea. Esta exposição será seguida por outra, futuramente, dedicada aos papéis estrangeiros da Coleção MASP, também no campo da gravura, e marca uma atenção do museu para com esta arte, expressa em exposições como as séries completas de Goya (2007); Desenhos Espanhóis do Século 20 (2008); Primeiro Expressionismo Alemão (2008); O Mundo Mágico de Marc Chagall (2010) e Uma Semana de Bondade, de Max Ernst, apontada pela APCA como a Melhor Exposição Internacional de 2010.
Papéis Brasileiros: Gravura 1910-2008 - Coleção MASP
Por Teixeira Coelho, curador-coordenador
A gravura serviu, na história, a fins diversos. Foi modo prático e barato de representar uma paisagem, uma pintura famosa, uma catedral conhecida mas que poucos podiam ver quando ainda não havia a imprensa e a fotografia; ou lugar de ensaio para uma obra maior; ou expressão de uma grande arte em si mesma. Parece simples nos recursos e resultados mas pode dar forma a conceitos complexos. Albrecht Dürer, mestre gravador como poucos, tinha uma noção, válida ainda, do que era belo na gravura (e na arte): o belo é um conceito relativo e variado, e não objetivo e uniforme como queria Alberti. Essa relatividade e essa diversidade estão nesta mostra.
Elas seguem os três critérios de Dürer para definir e apreender a verdade artística: a função (mostrar como é um rosto, por exemplo), a satisfação proporcionada e o domínio do meio. Com eles, Dürer acreditava que alguém poderia criar “belas imagens”, não “espontâneas” ou “inspiradas” mas que vinham de uma “síntese seletiva interior”.
O conjunto aqui mostrado organiza-se em três movimentos. O primeiro inclui obras com um compromisso figurativo claro, embora variado, com o mundo exterior. O segundo cobre um momento em que o artista buscava noções abstratas do que seria o belo, sem ligação com o real imediato, um momento de forte autonomia da arte. E o terceiro mostra o retorno da figura porém sem vinculação com o real e, sim, muitas vezes, para fazer um comentário sobre a figura muitas vezes vista em outro meio e não na realidade (e com o recurso de outros meios que não os da gravura tradicional). As obras deste terceiro movimento navegam entre o pop e o conceitual, assim como as do segundo circulam pelo abstrato informal e geométrico e as do primeiro, pelas diversas correntes estilísticas da modernidade ampliada (simbolismo, expressionismo, surrealismo e suas nuances).
Esta exposição não põe em destaque, porém, as opções estilísticas. Seu método é iconográfico, colocando lado a lado distintos modos de representar-se um tema como recurso para uma apreensão mais imediata das diferentes ideais sobre a arte e o que podem apresentar-nos hoje.
Os movimentos
A coleção de gravuras brasileiras do MASP assume a forma de um arco extenso que vai de Carlos Oswald, precursor da gravura artística no Brasil, a artistas contemporâneos que recorrem a novas tecnologias como o xerox (Hudinilson Jr.). São todos casos que ilustram o período em que a gravura emancipa-se de outras linguagens, como a pintura e a fotografia, e dedica-se à exploração de seus próprios recursos técnicos e expressivos.
Primeiro movimento: figuração - As obras deste grupo tratam de revelar o belo oculto na natureza ou na realidade das coisas e do mundo. Sua função é representar esse mundo conforme a versão de “síntese interior” escolhida pelo artista. Essa síntese é mais simples ou mais elaborada, mais próxima do real ou mais aberta às liberdades da imaginação. Mas, as imagens resultantes representam sempre alguma coisa por alguns de seus traços visíveis, como a forma geral de uma árvore ou de um rosto, o aspecto físico de um objeto inanimado visto ou codificamente imaginado. Alguns de seus autores são de artistas que fizeram da gravura seu meio predileto de expressão, outros são de artistas que experimentaram também com outros meios, em particular a pintura. E o período coberto vai do primeiro modernismo à atualidade.
Segundo movimento: abstração - Estas obras buscam a beleza ainda mais oculta do mundo, aquela que está abaixo da superfície visível e que propõe uma harmonia secreta revelada ou inventada pelo artista. Perseguem um “aquém da forma”, ou a “forma pura” que, para Kandinsky, é capaz de responder às “necessidades interiores” do artista. São peças que exercitam de modo livre (descomprometido com o real e a natureza) os elementos gerais da arte, como a cor, a linha, o plano, a partir de uma inspiração na música e na matemática. Compõem campos de expressão cuja função é apontar mais para elas mesmas do que para algo fora delas. São sínteses seletivas interiores complexas que buscam na “simples satisfação”, no prazer do observador, sua meta central. Representam um movimento cujo valor central era a ampla autonomia da arte: sua liberação diante da necessidade de representar o mundo exterior, o “real”.
Terceiro movimento: uma outra figuração - A figura está aqui de volta, mas num outro passo do parafuso da arte. Sua referência e sua fonte não são mais tanto o mundo real, a natureza ou a “forma pura” como o universo da própria cultura (a cultura pop dos quadrinhos, do jornal, a própria arte). Antes de apontar para “a realidade”, esta arte visa a própria arte ela, como as obras do movimento anterior, mas recuperando agora o valor de representação do ícone, da parecença. Aos poucos, neste movimento, a síntese seletiva interior torna-se mais complexa ou rarefeita e o conceito predomina sobre a forma evidente. Também as técnicas são outras, acompanhando a evolução tecnológica: os antigos modos (xilogravura, linóleo, metal, litografia) são substituídos por outros ou combinados. A reprodução da imagem ganha novo meio: a impressão digital.
Após uma sequência de cinco exposições de arte vindas da Espanha - entre elas as gravuras de Goya, em 2007; Desenhos Espanhóis do Século 20, em 2008; e Walker Evans, em 2009 - o MASP traz ao Brasil em parceria com a Fundación MAPFRE uma das exposições de maior repercussão na Europa nos dois últimos anos: Max Ernst - Uma semana de bondade, que fica de 23 de abril a 25 de julho, na Galeria Horácio Lafer, 1º andar do Museu.
A mostra - que iniciou em 2008 sua itinerância inédita após mais de 70 anos - passou pelos museus Albertina (Viena), Max Ernst (Brühl), Kunsthalle (Hamburgo), Fundación MAPFRE (Madri) e D'Orsay (Paris) e debuta na América pelo MASP, trazendo suas provocações e preciosidades: entre as 184 colagens originais e de extrema fragilidade estão cinco obras jamais expostas ao público. Sob alegação de blasfêmia, elas não participaram da única exposição realizada com as colagens, em 1936 em Madri, na Biblioteca Nacional, atual sede do Museu Nacional de Arte Moderna.
Terceiro romance-colagem de Ernst - que já havia produzido La femme 100 têtes (1929) e Rêve d'une petite fille qui voulut entrer au Carmel (1930) -, Uma semana de bondade foi criada em 1933, auge do movimento surrealista, durante uma viagem de três semanas à Itália, precisamente ao Castelo de Vigoleno, cidade medieval da Emilia-Romagna. Recortando uma série de imagens de livros, jornais, romances e revistas populares na Europa desde 1850, o artista transformou entretenimento em uma ação de alerta e revolta contra os valores da época.
No entanto, o processo de "colagem" da série já começou bem antes, pela escolha do nome: La semaine de la bonté foi uma associação de ajuda mútua fundada em 1927 para promover o bem-estar social em Paris. Neste período, a capital francesa foi inundada por cartazes da organização buscando apoio da sociedade. Ernst pegou "emprestado" o nome e fez de Uma semana de bondade uma alusão ao relato bíblico da criação da Terra.
A gênese surrealista
A coleção é divida pelos dias da semana e deu origem a cinco livros lançados em 1934 (os três últimos dias - Quinta-feira, Sexta e Sábado - reunidos em um único por não ter a coleção alcançado as expectativas comercias). Nas colagens Ernst afastou-se da concepção bíblica, criando seu próprio Gênesis: o Domingo surrealista é recheado de orgias, violência, blasfêmia e morte, primeiro contraponto significativo ao "dia de descanso". Homens com cabeças de leão, símbolo do poder, é ironia recorrente nas 35 colagens intituladas O leão de Belfort, na qual as obras são individualizas por sequência numérica, recurso utilizado em todos os dias da coleção, além de obedecerem a um elemento chave, neste caso, a "Lama".
Composta por 27 trabalhos, Segunda-feira, cujo nome e elemento são denominados "Água", narra quão insignificante é o poder das autoridades diante a força da natureza: águas invadem e arrasam toda a cidade de Paris, questionando os valores exercidos pela burguesia da época, em críticas ainda coerentes aos dias de hoje. A sequência se mantém na mesma esfera: homens com asas de dragões e serpentes presentes em situações da rotina da classe privilegiada compõem as 45 obras da irônica Terça-feira, representada pela série A corte do dragão dentro do elemento "Fogo".
O caráter mítico de Édipo é abordado sob o elemento "Sangue" nas 29 colagens de Quarta-feira, batizada com o nome do mito grego. O episódio em que Édipo teve o pé ferido por seu próprio pai, seu reencontro fatídico no qual assassina seu progenitor e posteriormente o enigma proposto pela Esfinge, são simbolizados por homens com cabeças de pássaros nas mais diversas situações, num triste sarcasmo que escancara o eterno receio da tragédia por vezes imposto pelo destino, inerente às escolhas.
A Quinta-feira é subdividida em O riso do galo, que conta com 16 colagens, e A Ilha de Páscoa, formada por outras dez. Ambas sob o elemento "Escuridão" abordam as diferentes formas de poder: na primeira, o galo gaulês, símbolo do estado francês, é presente em todas as imagens, inclusive como parte do corpo dos protagonistas da cena. Em A Ilha de Páscoa, situações de intimidade são exibidas sempre com um de seus personagens usando máscaras. Nestas duas séries, Ernst preenche o espaço intermediário das colagens com tinta ou lápis, criando uma cena que evoca paisagem ampla.
Representada por Um poema visível, Dois poemas visíveis e Três poemas visíveis (compostos por seis, quatro e duas colagens, respectivamente), a Sexta-feira obedece ao elemento "Visão". Aqui imagens emblemáticas abordam o interior, a estrutura do humano e do ambiente que o cerca: corvos, caveiras e uma série de símbolos são utilizados nas três divisões. Neste "dia" Ernst retoma o uso da colagem sintética, método utilizado por ele no início de sua carreira, no qual elementos heterogêneos são colocados sobre uma folha de papel branco.
O Sábado, último dia da semana, batizado A chave das canções, referencia ao elemento "Desconhecido", onde toda a preocupação com a realidade é abolida. Mulheres em transe deixam suas camas e quartos para voar, cenas retratadas nas dez obras em que Max Ernst ilustra o fascínio surrealista com a histeria libertadora e inspiradora.
A narrativa da coleção se apoia unicamente na imagem, convertendo-se no ponto máximo do chamado romance-colagem e num dos maiores expoentes do surrealismo. A técnica empregada por Ernst nesta coleção cuidou para que os pontos de união, onde usou a colagem, fossem imperceptíveis com o objetivo de que a ilusão ótica criada pela colagem fosse completa, dando lugar a uma "nova" realidade.
Com este trabalho, Max Ernst rompeu as fronteiras entre gêneros e técnicas e transformou Uma semana de bondade em um dos temas principais do surrealismo - e ataca reservadamente àqueles que consideravam, naquela ocasião, este um movimento essencialmente literário.
Sobre o artista
Max Ernst (2 de abril de 1891, Brühl, Alemanha - 1 de abril de 1976, Paris, França) é provavelmente um dos poucos artistas que reinventou a si mesmo ao longo de toda sua vida. Ao lado de Picasso, fez parte de alguns dos grupos e movimentos de vanguarda mais importantes do século 20. Porém o que caracterizou em todo momento sua trajetória foi a capacidade de seguir adiante, sempre à frente destes movimentos, convertendo-se assim em referência e influência não só para seus contemporâneos mas também para os artistas atuais, entre eles artistas díspares como Cindy Sherman, Neo Rauch e Julie Nord.
A capacidade de Max Ernst criar um universo e um olhar próprio, diferente e singular, o transforma em um dos artistas de referência no século 20 e também em um dos mais complexos e mutáveis. Dadaísta, surrealista, poliglota e ávido leitor, Ernst desenvolveu um universo absolutamente particular e pessoal. Por conta de sua deslumbrante e afiada inteligência, além da sensibilidade e senso de humor ácido e irônico, é possível encontrar influências de Ernst em toda a história do século. Essa mistura de curiosidade e constância que encaixa o discurso do artista é a base sobre a qual foi construído o olhar de Ernst: uma busca incansável, onde, como diziam os sábios gregos, é muito mais importante o caminho que a chegada.
Serviço Educativo
Como nas mostras compostas por obras do acervo e nas exposições temporárias realizadas pelo MASP, Max Ernst - Uma semana de bondade terá um programa educativo elaborado especialmente para atender aos visitantes, professores e alunos de escolas das redes pública e privada. As visitas orientadas são realizadas por uma equipe de profissionais especializados. Informações ao público: 3251-5644, r 2112.
A arte da gravura, que há dois anos levou milhares de pessoas ao MASP com séries completas de Goya, poderá ser mais uma vez apreciada pelo público que visita o Museu. A partir de 23 de janeiro, sábado, O Mundo Mágico de Marc Chagall – Gravuras reúne 178 obras do artista nascido em 1887 na Bielo-Rússia e morto em 1985 no sul da França, país que adotou como cidadão. Sob curadoria do museólogo Fabio Magalhães a mostra apresenta séries emblemáticas de gravuras – uma das formas de expressão preferidas de Chagall – entre elas as integrais de La Bible (A Bíblia) e Daphnis et Chloé (Dafne e Cloé), criadas pelo mestre entre os anos 20 e 50.
Trazidas especialmente para a exposição O Mundo Mágico de Marc Chagall - O Sonho e a Vida, integrante da programação do Ano da França no Brasil, as gravuras integraram a mostra apresentada em Belo Horizonte e Rio de Janeiro e agora vêm a São Paulo a partir da parceria do MASP com a Base7 Projetos Culturais e a Casa Fiat de Cultura. Com patrocínio da Fiat, copatrocínio do Banco Iveco Capital e apoio do Ministério da Cultura, a exposição fica até 28 de março na Galeria Horácio Lafer, 1º andar do Museu. Na 2ª feira, 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, o Museu excepcionalmente abre suas portas e não cobrará ingressos, numa homenagem do MASP e de seus patrocinadores à cidade e seus visitantes.
Destaque na exposição, a série Daphnis et Chloé (Dafne e Cloé),com 42 gravuras, é fruto de duas viagens de Chagall à Grécia. O artista tinha o propósito de vivenciar a atmosfera e a luminosidade da paisagem e conhecer melhor a cultura pastoril do país. A primeira visita, em 1952, proporcionou a execução dos primeiros guaches, que registram a luz mediterrânea e a experiência emocional vivida em terras gregas. Os 42 guaches foram realizados entre 1953 e 1954 e serviram como estudos preparatórios para a transposição em litografias. Para chegar ao resultado pretendido, de extraordinária beleza cromática, Chagall trabalhou com o impressor Charles Sorlier no famoso estúdio de Fernand Mourlot. Foi necessário utilizar uma pedra para cada tonalidade de cor, ou seja, uma única gravura exigiu 25 pedras-matrizes.
Outro destaque da mostra é a série Les Fables de La Fontaine (As Fábulas de La Fontaine), com 23 gravuras, trabalho encomendado pelo marchand e crítico de arte Ambroise Vollard. Chagall produziu, entre 1926 e 1927, cem guaches representativos das fábulas de La Fontaine (1621-1695). As obras foram expostas em 1930 em Paris, Bruxelas e Berlim e, comercializadas, acabaram se dispersando pelo mercado, tornando praticamente impossível a reunião integral da série. Antes de finalizar as gravuras para esta série Chagall recebeu de Vollard o pedido para que realizasse um conjunto que batizaria de La Bible (A Bíblia), com 105 gravuras. O artista trabalhou no tema de 1931 a 1939, quando visitou a Palestina para ver de perto o palco dos acontecimentos bíblicos. A série integral destas obras, aquareladas à mão pelo artista, estão apresentadas agora no MASP.
Sobre o artista
Marc Chagall (Moshe Zakharovitch Shagal) nasceu em 06 de julho de 1887, num bairro de judeus pobres de Vitebsk, na Bielo-Rússia, àquele tempo pertencente ao Império Russo. Naturalizado francês, o artista foi um dos pioneiros da Modernidade e participou das grandes transformações das artes plásticas no início do século 20, tornando-se um dos mais notáveis artistas de seu tempo. Apesar do intenso convívio com as tendências de vanguarda, a arte de Chagall adquiriu contornos pessoais desde a juventude. Desde cedo, sua expressão seguiu caminhos singulares.
Serviço Educativo
Como nas mostras compostas por obras do acervo e nas exposições temporárias realizadas pelo MASP, a exposição de Marc Chagall terá um programa educativo elaborado especialmente para atender aos visitantes, professores e alunos de escolas das redes pública e privada. As visitas orientadas são realizadas por uma equipe de profissionais especializados.
Informações: 3251 5644, r 2112.
O retrato é talvez o mais poderoso gênero da história das artes visuais, com uma presença que se estende desde pelo menos o século 270 a.C. até os dias de hoje. O fascínio que exerce sobre a imaginação humana é único: continua a ser um elo privilegiado entre a razão e o espírito mágico, que não abandona a humanidade. Isso porque o retrato tanto se entrega ao olhar do observador como o observa atentamente, o que pode ser ao mesmo tempo reconfortante e ameaçador.
As culturas ditas primitivas não deixam de ter razão quando instruem seus membros a negarem-se ao olho da câmera: não é só a aparência do fotografado que a máquina captura, mas também seu espírito, sua essência. O retrato é, assim, um constante exercício de psicologia social e individual.
O RETRATO DA POMPA
Os primeiros retratos autônomos (que não mais são parte da arquitetura) surgem no século 13 e ganham impulso com a invenção da portátil tela de pano como suporte (o mais antigo exemplo da pintura sobre tela é uma madona de 1410). Os retratos deste grupo são ditos "de aparato". A imagem construída pelo artista deve ser impressionante, o retratado é mostrado como alguém especial, subtraído quase aos acidentes do efêmero. Daí serem de certo modo atemporais: não fosse pelas roupas (retratos de mulheres despidas sempre foram aceitáveis mas de homens nus, depois dos tempos clássicos, só na arte contemporânea), que ajudam a configurar e situar os que as envergam, os retratados quase estariam fora de um lugar e de uma época determinados.
São exemplares neste sentido os retratos assinados por Goya, Van Dyck ou Hals: os retratados estão sobre fundo neutro e se deixam ver em poses hieráticas, afirmativas, quer apareçam de corpo inteiro ou de meio corpo. São retratos de pessoas e também de alguma coisa, sobretudo do poder.
Os primeiros retratos foram os da realeza, do alto clero e da aristocracia, donde serem naturalmente "de aparato" (no Renascimento surgem os retratos das pessoas mais comuns ou, em todo caso, os burgueses). Como toda pintura de gênero, o que primeiro se retrata aqui é o próprio código a que a obra pertence - no caso, a própria pompa, a ideia da pompa; o retratado é meio para pintar-se a pompa em si mesma. O retratado existe porque a pompa existe.
O RECURSO À CENA
Os retratos deste grupo apresentam seus modelos junto a alguma coisa, fazendo alguma coisa, representando alguma coisa: compõem, com as outras pessoas ou coisas representadas, uma cena que lhes empresta ou sugere uma qualidade própria. De algum modo, todo retrato compõe uma cena, em particular os retratos de aparato; aqui, porém, a cena é mais explícita e ampla e a narrativa que propõe é mais extensa, se não mais complexa. Várias das obras deste grupo relacionam-se àquelas exibidas entre os retratos da pompa, enquanto outras, em número não menor, remetem-se ao grupo dos retratos modernos, de que poderiam fazer parte com igual propriedade.
Típicos do modo deste conjunto são os retratos por Toulouse-Lautrec e Manet.
É de 1310 a recomendação de Pietro d Abano de que o retrato deveria expressar a aparência e a psicologia, ou a alma, do retratado - algo mais viável nos retratos deste grupo e do próximo, do que naqueles de aparato. Daí não se deve concluir, porém, que a semelhança sempre tenha sido tudo, no retrato: antes da modernidade proposta pelo século 19, conforme o princípio da dissimulação o realismo deveria submeter-se aos interesses contextuais da representação, razão pela qual sobretudo nos retratos de pompa ou aparato os eventuais defeitos físicos dos modelos eram diminuídos ou ocultados. Na contemporaneidade, o corpo humano em seu realismo mais cru, em suas falhas e decadência, será mostrado sem disfarces.
EU MESMO
Atração narcisista pela própria imagem; tentativa de sair de si mesmo para enfim ver-se melhor, ver-se de outro modo; a simples comodidade de ser o modelo mais disponível; no início de sua história, esforço do artista para que o vissem como aqueles que ele próprio retratava, isto é, como um membro das classes altas, das profissões liberais (intelectuais) e não das manuais, que dependiam do esforço físico: tudo isso se encontra na origem e na história do auto-retrato.
Rembrandt, com a retratação insistente de si mesmo, não raro impiedosa, foi um equivalente dos poetas que repetidamente mergulham em si para vislumbrar pelo menos um pouco da natureza humana.
Com Terra em Transe, premiado fotógrafo espanhol chega ao MASP
O fotógrafo e poeta Manuel Vilariño nunca expôs no Brasil, onde debuta em 14 de maio com Terra em Transe, no MASP, mostra com 21 obras de grandes proporções produzidas entre 1997 e 2007, período em que sua trajetória atraiu especial atenção e lhe rendeu, em 2007, o Prêmio Nacional de Fotografia da Espanha e a representação de seu país na Bienal de Veneza. Mestre na captação de imagens de natureza morta, numa expressão visual diretamente associada à sua poesia, Vilariño expõe pela 1ª vez no Brasil, depois de passar por Uruguai e Paraguai, agora numa versão ampliada para o MASP, onde fica em cartaz de 14 de maio a 26 de julho.
À mostra vista nos países vizinhos serão acrescentadas as obras da série BWA, que documentam a memória xamânica a partir de uma estética próxima às naturezas mortas do barroco espanhol. Ganha destaque ainda a obra Paraíso Fragmentado (330 x 550 cm) que integrou a mostra do artista na Bienal de Veneza de 2007. Além de maior número de obras, a mostra no MSAP ganhará ainda uma montagem diferenciada, tomando por base dois eixos conceituais distintos: a natureza morta e a paisagem na aurora.
Revelando por meio da fotografia um mundo de solidão, reflexão e silêncio expressos em metáforas visuais e beleza estética – aspectos que o diferenciam na fotografia contemporânea – Manuel Vilariño tem hoje obras no acervo de instituições como o Museu de Arte Contemporânea de La Coruña, sua terra natal, o Reina Sofia, de Madri, e o Belas Artes de Houston, EUA. “Vilariño é um grande mestre da natureza morta, com uma obra caracterizada por uma grande intensidade poética”, escreve o curador da mostra Fernando Castro Flórez. “Este ‘feiticeiro’ que regressa, insistentemente, ao arquétipo da sombra realizou, nos últimos anos, fascinantes composições onde leva às suas essências esse gênero clássico utilizando elementos como uma vela, fruta ou pássaros enforcados”.
A Espanha no MASP
Esta é a terceira exposição de arte contemporânea espanhola que o museu paulista recebe desde o ano passado, quando apresentou, no início do ano, a mostra coletiva de fotografia Caçadores de sombras e, no meio do ano, Gordillo e Quejido, dois dos mais ativos e conceituados artistas da atualidade no país. O curador do MASP Teixeira Coelho, que promove o intercâmbio com artistas e instituições espanholas – inaugurado em 2007 com as gravuras de Goya, seguido das citadas exposições de arte contemporânea e de Desenhos Espanhóis do Século 20, da coleção Fundación Mafre – considera um avanço a parceria com a Espanha, cuja contrapartida permite colocar no circuito europeu parte do valioso acervo do MASP.
“A colaboração de organismos estatais espanhóis com o Brasil e, em particular com este museu, tem sido muito proveitosa e só ocorre em virtude do entendimento do governo espanhol de que deve apoiar a presença, além fronteiras, da arte feita em seu território. Sem esse apoio do poder público, incluindo a arte como componente da ação diplomática, nada de análogo aconteceria”, explica Teixeira Coelho. “No caso da Espanha, essa iniciativa demonstra ainda um tratamento diferenciado concedido à América Ibérica e à inclusão do Brasil, finalmente, no elenco dos países da região, encerrando um longo período de marginalização do maior país de fala portuguesa”.
O Centro Cultural da Espanha em São Paulo/ AECID - Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento organiza a exposição Terra em Transe – Manuel Vilariño.
“Vik se tornou um fenômeno de comunicação”, impressiona-se Leonel Kaz, responsável pela vinda da exposição ao Brasil. “Raramente um artista contemporâneo provocou neste país uma mobilização desse porte, aproximando o grande público da grande arte. Isso se deve, por um lado, à mágica da obra de Vik; por outro, a uma montagem compreensível que permitiu a cada visitante exercer a sua própria liberdade do olhar.
"Para os críticos, pesa ainda o fato de que a arte de Vik permite diversos níveis de leitura e compreensão, desde o apenas imagético até as elaboradas e sofisticadas referências estéticas e intelectuais que a sustentam.
“Procuro fazer um trabalho que agrade de uma criança como minha filha a um graduado de Harvard”, confirma Vik. “Minha intenção inicial é conseguir uma reação física do espectador, atraí-lo, cativá-lo. A partir do momento em que consigo isso, posso comunicar a informação que quero passar. Meu sonho é mudar a forma elitista com a qual a arte é encarada. Não acredito na separação entre o popular e o inteligente, como se fossem coisas antagônicas.
”Há 25 anos radicado em Nova Iorque, Vik Muniz, 47, construiu uma carreira singular. Conseguiu atrair a atenção da comunidade artística internacional com fotografias de trabalhos realizados a partir de técnicas variadas e materiais quase sempre inusitados - como a Mona Lisa feita de pasta de amendoim, o Che Guevara desenhado em geléia ou o retrato de Elizabeth Taylor montado a partir de centenas de pequenos diamantes. Mais recentemente, voltou a surpreender o mundo com a série de imagens feitas a partir de lixo. A originalidade de sua obra lhe garantiu o reconhecimento da crítica e o estabeleceu como um dos criadores mais incensados da arte contemporânea, presente no acervo dos principais museus do mundo.
Agora o público paulistano poderá ter uma visão abrangente da produção do artista com a chegada à cidade desta que é a maior exposição já dedicada à sua obra. Com patrocínio do Circuito Cultural Bradesco Seguros e Previdência, apoio do Ministério da Cultura e realização/ coordenação da Aprazível Edições e Arte (de Leonel Kaz e Nigge Loddi), a mostra ocupará o MASP – Museu de Arte de São Paulo durante dois meses e meio.
‘Vik’ já passou por Nova Iorque (PS1 Contemporary Art Center-MoMA) e Miami (Miami Fine Arts Museum), além de Canadá e México, e desembarca no Brasil em versão ampliada, com 20 trabalhos a mais, incluindo três trípticos monumentais. Responsável por exposições como ‘Arte e Ousadia / O Brasil Contemporâneo na Coleção Sattamini’, (MASP/2008) e pela curadoria do Museu do Futebol, a Aprazível comemora a vinda da mostra após dois anos de negociações: “Além da inegável importância de um evento como este, o caráter singular da obra de Vik Muniz convida o espectador a apreciá-la não apenas com os olhos mas experimentá-la de forma sinestésica. É a possibilidade de dar asas à imaginação de cada visitante. Como o próprio Vik define, “A espinha dorsal da educação é o brincar”. Então que venham todos brincar e viver”, convoca Leonel, organizador também do livro-catálogo que acompanha a mostra, em formato de 37 x 30cm, com 150 páginas, editado pela própria Aprazível.
As mais de 200 imagens que compõem as 131 fotografias – com dimensões que vão de 23,6cm X 33cm a 292,1cm x 180,3cm – terão a companhia de três vídeos realizados por um colaborador de Muniz, o fotógrafo Fabio Ghivelder. Eles revelam o processo criativo de algumas séries do artista, fazendo uma espécie de making of da construção de suas obras. Um desses vídeos será exibido através de um monitor de plasma colocado no chão, para que o espectador possa compartilhar o ponto de vista de Muniz ao fotografar de cima as obras da série ‘Pictures of Garbage’ (Imagens de Lixo). O vídeo foi feito em ultra high definition, com a animação de três mil fotografias. Na série, catadores de lixo de Gramacho encarnam personagens de obras consagradas, recriadas com o material recolhido do próprio aterro sanitário onde trabalham.
Dedicado inicialmente à escultura, Muniz percebeu, no início dos anos 90, que ao documentá-las através da fotografia encontrava um resultado artístico melhor aos seus propósitos do que com as esculturas em si, e desde então resolveu unir as duas linguagens, às quais somou outras como desenho, pintura, colagem etc. Não por acaso, foi a partir desta mudança que seu trabalho chamou a atenção dos críticos e instituições de arte de Nova Iorque e, em seguida, do resto do mundo. Hoje suas obras estão em acervos particulares e galerias de diversos continentes e em museus como o Tate Modern e o Victoria & Albert Museum, em Londres; o Getty Institute, em Los Angeles; e o MAM de São Paulo. Recentemente, o reconhecimento ao seu trabalho lhe rendeu um convite do MoMA de Nova Iorque para ser curador da prestigiosíssima mostra Artist’s Choice (Escolha do Artista), aberta em 14 de dezembro passado na sede do museu - fato inédito para um brasileiro. Vik Muniz é ainda o único brasileiro vivo a figurar no livro 501 Great Artists: A Comprehensive Guide to the Giants of the Art World, da Barron´s (ao lado do carioca Hélio Oiticica, falecido em 1980).
Ao lidar com a memória, a ilusão e sobretudo o humor, apoiados no uso de materiais pouco convencionais, Vik Muniz imprimiu sua marca no concorrido universo das artes. “Sempre levei o humor muito a sério”, admite. Ele não apenas registra sua versão do mundo ao seu redor, mas o recria, literalmente: antes de seu olhar como fotógrafo captar o que se tornará o produto final de sua obra, ele cria um verdadeiro teatro, com cenas, retratos, objetos e imagens, alguns em escala gigantesca, usando elementos tão diversos como papel picado, sucata, molhos e algodão em processos de construção que podem levar semanas ou mesmo meses. Assim, surgiram algumas das obras presentes na mostra, como a Mona Lisa dupla de geléia e pasta de amendoim; o soldado composto por inúmeros soldadinhos de brinquedo; a Medusa de macarrão e molho marinara; o Saturno devorando um de seus filhos, de Goya, refeito com sucata; e retratos das atrizes Elizabeth Taylor e Monica Vitti compostos por milhares de pequenos diamantes.
A relação do material utilizado com o tema não é acidental: a série ‘Sugar Children’ (Crianças de açúcar), de 1996, reúne retratos recriados com açúcar de crianças que o artista conheceu no Caribe, cuja doçura pueril ainda não havia se transformado no amargor da vida de seus pais, trabalhadores em regime semi-escravo nos canaviais locais: “A radiosa infância daquelas crianças vai certamente ser transformada, pelo açúcar, em açúcar”, constata Muniz.Seu trabalho é constantemente apontado como uma fusão entre dois extremos da arte: visualmente impactante, sua obra tem se mostrado ao mesmo tempo facilmente apreendida pelo observador comum, assim como tem agradado o olhar treinado do colecionador de arte. Aceitação ampla que talvez se explique em parte através do que Vik acredita ser primordial na arte: “O artista faz só metade da obra, o observador faz o resto”, afirma. E vai além: “Eu faço arte para poder observar pessoas a observarem minhas obras”.
Filho de um garçom e uma telefonista, Vik Muniz foi criado em São Paulo, onde iniciou seus estudos de arte, e chegou aos Estados Unidos graças a um acidente. Depois de apartar uma briga na rua, acabou sendo atingido por um tiro na perna. O autor do disparo era a vítima que Muniz tentava defender na briga . Para compensar o transtorno, o homem ofereceu-lhe uma boa quantia em dinheiro que acabou por financiar sua viagem a Chicago, em 1983. Dois anos depois ele foi para Nova Iorque, onde vive até hoje. O sucesso, no entanto, chegou somente há 14 anos, quando um crítico do New York Times foi conferir a exposição principal de uma galeria e se deparou com a série ‘Sugar Children’ alojada discretamente em uma sala dos fundos. Encantado, ele escreveu uma resenha que abriu inúmeras portas ao brasileiro: além de receber um convite para participar da prestigiosa mostra New Photography, no MoMA, Vik viu suas obras serem adquiridas por museus como o Guggenheim e o Metropolitan Museum of Art.
Hoje, o prestígio de Vik ultrapassa o limite de museus e galerias. Seu trabalho também tem sido visto em outros tipos de suporte, como a capa da revista dominical do The New York Times, do último dia 7 de dezembro, para a qual criou um retrato de Albert Einstein feito de recortes de papel, e um retrato de Vladimir Putin à base de caviar, publicado na edição de 75 anos da revista Esquire. Atualmente, tem diferentes exposições montadas simultaneamente em Paris, Tóquio e São Francisco.‘
Vik’ tem direção de montagem de Emilio Kalil, montagem da Arquiprom e Fernando Arouca e programação visual de Jair de Souza. Ao longo da temporada, a produção fará visitas guiadas com populações da periferia que não possuem o hábito de ir a museus. Grupos de 50 pessoas serão levados diariamente ao MASP em ônibus especialmente fretados.
Algumas críticas:
“Sua arte fará você sorrir antes que possa dizer ‘x’... uma idéia embrulhada em surpresa e gargalhadas. Deixe o Prozac de lado e vá a essa exposição”
The New York Times, 25 de setembro de 1998
“A coragem e sagacidade do artista nos fazem mesmo dar risada. Apreciamos a habilidade necessária para fazer o que ele faz (ou desfaz). E olhamos para as imagens, e o conceito da representação muda.”
The Wall Street Journal, 20 de outubro de 1998
“Um artista conceitual raro que pode também satisfazer o desejo tradicional da arte feita com habilidade”
Time Magazine: Leaders of the New Millennium, Edição especial de maio de 1999
“Vik Muniz, o conceitualista acessível, pedagogo sem nenhum pedantismo, escritor e curador, ultimamente chamado de mágico, gozador e feiticeiro. Fotógrafo, escultor, desenhista, artista... Se você pensa que arte conceitual é entediante e seca, vá correndo ver...”
Review: The Critical State of Visual Art in New York, 15 de outubro de 1998
“O que vemos é um truque, e ficamos querendo saber como ele fez; as técnicas variadas inspiram uma curiosidade raramente experimentada pelos fãs de arte contemporânea”
Artforum, dezembro de 1998
Vindas da Fundação Mapfre, sediada em Madri, obras de Picasso, Dalí, Chillida, Juan Gris, Tàpies, Torres García, Picabia, Miró, dentre outros, serão apresentados em curta temporada até 27 de julho de 2008.
Uma das principais exposições internacionais do MASP em 2008 tem o desenho como protagonista: Desenhos Espanhóis do Século XX - Coleção Fundação Mapfre, com abertura ao público em 13 de junho. Sob a curadoria de Pedro Benito, da Fundação Mapfre, a exposição reúne artistas de técnicas e estilos distintos: Picasso, Miró, Juan Gris, Dalí, Picabia, além de vários artistas de destaque no cenário espanhol como Óscar Dominguez, Viñes, De la Serna, Manuel Ángeles Ortiz e Bores.
Fundamento prévio da pintura, escultura e arquitetura e vistos como anotações e esboços até praticamente o século XV, os desenhos não passavam de um mero procedimento, anterior à pintura, que desapareciam no resultado final. Mas a partir da era moderna passaram a ser contemplados como obras acabadas em si mesmas. A Espanha de Francisco Goya y Lucientes (1746-1828) sobressai-se no quesito e nos últimos cem anos vê surgir alguns dos maiores gênios da técnica. É o que esta Coleção foca através de 82 trabalhos de grandes nomes da arte do século XX.
Antecessores da modernidade espanhola - Regoyos, Piñole, Sunyer - surgem acompanhados de mestres da vanguarda internacional, dentre eles Picasso, Miró, Dalí. Escultores de relevância mundial como Casanovas, Rebull, Ferrant, Julio González e Chillida estão expostos ao lado de artistas de outros países que viveram e produziram na Espanha, com repercussão mundial, como os uruguaios Torres Garcia e Rafael Barradas.
Cada um dos desenhos é acompanhado de um comentário crítico que esclarece o seu sentido dentro da trajetória do artista. Assim, Desenhos Espanhóis do Século XX - Coleção Fundação Mapfre apresenta uma pluralidade de perspectivas que permite contemplar um desenho como esboço e como obra autônoma ao mesmo tempo.
Duas exposições com 91 obras de Luis Gordillo e Manolo Quejido – dois dos mais conceituados artistas espanhóis da atualidade – chegam ao MASP em 21 de maio, onde ficam até o 13 de julho. A exibição conjunta e itinerante dá seqüência ao intercâmbio do Museu com instituições de arte da Espanha, iniciado no ano passado com a exposição das gravuras completas de Goya.
Vencedor em 2007 do Prêmio Velázquez - um dos mais prestigiados no mundo das artes plásticas - Luís Gordillo terá 33 obras na exposição, que tem curadoria única mas identidades distintas. Profundamente interessado pela psicanálise, o artista define seu trabalho como "uma necessidade de fugir, de sublimar, de exorcizar a angústia, de não se sentir lógico no mundo" ou como "uma erótica compensadora que faça sair do poço da ausência de sentido pessoal".
Já as 58 obras de Manolo Quejido apresentam os diferentes períodos criativos do artista. Reflexivo, inquieto e comprometido socialmente, Quejido encontrou na pintura o seu principal meio de expressão. Sob a reflexão "pintar = pensar", sua obra tem caráter conceitual e certo sentido político, sem renunciar à exploração de valores estéticos.
Organizadas a partir de uma parceria entre o MASP e a Sociedade Estatal de Ação Cultural Externa de Espanha (SEACEX), com a participação do Centro Andaluz de Arte Contemporânea (CAAC), as duas exposições contam com a curadoria do Diretor do Centro José Lebrero Stals.
Segundo o curador Teixeira Coelho, que desde setembro vem reformulando a gestão curatorial do Museu, os paulistanos ainda terão muitas novidades até dezembro. Para ele, contudo, a exposição das gravuras de Goya - que nunca foram exibidas no Brasil desta forma - já pode ser considerada a maior realização do Museu no primeiro semestre do ano.
Contando com o apoio da financeira espanhola Caixanova em colaboração com o Instituto Cervantes, o Museu apresentará as quatro séries completas das gravuras de Goya: Os Caprichos, Desastres da Guerra, Tauromaquia e Provérbios ou Disparates. Reunindo quase 30 anos de trabalho, o material pertence à Coleção Caixanova, considerada uma das mais importantes da Espanha, com 5.000 obras.
Personalidade artística imponente
Considerado um dos grandes gênios da arte universal, Goya soube modelar na sua obra toda uma época e protagonizou avanços artísticos que o consagraram como um dos artistas mais interessantes e respeitados de todos os tempos.
Foi pintor da corte mas, por depois trabalhar mais para si mesmo e amigos próximos do que por encomenda do Estado ou do mercado, tornou-se um dos primeiros símbolos do gênio Romântico e, nessa linha, do Moderno. E como vários modernos, seus retratos críticos da realeza, tanto quanto sua representação da estupidez e do sofrimento humanos, ancoravam-se em sólidos princípios clássicos. Conheceu a fama, o sofrimento (uma doença o deixou surdo em 1792) e a perseguição política por sua inclinação liberal (viveu seus últimos quatro anos como exilado na França).
Como gravurista, deu origem a obras transcendentais de grande força expressiva e absoluto domínio técnico que, desde diferentes pontos de vista, abordam sua visão pessoal do mundo.
Carregadas de um teor crítico, as 80 gravuras da série Os Caprichos (1799), a primeira das quatro, deixaram a Inquisição em alerta e, ante o temor a represálias, tiveram de ser retiradas de venda. Goya descreveu estas gravuras como "assuntos caprichosos que se prestavam a colocar as coisas em ridículo, fustigar preconceitos, imposturas e hipocrisias consagradas pelo tempo".
Já nas 80 gravuras da série Desastres da Guerra (1808), o artista apresenta os horrores da Guerra da Independência (1808-1814), uma das maiores crises bélicas da história da Espanha, com um apavorante dramatismo raramente visto nos registros das guerras. Os exemplares desta série que formam parte da Coleção Caixanova pertencem à primeira edição "Madrid 1863", o que a transforma em todo um tesouro artístico.
Em 1814, com a censura de estampas estabelecida pelo Tribunal da Inquisição, o tema dos touros tornou-se o mais apropriado para a criação de uma coleção do artista, resultando nas 40 gravuras da série Tauromaquia (1814 - 1816). O período coincide com uma época de precariedade econômica de Goya.
Última grande série do artista, Proverbios ou disparates pro-vavelmente não foi um trabalho concluído. Nas 18 gravuras desta série, Goya nos submerge em um mundo de sombras, monstros à espreita, espíritos que abandonam seus corpos, cenas inexplicáveis que parecem arrancadas de sonhos e que seguem sendo hoje em dia um tema de pesquisa e debate.
Caixanova
A Caixanova é uma instituição financeira sem fins lucrativos que não tem acionistas e dedica uma parte importante de seus lucros a devolver à sociedade sua contribuição, através de obras de caráter social, cultural, docente e assistencial, materializadas em centros e atividades culturais, escolas de negócios, centros de formação profissional e uma coleção de arte com mais de 5.000 obras que fazem dela a mais importante coleção de Arte Galega do mundo.
A iniciativa de trazer para São Paulo as séries completas das gravuras de Goya é parte do interesse de difundir a atividade social e cultural da instituição aos mercados em que está desenvolvendo sua atividade financeira na América. No ano passado, a Caixanova se tornou a primeira caderneta de poupanças espanhola a receber autorização do Banco Central do Brasil para abrir no país um escritório de representação.
Instituto Cervantes
Criado em 1991, em Madri, o Instituto Cervantes é uma instituição oficial e sem fins lucrativos sob a tutela do Ministério de Assuntos Exteriores da Espanha. Sua finalidade é a de promover o ensino da língua espanhola, difundir a cultura dos países de língua espanhola e participar na promoção de intercâmbios culturais no mundo inteiro.
Em São Paulo, o Instituto chegou em 1998 como um centro de línguas e formação de professores, até que, em 2004, adquiriu seu espaço próprio de exposições, biblioteca e um auditório para ciclos de cinema, recitais e conferências, passando a oferecer programas culturais gratuitos ao público.